Prefeito de Araucária rebate denúncia e defende acordo na Justiça; vídeo

O prefeito de Araucária, Gustavo Botogoski (PL), reagiu à denúncia em tramitação na Câmara Municipal que tenta enquadrar como ilegal a proposta de acordo apresentada pelo Município e submetida ao Poder Judiciário, e afirmou que nenhum centavo foi pago, que o processo é público e que só haverá qualquer desembolso se houver manifestação do Ministério Público do Paraná (MPPR) e decisão judicial com trânsito em julgado. Abaixo, assista ao vídeo.

Botogoski convocou a imprensa na tarde desta terça-feira (24), no Paço Municipal, para tentar retomar o controle da narrativa depois que a crise com o Legislativo escalou e abriu caminho para judicialização do embate.

Na coletiva, o prefeito repetiu que a origem do caso está em 2017, na disputa sobre transporte coletivo, e disse que a perícia judicial, feita por perito indicado nos autos, concluiu que o município “está devendo mais de R$ 41 milhões” à empresa citada por ele como Tindiquera. Segundo Botogoski, o credor apresentou proposta de acordo na casa de R$ 33,5 milhões, enquanto a Prefeitura refez contas internas e afirmou ter chegado a R$ 31,7 milhões.

O prefeito também elevou o tom político. Atribuiu a denúncia ao ex-secretário Samuel Almeida da Silva, que ele apontou como ligado ao PT e como gestor responsável pela área quando o imbróglio começou. Botogoski reclamou de “acusações levianas”, falou em “cortina de fumaça” e sugeriu que as motivações precisam ser apuradas.

No miolo jurídico, a defesa de Botogoski é simples: se a perícia já reconhece o débito e há risco de a dívida crescer com correções e outros pedidos, a tentativa de acordo seria uma forma de proteger o erário. Ele disse que a proposta foi construída por procurador concursado e servidores de carreira, e que o Município condicionou qualquer pagamento ao crivo do MPPR e do Judiciário.

Ele também afirmou que o debate sobre a forma de pagamento passou pelo juízo, e que o caminho indicado é precatório, com reexame na instância superior. Na prática, Botogoski tenta carimbar a ideia de que não há “ato de pagar” no Executivo sem autorização judicial, e que a Câmara não pode transformar um processo ainda pendente em crime consumado.

Um ponto que virou munição no plenário foi um papel descrito por críticos como “acordo de boteco”. Botogoski respondeu que se tratava de anotação informal de mesa, comparando valores entre cálculos, e insistiu que o que vale está nos autos.

O pano de fundo é que a crise deixou de ser apenas contábil e virou disputa de poder. Mais cedo, o Blog do Esmael registrou a anulação da sessão que havia recebido a denúncia e instalado comissão processante, após questionamento regimental sobre leitura integral do texto, o que derrubou quórum e aumentou a temperatura entre vereadores.

Araucária entrou nessa turbulência carregando peso econômico e eleitoral. Pelo Censo 2022, o município tem 151.666 habitantes. Pelo TRE-PR, o eleitorado local aparece com 109.498 pessoas em dado divulgado no fim de 2025. E, em rankings estaduais recentes baseados no “PIB dos Municípios”, Araucária aparece no topo do PIB per capita no Paraná, indicador que costuma inflamar ainda mais disputas políticas locais quando a cidade entra em crise.

Portanto, Botogoski tenta vender a imagem do gestor que segura a caneta para não “estourar” uma conta maior, enquanto seus adversários tentam enquadrar o acordo como atalho suspeito. Quando o Executivo e a Câmara se trancam nessa guerra, a cidade vira refém de rito, narrativa e cálculo político. E, nessas horas, o interesse público costuma ser o primeiro a ficar na fila.

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