O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) convocou um ato na Avenida Paulista para o próximo dia 25, com a alegação de querer se defender diante das investigações em curso pela Polícia Federal.
O vídeo distribuído nas redes sociais por seus aliados próximos visa reunir apoiadores em um evento que promete ser “pacífico”.
Entretanto, as sombras da Operação Tempus Veritatis pairam sobre Bolsonaro, que foi um dos alvos na última semana, obrigado a entregar seu passaporte às autoridades.
A investigação da PF está focada na suspeita de que o ex-presidente teria participado de uma articulação para dar um golpe de Estado, visando impedir as eleições de 2022 ou a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Revelações de uma reunião onde Bolsonaro fala em “reagir” antes das eleições e conversas de aliados sobre uma possível ruptura aproximaram as investigações do ex-chefe do Executivo.
Além disso, a PF investiga outros casos, como a suposta venda de joias pertencentes à União, a criação de uma Abin paralela no governo, a falsificação de dados de cartões de vacinação e a operação de milícias digitais.
A Operação Tempus Veritatis, desencadeada na última quinta-feira (8/2), revelou uma trama envolvendo civis e militares que teriam orquestrado uma tentativa de golpe de Estado, buscando a abolição do Estado Democrático de Direito.
As frentes de atuação do grupo tinham três objetivos principais: desacreditar o processo eleitoral, planejar e executar o golpe, e abolir o Estado Democrático de Direito para manter seu grupo no poder.
Segundo as investigações autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, algumas frentes atuaram de maneira coordenada para subverter o regime democrático ao longo de várias semanas, intensificando-se após as eleições de 2022.
O “Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral” foi responsável por disseminar notícias falsas sobre supostas fraudes no sistema eleitoral, criando um ambiente propício para o golpe.
Outras frentes buscavam incitar os militares a aderirem ao golpe, atacando aqueles que resistiam às investidas golpistas.
O tenente-coronel Mauro Cid, então ajudante de ordens da Presidência, desempenhou um papel crucial, planejando e executando medidas para manter manifestações em frente aos quartéis militares.
Um núcleo de inteligência reunia informações para auxiliar Bolsonaro na “tomada de decisão” para consumar o golpe, incluindo o monitoramento de autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes.
Paralelamente, outro grupo articulava as ações golpistas, endossando o apoio dos demais núcleos, enquanto um aparato jurídico buscava dar “respaldo legal” ao golpe, elaborando um documento com medidas de exceção.
A decisão de Moraes, que embasou a operação, proibiu que Bolsonaro se comunique com outros investigados, como o general Walter Braga Netto e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Este último chegou a ser preso por posse ilegal de arma durante busca e apreensão em sua residência, mas já foi liberado.
O ato convocado por Bolsonaro na Avenida Paulista ganha contornos de resistência diante das investigações que se aproximam perigosamente do ex-presidente.
A sociedade observa atentamente, exigindo transparência, respeito aos direitos fundamentais e o pleno exercício do direito à informação.
O Blog do Esmael continuará acompanhando os desdobramentos desse cenário complexo, trazendo análises aprofundadas e informações de fontes confiáveis. Fique ligado!
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




