Bancada do Mounjaro na ALEP rejeita Moro e banca Curi

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), virou o ponto de convergência de um grupo de deputados estaduais apelidado nos bastidores de “Bancada do Mounjaro”, que fechou a porta para o senador Sergio Moro (PL) e decidiu marchar com o chefe do Legislativo na reta final da reorganização da direita paranaense.

A leitura desse grupo é objetiva. Moro até chegou turbinado ao PL, mas a filiação do ex-juiz não pacificou o campo conservador no Paraná. Produziu o efeito contrário. O deputado federal Fernando Giacobo deixou o comando estadual do partido e se desfiliou da legenda, enquanto o deputado federal Filipe Barros assumiu o diretório para segurar a nova linha pró-Moro. A troca expôs que o PL saiu da operação mais rachado do que entrou.

No meio desse terremoto, o governador Ratinho Junior (PSD) perdeu altitude política. Horas depois de um almoço com deputados da base no Palácio Iguaçu, em clima de despedida, no começo da semana, anunciou que desistia da corrida presidencial e permaneceria no governo até o fim do mandato. O recuo bagunçou a sucessão, esvaziou o discurso de parte do entorno palaciano e abriu espaço para uma nova centralidade dentro da base.

Foi aí que Curi cresceu na corrida real, não no de PowerPoint. Com Ratinho recolhido à tarefa de reorganizar sua órbita partidária, o presidente da ALEP passou a ser visto por aliados como o nome com mais musculatura para manter coeso o bloco governista, conversar com prefeitos e reter o eixo interiorano do grupo. O Blog do Esmael apurou que Curi sinalizou permanência no PSD, enquanto Ratinho recalcula a própria base depois da guinada provocada por Moro.

Nesse novo arranjo, Guto Silva (PSD), que por meses apareceu como o preferido do Palácio Iguaçu, perdeu chão. Pesquisas recentes mostram Moro na dianteira da disputa e Guto bem atrás dos concorrentes mais competitivos, o que reforçou no governismo a ideia de que insistir num nome sem lastro eleitoral pode custar caro. Ao mesmo tempo, Rafael Greca deixou o PSD e migrou para o MDB em 19 de março, adicionando mais pressão sobre o grupo de Ratinho e sobre a montagem da chapa de 2026.

É nesse ambiente que a chamada Bancada do Mounjaro se move. Nos bastidores da ALEP, o grupo não embarca no projeto Moro, tampouco demonstra apetite por uma aventura bolsonarista. O que aparece, ao contrário, é uma preferência nítida por uma solução de casa, com Curi no centro, diálogo aberto com Greca e boa vontade com outros nomes do campo governista que transitam melhor entre deputados, prefeitos e lideranças municipais.

Aliás, embora exiba bom humor com a canetinha e diga já ter “ganhado 10 pontos no cinto”, Rafael Greca segue barrado pelo grupo de Ratinho Junior para liderar a chapa governista.

O detalhe político é que essa bancada não está olhando só Curitiba nem só a eleição majoritária. Está olhando a capilaridade. A filiação de Moro ao PL reorganizou o topo da direita, mas também acendeu reações defensivas no interior e nos municípios, onde a política continua funcionando menos por lacração de rede social e mais por estrutura, presença e relação continuada. Curi entendeu isso antes de muita gente.

Por razões óbvias, o Blog do Esmael não vai declinar os nomes do seleto grupo da canetinha. O leitor diligente sabe quem são os deputados que não querem saber de Moro nem de tutela bolsonarista na sucessão paranaense. O dado novo é outro: enquanto o noticiário fabrica chapa a gosto do freguês a cada meia hora, uma ala real da ALEP já escolheu seu rumo. E esse rumo, hoje, passa por Alexandre Curi, não por Sergio Moro.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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