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Folha ataca Moraes e defende liberdade de expressão de Bolsonaro

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Num movimento editorial que expõe as fraturas na elite brasileira, a Folha de S.Paulo publicou nesta terça-feira (5) um texto surpreendente: defende o direito de Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar, se expressar livremente, mesmo sendo, nas palavras do próprio jornal, “um inimigo da Constituição de 1988”.

O editorial da Folha sustenta que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), erra ao censurar e prender Bolsonaro por suposta violação de medidas cautelares, ao interagir com aliados e se manifestar politicamente. “Democratas não se transformam em tiranos para combater a tirania”, diz o texto, que também critica decisões sigilosas do Supremo, tachadas de “kafkianas”.

Ataques de Bolsonaro ao jornal não impedem defesa da liberdade

A Folha relembra no próprio editorial que Bolsonaro perseguiu jornalistas, atacou a imprensa e tentou calar o jornal por diversas vias: econômicas, políticas e digitais. Mesmo assim, argumenta, não se pode admitir censura ou restrição ao direito de expressão, nem mesmo contra quem tentou sufocar essas liberdades no passado.

Segundo o jornal, o direito à livre manifestação deve valer inclusive para réus condenados ou investigados, como ensinou o ministro Luiz Fux após ter barrado uma entrevista com Lula em 2018. A menção a Fux funciona como um espelho: o que valeu para o líder petista no cárcere, deve valer agora para o ex-presidente de extrema direita.

Pressão internacional e “espírito de corpo” no STF

O editorial também menciona que a atuação de Moraes estaria sendo influenciada por “assédio estrangeiro”, numa referência indireta à crise diplomática com os Estados Unidos e à pressão exercida por Donald Trump, que classificou a prisão de Bolsonaro como “inaceitável”.

A Folha cobra da maioria dos ministros do STF que “reinstituam” o princípio da liberdade de expressão, apontando que o “espírito de corpo” não pode justificar a relativização das garantias constitucionais.

A Folha assume o que sempre foi: bolsonarista

Mais do que defender a liberdade de expressão, o editorial da Folha de S.Paulo revela o que já era evidente: o jornal sempre esteve com Bolsonaro, mesmo quando fingia combatê-lo. Agora, sem disfarces, a Folha defende o bolsonarismo sem Bolsonaro, uma espécie de trégua estratégica para 2026, em que o ex-presidente, preso, ganharia liberdade em troca de apoiar Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

Trata-se de um movimento calculado: ao criticar o ministro Alexandre de Moraes, o jornalão não está preocupado com princípios democráticos, mas com preservar um projeto de poder que une os interesses da velha mídia, do sistema financeiro e da extrema direita.

A Folha vocaliza o pensamento das oligarquias que sempre lucraram com o autoritarismo, e agora tentam reembalar o bolsonarismo em versão palatável, com novo rosto, mas a mesma lógica de dominação. O editorial, portanto, não é um alerta democrático: é um aceno à continuidade do que Bolsonaro representa, sem o desgaste do próprio Bolsonaro.