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A guerra entre Israel e Irã entrou em seu nono dia neste sábado (21), com a escalada do conflito atingindo um novo patamar de tensão: bombardeios contra instalações nucleares em Teerã, ameaça direta ao aiatolá Ali Khamenei e a possibilidade real de envolvimento dos Estados Unidos.
Na madrugada, jatos israelenses atingiram alvos estratégicos em Qom e Isfahan. Um dos mortos foi Mohammed Said Izadi, alto comandante da Força Quds, figura-chave na articulação entre o Irã e o Hamas desde os ataques de outubro de 2023. Em Teerã, explosões sucessivas revelaram a extensão dos ataques — os mais intensos desde a guerra contra o Iraque, nos anos 1980.
Em resposta, o Irã utilizou drone em ataque ao norte de Israel — sem vítimas conhecidas, segundo o jornal israelense Haaretz.
O líder supremo do Irã, Khamenei, refugiado em um bunker, cortou as comunicações eletrônicas, nomeou substitutos para a linha de comando e até três possíveis sucessores, em caso de morte. A movimentação sem precedentes expõe a gravidade da crise e o temor de assassinatos seletivos por parte de Israel ou de uma ação conjunta com os EUA.
Trump sinaliza decisão militar em duas semanas
Donald Trump, pressionado por Israel a autorizar o uso de bombas antibunker de 13 toneladas contra a instalação de Fordo, afirmou que decidirá “em até duas semanas” se os EUA entrarão diretamente na guerra. O presidente americano rejeitou o esforço diplomático europeu, declarou que “a Europa não vai conseguir ajudar” e sinalizou preferência por diálogo direto com o Irã — mas em seus termos.
O Irã, por sua vez, advertiu: se atacado pelos EUA, a retaliação será “irreparável”. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que qualquer negociação só ocorrerá após “o agressor ser responsabilizado”, numa clara referência a Israel.
Nos bastidores, cresce o temor entre diplomatas ocidentais de que as movimentações de Trump visem apenas ganhar tempo para uma ofensiva conjunta com Netanyahu.
Oriente Médio em alerta: civis, petróleo e nacionalismo em risco
A guerra colocou toda a região em estado de alerta máximo. Mísseis iranianos foram interceptados sobre a Jordânia e os Houthis no Iêmen ameaçam bloquear rotas comerciais estratégicas. Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes se preocupam com a instabilidade gerada por dois rivais armados, cada vez mais imprevisíveis.
Em Teerã, centenas de civis já morreram. A internet foi desligada, o sistema de transporte colapsou e milhares fogem para o interior. Há relatos de infiltração israelense e assassinatos coordenados contra cientistas e oficiais. O Ministério da Inteligência emitiu ordens de prisão e execução sumária de colaboradores inimigos a partir de domingo.
Sucessão em curso: quem substituirá Khamenei?
A retirada de Khamenei ao subsolo e a nomeação de três possíveis sucessores antecipam um cenário de transição forçada. Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá, foi excluído da lista. O ex-presidente Raisi, morto em 2024, era considerado o favorito.
O temor de que os EUA e Israel tentem forçar uma mudança de regime — com apoio tácito de setores árabes — paira sobre a República Islâmica. O sentimento nacionalista cresce até entre dissidentes, como a Nobel da Paz Narges Mohammadi, que declarou: “A democracia não virá pela guerra”.
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Projeção: janela para diplomacia ou início de guerra mundial?
Diplomatas avaliam que o Irã pode fabricar uma bomba nuclear em menos de um ano, se provocado. A última resolução da AIEA apontou violações do tratado de não proliferação, embora sem provas definitivas da fabricação da bomba.
Trump aposta em “diplomacia coercitiva”, enquanto o Oriente Médio, já fragmentado por décadas de guerras, vê o risco de uma conflagração regional — com potencial global. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou: “Não estamos caminhando para a crise. Estamos correndo em direção a ela”.
Silêncio internacional e avanço da força bruta
O Conselho de Segurança da ONU permanece paralisado. Europa descartada. China e Rússia evitam confronto direto. Resta Trump, com a decisão nas mãos e a tentação do poder unipessoal. A guerra entre Israel e Irã, por ora, é o sintoma de um colapso institucional global.
Mas enquanto os mísseis cortam o céu do Oriente Médio, o silêncio das potências só reforça que entramos em uma era onde a força substitui o direito.
A guerra está em curso. A história está sendo reescrita a cada hora.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.