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O governo de Israel declarou que o conflito com o Irã tende a se prolongar por semanas, enquanto aguarda uma resposta definitiva do presidente Donald Trump sobre a entrada dos Estados Unidos na guerra. A hesitação americana elevou a tensão diplomática e militar na região, com novas rodadas de bombardeios atingindo áreas civis e nucleares em ambos os países.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sinalizou que Israel pode agir sozinho para atacar Fordo — a instalação nuclear iraniana subterrânea considerada o “coração” do programa de enriquecimento. Mas líderes militares temem que a ação isolada seja insuficiente. Enquanto isso, mísseis iranianos continuam a atingir cidades como Haifa e Bersheba, ferindo civis e forçando evacuações em massa.
Bastidores da guerra e dilema de Trump
Ao recuar do ataque imediato, Trump ganhou tempo diplomático — mas também ficou exposto. A ala isolacionista do Partido Republicano está dividida, e aliados como Marjorie Taylor Greene e Tucker Carlson acusam o presidente de trair o “America First”. Já senadores como Lindsey Graham pedem bombardeios conjuntos com Israel.
Trump agora promete decidir em duas semanas. Nesse intervalo, Teerã e Washington trocam recados indiretos enquanto os europeus — liderados por Macron — tentam ressuscitar a via diplomática com exigências como enriquecimento zero de urânio, liberação de reféns e contenção dos mísseis iranianos.
Civis atingidos, arsenal em jogo e o risco nuclear
O Irã intensificou sua resposta com o uso de munições de fragmentação, proibidas por convenções internacionais, atingindo áreas residenciais e hospitais em Israel. Em contrapartida, Israel bombardeou centros de pesquisa, infraestrutura militar e hospitais em Teerã, além de mirar a Guarda Revolucionária e o grupo Basij.
Relatórios apontam que mais de 600 civis iranianos e dezenas de israelenses foram mortos. Há ainda riscos crescentes de colapso econômico e deslocamento populacional em ambas as nações.
As agências de inteligência dos EUA afirmam que o Irã ainda não decidiu fabricar uma bomba nuclear, mas está tecnicamente a poucas semanas de conseguir isso — especialmente se for atacado diretamente pelos Estados Unidos ou se Israel assassinar o aiatolá Ali Khamenei, que voltou a ser alvo de ameaças públicas.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou apoio explícito ao Irã, afirmando que “os sionistas não previram o poder de retaliação iraniano” e comparando Netanyahu a Hitler. Ele pediu uma frente unificada com China, Rússia, Turquia e países do Golfo para barrar a ofensiva israelense, ampliando o tom geopolítico do embate.
Caminhos à frente: diplomacia, sabotagem ou catástrofe?
Fontes diplomáticas em Genebra indicam que os europeus estão dispostos a apresentar uma proposta técnica robusta ao Irã, mas a retórica de Teerã continua dura: “não haverá negociação com os EUA enquanto os bombardeios continuarem”, disse o chanceler Abbas Araghchi.
Israel, por sua vez, prepara ofensivas secretas para sabotar o sistema elétrico das centrífugas nucleares. Especialistas do Mossad sugerem que apenas os EUA teriam bombas potentes o suficiente para destruir Fordo.
Trump, por ora, se limita a ameaçar: pediu evacuação de Teerã, disse que sabe onde Khamenei está, mas que não o matará “por enquanto”.
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A diplomacia precisa vencer o relógio
O mundo está diante de uma encruzilhada. A hesitação de Trump, a retórica beligerante de Netanyahu e a resposta militar sofisticada do Irã compõem um cenário inédito desde a Guerra do Golfo. O custo humano já é alto, e os riscos de regionalização — com o Hezbollah, Houthis e milícias do Iraque — permanecem em alerta máximo.
A diplomacia precisa vencer o relógio. Porque cada dia de atraso é medido em vidas, ruínas e incerteza.
Leia. Compartilhe. Engaje-se. O conflito não é distante — seus desdobramentos já reverberam na política, na economia e na segurança global.
Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.