O pedágio incomoda muita gente. 27 pedágios incomodam bastante gente. Mas 42 pedágios incomodam mais

O pedágio incomoda muita gente. 27 pedágios incomodam bastante gente. Mas 42 pedágios incomodam mais

O pedágio segue insepulto causando desavenças, desencontros, divisões, desgraças econômicas e ainda pode abreviar carreiras políticas que se imaginavam promissoras no Paraná.

O pedágio incomoda muita gente. 27 pedágios incomodam bastante gente. Mas 42 pedágios incomodam mais. Vide o entrevero ocorrido no último sábado (30/11) entre o jornalista Fernando Nègre, do Portal Rondon, e o prefeito Marcio Andrei Rauber (DEM), de Marechal Cândido Rondon, no extremo Oeste do estado.

Mas antes de publicar abaixo a íntegra do manifesto do competente jornalista rondonense, é importante contextualizarmos a questão do “roubágio” no Paraná.

O governador Ratinho Junior (PSD) esteve em setembro em Rondon, a 581 km de Curitiba, quando perguntado pelo atento repórter do Portal Rondon o inquilino do Palácio Iguaçu empreendeu cinematográfica fuga. Não respondeu sobre novas praças de pedágio na região Oeste.

Em virtude do impacto negativo do pedágio na campanha do ano que vem, Ratinho encontrou a “fórmula Jaime Lerner” para lidar com esse desgaste no período eleitoral de 2022: as cancelas nas 27 praças de pedágio serão abertas, sem cobrança da tarifa, mas após o pleito o leilão de concessão será realizado e novas 15 praças instaladas, ou seja, passarão de 27 para 42 praças de pedágio. O aumento de locais de cobrança será de 60%, portanto. Além, é claro, as concessionárias irão cobrar dos usuários o tempo que não puderam arrecadar.

A fórmula se chama “Jaime Lerner” porque foi assim que o então governador fez em 1998 na campanha de reeleição. Ele reduziu administrativamente os pedágios em 50%. Mas logo após sua vitória nas urnas, as concessionárias retomaram a cobrança inclusive os lucros cessantes do período eleitoral. Isso significou redundou nas tarifas mais caras do mundo.

Feito esses esclarecimentos iniciais, voltemos ao caso Fernando Nègre x Marcio Andrei Rauber.

A região Oeste é uma das mais combativas contra a instalação de novas praças de pedágio no Paraná e o jornalista do Portal Rondon nada mais faz do que reverberar essa realidade concreta.

Além da fuga de Ratinho Junior, em setembro, também houve vigorosos protestos contra deputados na região. Destaca-se o movimento contra o pedágio nos municípios de Cascavel e Toledo, como fielmente retratou Nègre.

Veja o momento em que o prefeito bate-boca com o jornalista e abandona a entrevista ao Portal Rondon:

Fernando Nègre relata a grosseria do prefeito na entrevista

No último sábado (30), passei o maior constrangimento da minha história profissional, ser desrespeitado no exercício do seu labor é extremamente desagradável, ainda mais quando o autor do desrespeito é uma figura pública, autoridade constituída através do voto e, portanto, funcionário do povo.

O prefeito estava no Podcast Diálogos para prestar contas através de um veículo sério de imprensa, para responder questionamento que ouço diariamente de internautas que não tem a oportunidade de perguntar diretamente ao prefeito Marcio Andrei Rauber.

Ao ser questionado sobre a sua ausência na linha de frente da luta contra o pedágio após o anúncio do novo modelo pelo governo federal e a manutenção da praça de pedágio entre Cascavel e Toledo, o prefeito chamou o meu questionamento de “colocação covarde”.

Na elaboração da questão utilizei a seguintes palavras: “Depois do anúncio do novo modelo do pedágio, houve uma junção de prefeitos, que enviaram cartas e vídeos ao Presidente. Tomaram a frente os prefeitos Paranhos (Cascavel) e Lunitti (Toledo), e o senhor ficou escondido nesse debate, o que aconteceu que você não estava na linha de frente[…]?

Abordei a ausência do prefeito na luta política contra a instalação da praça de pedágio entre Cascavel e Toledo em artigo publicado na minha coluna no dia 18 de agosto. Se no final de junho eram três prefeitos contra a praça entre Cascavel e Toledo, em agosto eram apenas dois, a minha intenção era saber o motivo da ausência do prefeito Marcio Rauber.

Ao mal interpretar o meu questionamento, o prefeito partiu para o ataque chamando a colocação de covarde. De imediato reagi ao ataque baixo e de extremo desrespeito com o meu trabalho. Se ele não estava escondido, que demonstrasse que não estava e respondesse a minha questão sem ataques. Diante da ofensa, exigi retratação, que não aconteceu e terminou com o prefeito abandonando a entrevista.

Reafirmo: O prefeito ficou escondido no debate após anúncio do novo modelo do pedágio.

A resposta agressiva do entrevistado não se justifica e de fato ele ficou escondido, ofuscado, diante da liderança de Leonaldo Paranhos e de Beto Lunitti que protagonizaram a luta pelos anseios da nossa região. Resta saber, se por falta de habilidade política ou por não querer participar.

A covardia não faz parte da educação que recebi dos meus pais e também não faz parte dos princípios que cultivo e passo aos meus filhos.

Faço o exercício jornalístico com ética e responsabilidade. Não admiti e manterei a postura, não vou aceitar ser atacado dentro do meu exercício profissional. A liberdade de expressão é o alicerce da democracia, a liberdade de imprensa e de opinião é fundamental para a manutenção e fortalecimento do estado democrático de direito.

Nada justifica ataques e ofensas a comunicadores e jornalistas, atos que tem se tornado comum em nosso país. Seguimos trabalhando e agradeço mais uma vez aos que me prestaram solidariedade durante o final de semana.

Fernando Nègre Nascimento – Sócio-proprietário do Portal Rondon e apresentador do PodCast Diálogos

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique, todo o resto é publicidade”, William Randolph Hearst.