kim kataguiri mbl

Camarada Kim Kataguiri se une a PCdoB, PT e PSOL pelo impeachment de Bolsonaro

A chapa vai esquentar para o presidente Jair Bolsonaro, ao que tudo indica. Uma frente ampla amplíssima se aglutinou em Brasília, neste fim de semana, para apresentar um superpedido de impeachment.

O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), líder do conservador Movimento Brasil Livre (MBL), era chamado na reunião de “camaradas” por parlamentares do PCdoB, PT e PSOL.

O encontro ainda contou com a participação dos camaradas Alexandre Frota (PSDB-SP) e Joice Hasselmann (PSL-SP).

Na sexta-feira (23/4), representantes políticos, religiosos, estudantis e de vários setores da sociedade civil, das mais diferentes correntes ideológicas, deixaram suas divergências de lado e se uniram em torno de uma causa que se mostra como a mais necessária e urgente para a sobrevivência da população brasileira: o impeachment de Jair Bolsonaro.

Ao abrir o encontro, que ocorreu de forma virtual, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, ressaltou que a união de um grupo tão diverso ocorre por que existe essa “bandeira” em comum. “Não vamos discutir as diferenças, mas unificar quem não quer que o país continue nas mãos de quem não tem mais condições de governar”, propôs.

Falando em seguida, o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) se juntou a Siqueira na mensagem de união em torno do mesmo objetivo. “Os atos antidemocráticos, a violência a mulheres, jornalistas, a interferência na PF, no COAF; são muitos motivos pelo impeachment de Bolsonaro”, afirmou Frota.

“São mais de 105 pedidos de impeachment. Temos a clareza que para tirar Bolsonaro do governo é necessária a mais ampla unidade de ação; e é isso que precisamos fazer para salvar o povo brasileiro”, afirmou a deputada federal Fernanda Melchiona (PSOL-RS).

A presidenta do PCdoB, Luciana Santos, por sua vez, disse que “nós aqui estamos tratando da defesa da vida. Era possível sim barrar a perda de tantas vidas na pandemia. Essa ação diz respeito a isso, além das ameaças autoritárias. Bolsonaro não tem o menor compromisso com o Brasil”.

Leia também

Superpedido de impeachment de Bolsonaro

Participaram do encontro pessoas que, individualmente ou representando instituições das quais fazem parte, apresentaram pedidos de impeachment do atual presidente da República, que já somam 115 documentos entregues à Câmara dos Deputados.

Além de parlamentares e partidos políticos, integram esse grupo membros de entidades como Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Movimento Brasil Livre (MBL), Federação Nacional de Estudantes de Direito (Fened), Coalização Negra por Direitos, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), Coletivo de Favelas, Central de Movimentos Populares (CMP), União Nacional dos Estudantes (UNE), Coletivo de Advogados e Central Única dos Trabalhadores (CUT), entre outras.

A primeira ação da iniciativa será a elaboração de uma espécie de superpedido de impeachment, que reunirá os vários argumentos e apontamentos de crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro. E esses crimes são vários, como ficou claro após a descrição dos vários pedidos feita na reunião. Eles vão da participação e o apoio a manifestações antidemocráticas, passam pela interferência na Polícia Federal para a proteção dos filhos e chegam à gestão intencionalmente genocida da pandemia de Covid-19.

Pauta do Brasil

Para a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), é preciso mostrar à sociedade brasileira que o impeachment de Bolsonaro é uma necessidade que está acima das divergências políticas. “Essa é uma pauta nacional, uma pauta do Brasil. Não é uma pauta da esquerda, não é uma pauta da direita, não é uma pauta pessoal, não é uma pauta de quem quer simplesmente trocar um presidente por outro. Não. É uma questão de sobrevivência do país, de sobrevivência da mínima estabilidade que ainda temos”, argumentou.

Presidenta nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) ressaltou a importância de unir forças. “Nós precisamos aglutinar cada vez mais a sociedade, as forças que estão contra Jair Bolsonaro, um presidente genocida, que por ação e omissão tem levado à morte milhares de pessoas e deixado milhões de infectados, além do problema da fome e da pobreza, que vem se expandindo em nosso país. Precisamos de um movimento forte que aglutine as pessoas que querem a democracia e o direito básico das pessoas”, disse Gleisi.

Campanha nacional e pressão na Câmara

Além da unificação dos pedidos de impeachment, o grupo definiu como uma das estratégias de ação, a realização de atos conjuntos e uma campanha unificada que mobiliza especialmente as redes sociais, dada a impossibilidade de se promover, em plena crise sanitária, manifestações de rua. A ideia foi defendida por vários dos presentes, entre os quais o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP). O parlamentar também pregou uma defesa incisiva do impeachment. “Concordo plenamente em unificar o pedido de impeachment. O principal objetivo da oposição da Câmara deve ser a abertura do processo de impeachment”, ressaltou.

Líder da Minoria na Câmara, o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) propôs que a busca por esse objetivo ocorra de maneira articulada. “Temos de falar para a sociedade. Que a gente consiga ter uma agenda de atividades que ocupe o Plenário, que a gente se inscreva para falar, que a gente liste os crimes (cometidos por Bolsonaro). O impeachment não pode ser um instrumento apenas das nossas reuniões. Tem que ser para fora, mais do que para dentro”, conclamou.

A sociedade quer o impeachment

Considerando as falas dos representantes da sociedade civil presentes no encontro, a denúncia dos crimes de Bolsonaro certamente reverberará na população. “A exposição física em manifestações do presidente, referindo-se à pandemia como gripezinha, evidencia seu desapreço à vida do povo brasileiro, provocando um verdadeiro genocídio, com a morte de, hoje, de quase 400 mil pessoas. O grande responsável por esse genocídio é Jair Bolsonaro”, discursou o presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Paulo Jerônimo.

“Temos um presidente da República que, de forma paradoxal, está empenhado, em afrontar e promover políticas que desconstruam instituições de Estado e que atentem contra a Constituição Federal”, acrescentou, Mauro Menezes representante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).

Nos movimentos sociais, o sentimento se repete. Segundo Douglas Belchior, integrante da Coalização Negra por Direitos, o governo Bolsonaro pratica um genocídio negro, “a partir de pontos centrais, como a gestão criminosa da pandemia, a violação dos direitos à vida e à saúde, atos de improbidade praticados na pandemia, com destaque para a compra de cloroquina”.

Já a pastora luterana Lusmarina Campos Garcia, que representou o pedido coletivo de impeachment feito por vários religiosos cristãos, ressaltou que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), “tem o dever ético, cidadão, constitucional de receber um dos pedidos, sob pena de compartilhar a realização do assassínio ao qual a população brasileira está submetida.