Moro estuda concorrer a presidente da República pelo Podemos

O ex-juiz Sérgio Moro estuda ingressar no Podemos nos próximos dias. O principal expoente nacional do partido é o senador Alvaro Dias, do Paraná, que disputou a eleição presidencial de 2018, quando obteve menos de 1% dos votos válidos.

Nesta semana, o senador Flávio Arns deixou o Rede Sustentabilidade para reforçar o Podemos do Paraná, que ainda tem o senador Oriovisto Guimarães.

A trinca de senadores paranaenses –Alvaro, Arns e Oriovisto—é o principal cartão de visitas apresentado para Moro. O ex-juiz é pré-candidato a presidente da República em 2022.

Quem também pode engrossar o Podemos é o procurador Deltan Dallagnol, demitido da Lava Jato nesta terça-feira (1º de setembro). O ex-coordenador da força-tarefa sonha concorrer ao Senado Federal.

Moro, Alvaro, Deltan, Arns e Oriovisto vêm operando politicamente juntos desde 2018, quando o ex-senador Roberto Requião (MDB) e o ex-governador Beto Richa (PSDB) foram derrotados ao Senado em meio às fake news.

Resumo da ópera: o Phodemos quer manter acesa a chama da “República de Curitiba” até 2022; a agremiação planeja ser o partido da Lava Jato.

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    Missão cumprida, pode gabar-se o procurador Deltan Dallagnol. Ele foi demitido nesta terça-feira (1º) da coordenação da força-tarefa Lava Jato, mas, ao longo de seis anos, ele conseguiu impedir a volta do PT e do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto e destruir milhões de empregos no País.

    Enquanto perseguia petistas e desenhava seu projeto de poder, a Lava Jato detonava empresas nacionais e gerava desempregos. A contribuição da força-tarefa com a miséria do povo brasileiro, na pré-pandemia da covid, é algo nítido e já era favas contadas.

    A República de Curitiba gerava desempregados enquanto fingia combater corruptos, pois, segundo vazamentos de mensagens, os procuradores da força-tarefa na capital parananense cometiam crimes para justificar a perseguição de seus adversários políticos e ideológicos.

    O ex-juiz Sérgio Moro não cita os milhões de desempregados que ele e a força-tarefa criaram, mas parabenizou Deltan Dallagnol pela “dedicação” à frente da Lava Jato em Curitiba. Segundo Moro, o trabalho do procurador “alcançou resultados sem paralelo no combate à corrupção no País”.

    “Apesar de sua saída por motivos pessoais, espero que o trabalho da força tarefa possa prosseguir”, disse o ex-juiz, que é pré-candidato a presidente da República em 2022.

    De saída da Lava Jato, Deltan Dallagnol também poderá enveredar-se para a política. Ele alimenta o sonho de concorrer ao Senado e, ao mesmo tempo, coordenar a campanha presidencial de Sérgio Moro a partir de Curitiba.

    O procurador demitido publicou um vídeo dizendo que não deixará de sonhar de lutar contra a corrupção.

    “Sim, é verdade que estou de saída da coordenação da Lava Jato. É uma decisão difícil, mas o certo a fazer por minha família. Continuarei a lutar contra a corrupção como procurador e como cidadão. A Lava Jato tem muito a fazer e precisa do seu e meu apoio”, disse Deltan Dallagnol.

    O agora ex-coordenador da Lava Jato também nada falou sobre o “legado” deixado pela força-tarefa, que são os milhões de desempregados no País.

    O ex-senador Roberto Requião (MDB-PR) também se manifestou em relação desmonte da Lava Jato.

    “Deus meu, Sérgio Moro deixou de ser juiz e ministro, Dalagnol sai do comando da lava jato! O que será do Messer agora?”, ironizou o emedebista, referindo-se ao dolero Dario Messer.

    Deltan Dallagnol foi demitido da força-tarefa Lava Jato

    O procurador da República Deltan Dallagnol foi defenestrado da coordenação da força-tarefa da Operação Lava Jato, criada em 2014 para investigar supostos crimes na Petrobrás.

    No lugar de Deltan, o procurador-geral da República (PGR) Augusto Aras escalou o procurador Alessandro José Fernandes de Oliveira. Ele atua no grupo de trabalho da Lava Jato pela PGR, chefiado pela subprocuradora-geral Lindôra Maria Araújo.

    A subprocuradora Lindôra foi uma das pivôs da intervenção na Lava Jato em Curitiba no mês passado. Na época, a República de Curitiba protestou e ameaçou abandonar a força-tarefa.

    A PGR buscava informações de investigações pretéritas e o PGR Augusto Aras chegou acusar a força-tarefa da Lava Jato de investigar, ilegalmente, 38 mil pessoas, bem como os presidentes da Câmara e do Senado.

    Ainda não se tem informações claras sobre a saída de Deltan Dallagnol, mas, muito provavelmente, sua defenestração tenha relação ao julgamento recente no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), que o absolveu no caso do powerpoint cuja representação fora feita em 2016 pelo ex-presidente Lula.

    Para consumo público, o demissionário coordenador da Lava Jato afirma que irá cuidar da saúde da família.

    O substituto de Deltan Dallagnol na força-tarefa, o procurador Alexandro Oliveira, é especialista em delações premiadas.

    O ex-juiz Sérgio Moro, pelo Twitter, disse que mudança será o fim da Lava Jato. “Na minha opinião, não se justifica encerrar as Forças Tarefas do Ministério Público que atuam na Lava Jato e que obtiveram e continuam obtendo tantos resultados no combate à corrupção”, opinou.

    O procurador Robson Pozzobon, do núcleo duro da Lava Jato, declarou que “a gente não pode aceitar no Ministério Público é que pressões de criminosos e de investigados produzam resultados.” A mensagem foi retuitada por Deltan.

    Embora tenha perdido a designação na PGR, Deltan Dallagnol segue procurador no Ministério Público Federal do Paraná.

    A queda do coordenador da força-tarefa Lava Jato ocorreu porque ele se isolou politicamente dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional, dos partidos políticos, do governo federal e de parte do judiciário. A situação de Deltan Dallagnol ficou insustentável.

    A mudança na coordenação da Lava Jato, porém, é uma vitória do consórcio tácito formado entre Lula, PT, Jair Bolsonaro e Augusto Aras.