Gerson King Combo, pioneiro da funk music, morre aos 76 anos

O cantor Gerson King Combo, considerado por muitos o “Rei” do funk/soul no país, morreu na noite desta terça-feira (22), no PAM de Irajá, zona norte do Rio de Janeiro, aos 76 anos.

A morte foi em decorrência de infecção generalizada e de complicações da diabetes. Chamado de ‘James Brown brasileiro’, Gerson King Combo foi astro nos bailes do subúrbio do Rio de Janeiro, ainda nos anos 1970. Ele gravou dois discos, ambos com seu nome (1977 e 78).

Os dois LP’s se tornaram clássicos do funk brasileiro, e tinham músicas como ‘Mandamentos black’, ‘Andando nos trilhos’ e ‘God save the King’.

Combo iria participar de uma live no fim de semana, a primeira que ele faria, marcada para o Caxias Music Festival. A apresentação acabou sendo cancelada justamente por causa dos problemas de saúde do cantor.

No auge dos grandes bailes suburbanos da black music, que reuniam milhares de pessoas, os órgãos de segurança da ditadura monitoravam artistas como Gerson King Combo, Tony Tornado, entre outros.

A morte de Gerson King Combo é um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta tarde de quarta-feira (23).

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Nota de esclarecimento do Instituto Lula sobre o discurso de Bolsonaro na ONU

O Instituto Lula entrou em contato com o Blog do Esmael, nesta quarta-feira (23), para esclarecer que o pronunciamento do ex-presidente Lula na ONU não tem relação com o discurso de ontem (22) do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai discursar nesta quinta-feira (24), às 10h, na abertura do Webinário “Educação e as Sociedades Que Queremos”.

Segundo a assessoria do Instituto Lula, o evento no qual o petista irá participar amanhã (24) começou a ser construído em julho passado. “Não tem nada a ver com o discurso do Bolsonaro”, esclarece.

Ainda de acordo com o Instituto Lula, a divulgação da fala do ex-presidente ocorreu antes do discurso do de Bolsonaro. “Uma coisa não tem a ver com a outra. E o evento é da ICESCO.”

O Instituto Lula esclarece que não é verdade que a ONU convidou Lula após discurso de Bolsonaro.

O ex-presidente Lula publicou nas redes sociais dele, nesta terça-feira (22), o discurso que Jair Bolsonaro deveria ter feito hoje na abertura da 75ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

No discurso que deveria ter feito na ONU, segundo Lula, seria anunciado a realização de testes em massa na população para conhecer as verdadeiras dimensões da pandemia e enfrentá-la.

“Vamos recompor o Orçamento da Saúde para ter hospitais, médicos, enfermeiros e remédios; investir o que for necessário para salvar vidas”, diz o texto.

Além de reconhecer a ciência, no discurso que Bolsonaro não fez haveria a manutenção do auxílio emergencial de R$ 600 e a instituição do Mais Bolsa Família, para que este valor seja pago mensalmente a todas as famílias vulneráveis.

O que deveria ser o discurso do Brasil na ONU, por Lula

Por Luiz Inácio Lula da Silva*

As únicas palavras sensatas do discurso de Jair Bolsonaro hoje na ONU foram as primeiras: o mundo precisa mesmo conhecer a verdade. Mas na boca de uma pessoa que não tem compromisso com a verdade até esta frase soa falsa.

O que se esperava ouvir hoje de um presidente são coisas simples, que estão indicadas no Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil, apresentado ontem pelo Partido dos Trabalhadores. Algo assim:

Senhoras e senhores desta Assembleia,O Brasil se envergonha de ter tido, ao longo desta gravíssima pandemia, um governo que ignorou a ciência e desprezou a vida, o que resultou em mais de 136 mil mortes e milhões de contaminados pela Covid.

Queremos anunciar que, a partir deste momento, vamos realizar testes em massa na população para conhecer as verdadeiras dimensões da pandemia e enfrentá-la.

Vamos recompor o Orçamento da Saúde para ter hospitais, médicos, enfermeiros e remédios; investir o que for necessário para salvar vidas.

Vamos manter o auxílio emergencial de R$ 600 e instituir o Mais Bolsa Família, para que este valor seja pago mensalmente a todas as famílias vulneráveis.

Os bancos públicos abrirão imediatamente crédito para as pequenas empresas. Retomaremos já as obras paradas para reativar a economia e gerar empregos.

O governo brasileiro nunca mais fará propaganda enganosa de remédios sem comprovação científica nem voltará a desmoralizar medidas coletivas de prevenção.

A partir de hoje, estamos decretando o Desmatamento Zero da Amazônia. Três anos de proibição total de queimadas e derrubadas, para que a natureza tenha tempo de se recuperar da destruição.

Convocamos as Forças Armadas para combater o incêndio do Pantanal, a começar pelos 4 mil hoje deslocados para fazer provocação militar irresponsável em nossa fronteira com a Venezuela.

Os povos indígenas são irmãos da natureza e guardiões do meio ambiente. Terão prioridade nas ações emergenciais de saúde. Seu território e suas culturas voltarão a ser respeitados, com a retomada das demarcações de reservas e terras indígenas.

Os cientistas e os agricultores brasileiros desenvolveram a mais avançada tecnologia para o cultivo de grãos e produção de proteína animal.

Este conhecimento, a partir de hoje, voltará a ser utilizado em benefício da segurança alimentar do planeta e do povo brasileiro, de maneira social e ambientalmente sustentável.

A partir de hoje está proibido em nosso território o uso indiscriminado de insumos e sementes que representam risco à saúde humana.

Não é preciso destruir para botar comida na mesa. É preciso, sim, entregar terra, tecnologia e financiamento a centenas de milhares de famílias que trabalham no campo para alimentar as cidades.

Estamos criando hoje um banco de terras públicas para retomar a reforma agrária no Brasil. E reativando o financiamento da agricultura familiar.

É desta forma, garantindo segurança alimentar para nossa população e produzindo com abundância, respeito ao meio ambiente e à saúde humana, que o Brasil quer contribuir para saciar a fome no mundo.

Senhoras e senhores,

Esta assembleia foi criada, ao final da mais devastadora guerra de todos os tempos, para construir a paz, promover a educação, a saúde, o trabalho digno, a produção de alimentos e o equilíbrio nas relações econômicas.

Passados 75 anos, não tivemos sequer um dia sem guerras. O colonialismo deu lugar a outro tipo de dominação, ditada pela concentração de capitais e a especulação financeira. O acesso à educação e saúde é uma miragem para a imensa maioria. As relações de trabalho regridem ao que eram no século 19.

E, vergonha das vergonhas: 800 milhões de crianças passam fome todos os dias, no mesmo planeta em que uns poucos privilegiados nem sabem como gastar – ou sequer como contar – suas inacreditáveis fortunas.

Como alertou papa Francisco: “Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade”.

No Brasil, a partir de hoje, tudo que o estado fizer será no sentido de reverter séculos de desigualdade, o racismo estrutural que nos legou a escravidão, o patriarcado que discrimina as mulheres, superar o preconceito, a fome, a pobreza, o desemprego.

A partir de hoje o Brasil exercerá plenamente sua soberania, não para oprimir quem quer que seja, mas para promover a integração da América Latina, a cooperação com a África, relações econômicas equilibradas e democráticas entre os países, defender o meio ambiente e a paz mundial.

O Brasil quer para si o que deseja para todos os povos do planeta: soberania, autodeterminação, acesso compartilhado ao conhecimento, às vacinas e medicamentos imprescindíveis, regras justas de comércio, ação internacional efetiva para o desenvolvimento e o combate à pobreza no mundo.

O Brasil quer para todos democracia, paz e justiça.

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