Freixo critica Carluxo pela compra de tríplex aos 20 anos e vira alvo de fake news bolsonarista

O deputado Marcelo Freixo (PSOL) informou nesta quarta (23) que foi à polícia contra o gabinete do ódio.

Segundo o parlamentar fluminense, a máquina bolsonarista de fake news está espalhando mais mentiras sobre eles.

Freixo pediu às redes sociais que o ajudem a denunciar o crime.

De acordo com um perfil falso no Twitter, atribuído ao deputado do PSOL, Marcelo Freixo teria ficado “triste” com a morte do seu “grande amigo” Elias Maluco em um presídio do Paraná.

“Estou acionando a polícia para que seus autores sejam identificados e punidos”, comunicou Freixo. “A política NÃO deve ser feita com base em calúnia e difamação. Isso é crime”, protestou.

Marcelo Freixo entrou na alça de mira do gabinete do ódio bolsonarista porque, nas últimas horas, o parlamentar do PSOL criticou o discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU.

“Bolsonaro mentiu várias vezes em seu discurso na ONU. Ele não liga pro meio ambiente, pros mortos pela Covid-19 e pros brasileiros. Hoje o planeta todo viu que Bolsonaro é o pior presidente do mundo”, disparou o deputado.

Além disso, o psolista criticou o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o Carluxo, pela compra de seu primeiro tríplex aos 20 anos de idade. “Carlos Bolsonaro comprou um apartamento de R$ 150 mil em DINHEIRO VIVO quando tinha 20 anos”, escreveu Freixo no Twitter.

“Essa é mais uma do esquema da família Bolsonaro. Comprar imóveis em espécie é uma velha estratégia para lavar a dinheiro sujo da corrupção”, opinou Marcelo Freixo.

Carlos Bolsonaro comprou apartamento no Rio com dinheiro vivo aos 20 anos

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) tinha apenas 20 anos, em 2003, quando pagou R$ 150 mil em dinheiro vivo por um apartamento. O montante corresponde hoje a R$ 366 mil, em valores corrigidos pelo IPCA.

O apartamento pago em “moeda corrente do País, contada e achada certa”, conforme a escritura que oficializou o negócio, fica na Rua Itacuruçá, no bairro Tijuca, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, e ainda pertence ao parlamentar, de acordo com reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.

O documento de compra e venda do imóvel foi obtido pelo jornal no cartório em que o negócio foi fechado. Foi a primeira aquisição imobiliária de Carlos, lançado à política pelo pai, o hoje presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em 2000, antes de fazer 18 anos.

Uma advogada ouvida pelo Estadão sob condição de anonimato disse que a expressão “moeda corrente, contada e achada certa” na escritura não deixa dúvidas de que o pagamento foi feito em espécie. Essa prática não é crime, mas costuma ser apontada como indício de suposta lavagem de recursos, já que não deixa rastro no sistema financeiro se o dinheiro não passar por um banco. Segundo a especialista, a aquisição do imóvel por essa forma de pagamento só desperta estranheza se a origem dos recursos não estiver evidente.

Carlos é investigado pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) por suspeita de nomear no seu gabinete funcionários fantasmas que lhe repassariam, totalmente ou em parte, seus salários. Ao todo, 11 servidores estão sob investigação.

A apuração sobre o vereador Carlos Bolsonaro ainda está no início. O imóvel na Tijuca é um dos três que compunham a declaração de bens apresentada por ele em 2016 à Justiça Eleitoral – a deste ano ainda não está disponível. Os outros são em Copacabana e no Centro, que valeriam, há quatro anos, R$ 85 mil e R$ 180 mil, respectivamente.

O imóvel de Copacabana, comprado em 2009 por R$ 70 mil, foi pago por transferência eletrônica, segundo a escritura. O pagamento do imóvel do Centro foi dividido entre um sinal de R$ 40 mil em formato não especificado, R$ 120 mil por meio de transferência no fechamento do negócio e R$ 20 mil em uma nota promissória.

Família Bolsonaro movimentou mais de R$ 3 milhões em dinheiro vivo em campanhas

As campanhas de Jair Bolsonaro (sem partido) e seus filhos, Flávio (Republicanos-RJ), Carlos (Republicanos-RJ) e Eduardo (PSL-SP) movimentaram desde o ano 2000 cerca de R$ 3 milhões em dinheiro vivo. O levantamento é da Folha de S. Paulo, edição desta quarta-feira (23).

Segundo o jornalão paulistano, o uso de dinheiro vivo sustentou as campanhas eleitorais da família Bolsonaro ao longo dos últimos 25 anos. O clã atua na política desde a eleição de Jair Bolsonaro em 1988.

Desde a minirreforma eleitoral de 2015, os candidatos a cargos eletivos passaram a ter de financiar suas campanhas com recursos próprios e com doações de correligionários ou de partidos políticos (recursos oriundos do Fundo Partidário).

A campanha ainda pode ser financiada pela venda de bens e pela realização de eventos, ou ainda utilizando o Fundo Especial para Financiamento de Campanhas (FEFC).

No entanto, de acordo com a Folha, o uso frequente de dinheiro vivo no financiamento eleitoral repete hábito da família de pagar contas pessoais e até a quitação de imóveis em espécie, costume atualmente investigado no chamado caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Ao comparar as campanhas dos Bolsonaro com as demais, a reportagem do jornalão afirma que o elevado uso de dinheiro vivo nas campanhas destoa da prática de outras candidaturas bem-sucedidas naqueles anos.

A Folha liga abertamente o financiamento das campanhas dos Bolsonaro às “rachadinhas”, esquema denunciado pelo Ministério Público do Rio, em que “Zero Um”, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, senador Flávio Bolsonaro, estaria sendo envolvido.

Depois de analisar a injeção de recursos em espécie em todas as campanhas do clã Bolsonaro, a Folha lembra que a “rachadinha”, de acordo com os investigadores, foi operada pelo ex-assessor Fabrício Queiroz, que recebeu mais de R$ 2 milhões de 13 assessores de Flávio, de 2007 a 2018, por meio de transferências bancárias e de depósitos em espécie.

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