EUA: Revolta antirracista volta a crescer após divulgação de novo vídeo

O sentimento de revolta tomou novamente os Estados Unidos na noite desta segunda-feira (24), um dia depois de um homem negro ser baleado diversas vezes pelas costas por policiais na cidade de Kenosha, no estado de Wisconsin. O novo drama reacende as brasas ainda fumegantes do histórico movimento de protesto antirracismo nascido há três meses, após a morte de George Floyd.

Pouco depois da entrada em vigor do toque de recolher estabelecido entre 20h de segunda-feira e 7h de terça-feira (horário local), policiais da unidade antidistúrbios usaram gás lacrimogêneo contra centenas de manifestantes em Kenosha. Foi a segunda noite de confrontos na cidade.

Os policiais responderam aos manifestantes que lançavam garrafas de água e fogos de artifício em direção aos agentes. Horas antes, os participantes do protesto gritaram diante dos policiais: “Sem justiça, não há paz!” e “Diga o nome dele, Jacob Blake”.

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A revolta antirracista recomeçou depois da divulgação, no domingo (23), de um vídeo mostrando um policial atirar nas costas de Jacob Blake, de 29 anos, diante de seus três filhos. A imprensa local informou durante a tarde que a família de Blake afirmou que o estado de saúde da vítima melhorou após uma cirurgia em um hospital de Milwaukee, 40 km ao norte da cidade, para onde foi levado de avião.

Testemunhas filmam flagrantes de abusos contra negros
A tentativa de detenção de Blake foi filmada por uma testemunha e o vídeo viralizou nas redes sociais, exatamente como aconteceu com George Floyd. O afro-americano de 46 anos que morreu asfixiado em 25 de maio quando um policial branco ajoelhou por vários minutos em seu pescoço.

As autoridades de Wisconsin afirmaram que dois policiais foram suspensos e uma investigação foi iniciada após os distúrbios de domingo, quando vários veículos foram incendiados e os arredores de um tribunal foram destruídos.

Antes do toque de recolher imposto no condado de Kenosha para preservar a ordem pública, os moradores pediram o fim da impunidade policial. “Se eu matasse alguém, me condenariam e me considerariam uma assassina. Acho que deveria acontecer o mesmo com a polícia”, afirmou Sherese Lott, uma mulher de 37 anos indignada com a brutalidade policial.

“Quero que meus filhos vejam como se faz a mudança e estou aqui para que nunca aconteça algo assim com eles”, disse Michelle, que não revelou o sobrenome, ao participar no protesto ao lado do marido Kalvin e dos filhos, de oito e sete anos.

Governador demonstra “empatia” e envia Guarda Nacional
O governador de Wisconsin, Tony Evers, disse que enviaria 125 membros da Guarda Nacional à cidade para manter a ordem. “Devemos estar à altura deste movimento e do momento, e enfrentá-lo com nossa empatia, nossa humanidade e um férreo compromisso para interromper o ciclo de racismo e preconceito sistêmico que devasta as famílias e comunidades negras”, afirmou, antes de pedir à população que organize manifestações pacíficas.

O vídeo do incidente gravado com um celular mostra que o homem negro foi seguido por dois policiais armados enquanto se dirigia a um veículo cinza. Quando ele abriu a porta e tentou sentar no banco do motorista, um dos policiais o agarrou pela camisa e atirou várias vezes em suas costas. As autoridades não informaram se o outro policial também atirou.

Ben Crump, advogado dos direitos civis que representa a família de Floyd e assumiu a defesa de Blake, disse que os três filhos da vítima estavam no carro e que o homem estava apenas tentando “acalmar” um incidente doméstico.

A poderosa American Civil Liberties Union (ACLU) denunciou o que aconteceu a Blake como “mais um ato nojento de brutalidade policial”. “O fato de que uma violência policial como essas – os assassinatos de Breonna Taylor, George Floyd, Eric Garner e muitos outros – tenha se tornado algo comum mostra que a própria instituição policial americana está podre em sua essência”, observou a ACLU, no Twitter.

Assista ao vídeo:

Por RFI