Bolsonaro almeja um Brasil desimportante, por Enio Verri

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR), em artigo especial, afirma que Bolsonaro e Guedes condenam o Brasil ao tempo do carro de boi, destruindo suas competências tecnológicas.

Verri ainda denuncia que os “patriotas” Bolsonaro e Guedes entregaram três plataformas de petróleo, pelo ridículo valor de R$ 7,5 milhões.

“A luta diária é contra um governo, ao mesmo tempo, genocida e entreguista, que age incessantemente para transformar o Brasil num país rico e sem importância, do qual se pode tirar qualquer coisa. Não é assim, há resistência”, convoca o líder petista.

Leia a íntegra do artigo:

Enio Verri*

Há um claro comportamento de Bolsonaro e seu exército de traças, escamoteado pela mídia comercial, que normaliza os absurdos desse governo. Em qualquer país onde a imprensa se dê o respeito necessário, os crescentes e incontidos números de contaminados e mortos, que já passam de 2,7 milhões e de 95 mil, seriam motivos mais que suficientes para ela pressionar com a mobilização da opinião pública e tirar o governo da sua inércia genocida. Porém, há um conluio de tolerância ao Bolsonaro para que Guedes faça o que a classe dominante espera dele, que é colocar um dos 10 países do mundo de joelhos para o mundo. Infelizmente, os veículos de comunicação que não repetem a voz do mercado financeiro por convicção, o fazem porque já são de propriedade dos bancos. A imprensa vai pagar um preço histórico muito caro pelo obsceno silêncio.

De um lado, Bolsonaro segue dobrando o número de novos casos de contaminação por coronavírus, em dois meses; viabilizando a produção de um medicamento que não tem eficácia comprovada contra a doença; perseguindo servidores públicos. Já Guedes, cumpre sua função de pequeno e covarde destruidor da soberania brasileira. O que está sendo feito com a Petrobras é um crime de lesa-pátria, sem um único muxoxo dos grandes conglomerados de comunicação.

Pelo contrário, não é raro encontrar editoriais de jornalões que incensam as políticas ultraliberalizantes sob as quais o Brasil foi colocado, desde o golpe de 2016, sustentadas pelo mantra mentiroso de atrair investimentos, gerar empregos e oferecer melhores e mais baratos serviços, porque aumenta a competitividade. É mentira, trata-se de pura e simples predação da empresa em favor de outros países. Guedes e Bolsonaro não abrem espaço para uma companhia estrangeira vir ao Brasil, com a sua tecnologia, competir com a Petrobras.

Eles estão arrancando os pedados e entregando o patrimônio e a capacidade de desenvolvermos tecnologia. A Petrobras é um patrimônio que deve ser defendido com a vida, se necessário for. Bolsonaro e Guedes condenam o Brasil ao tempo do carro de boi, destruindo suas competências tecnológicas. A maior empresa brasileira está sendo fatiada e entregue ao desenvolvimento de outros países. Criar e produzir tecnologias são os caminhos que os países trilham para melhor se colocarem no tabuleiro do jogo mundial. Ao longo de décadas, desde o governo de Getúlio Vargas, a Petrobras desenvolveu uma expertise tecnológica que a distingue mundialmente, como campeã mundial em prospecção e exploração de petróleo, em águas super profundas. Haja vista a nossa maior reserva, a oito quilômetros abaixo da superfície do mar. O pré sal foi descoberto em 2006. A despeito dos que desdenharam e duvidaram da capacidade dos brasileiros, 10 anos depois, 1,5 milhão de barris eram extraídos diariamente, a US$ 8 o barril.

Em 2015, mesmo debaixo de uma pesada campanha de difamação, calúnia e depredação, desferida pela operação que se revela uma farsa, a Petrobras recebeu, nos EUA, o maior prêmio que uma petroleira pode receber, justamente por desenvolvimento de tecnologia. Os patriotas Bolsonaro e Guedes entregaram três plataformas de petróleo, pelo ridículo valor de R$ 7,5 milhões. Eram plataformas rentáveis, que garantiam lucro ao País e empregos. O traidores foram mais longe e colocaram à venda as refinarias brasileiras. Ou seja, se desfazem de uma competência do Brasil que o colocará na condição de país periférico, produtor de óleo cru, sem mais as ferramentas de refino para a extensa e complexa cadeia produtiva do petróleo. A luta diária é contra um governo, ao mesmo tempo, genocida e entreguista, que age incessantemente para transformar o Brasil num país rico e sem importância, do qual se pode tirar qualquer coisa. Não é assim, há resistência.

*Enio Verri é economista e professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.

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Petistas questionam no MPF a venda de carteira do BB ao BTG e defendem responsabilização criminal de Rubem Novaes

O líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PT-PR), e os deputados Zé Carlos (PT-MA), Erika Kokay (PT-DF) e João Daniel (PT-SE) – todos integrantes da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos – protocolaram nessa segunda-feira (3), uma ação no Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, pedindo abertura de inquérito e responsabilização criminal por prejuízo financeiro causado por ele quando ainda estava no comando da instituição. Antes de pedir demissão, no último dia 24 de julho, Novaes autorizou a venda de uma Carteira de Crédito do banco público ao banco privado BTG Pactual por apenas R$ 371 milhões, quando o valor estimado do ativo é de R$ 2,9 bilhões.

Os autores da ação afirmam à Procuradoria da República no DF que é preciso esclarecer se houve interesses escusos envolvidos na venda da carteira de crédito. Os deputados lembram que o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, foi um dos fundadores do BTG Pactual, instituição que comprou a carteira de crédito do Banco do Brasil.

“Qual a razoabilidade do Banco do Brasil ter alienado essa Carteira de Crédito por 12,8% (doze vírgula oito por cento) do seu valor estimado quando o próprio conglomerado do BB possui a empresa Ativos S.A. que tem obtido taxas de retorno e sucesso da ordem de 23% (vinte e três por cento) segundo o balanço de 2019 do próprio Banco do Brasil?”, questionam os petistas.

Na representação, os deputados apresentam ainda o argumento do diretor executivo do Sindicato e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, João Fukunaga, de que a transação realizada pelo ex-presidente do Banco do Brasil foi péssima para a instituição.

“A Ativos (S.A.) consegue compor mais um novo patrimônio em praticamente quatro anos. É uma empresa que dá uma excelente rentabilidade ao BB, e não faz sentido ceder uma carteira para um fundo privado. Há muito ainda o que ser explicado sobre esse episódio e ainda sobre uma suposta concorrência com quatro empresas especializadas divulgada à mídia pela direção do banco logo após a repercussão do repasse da carteira de crédito”, disse o dirigente sindical.

Na ação, os parlamentares destacam que a Ativos S.A. (segundo balanço do Banco do Brasil) fechou 2019 com um lucro líquido de R$ 210 milhões, com um aumento de R$ 76 milhões em relação a 2018.

Falta de transparência
Além do prejuízo financeiro, os deputados petistas também acusam os responsáveis pela venda da carteira de crédito do BB de não terem “promovido transparência e tampouco efetiva concorrência entre possíveis interessados na aquisição desses créditos, para que fosse assegurada a melhor vantagem ao Banco do Brasil”.

Na representação, os autores expõem ainda os argumentos da economista do Dieese, Cátia Uehara, que explica como funciona a realização dos lucros após a venda de uma carteira de crédito e como faltou transparência do Banco do Brasil ao realizar a transação.

“Essas empresas/fundos, então, compram essas carteiras e, por meio de um processo chamado securitização, transformam ativos; como cheques, crédito, duplicatas e outros recebíveis em atraso; em um título. Para os compradores, o lucro vem da diferença entre o que eles pagaram ao banco e o que receberão ao cobrar esses recebíveis/dívidas no futuro”, detalhou.

Segundo a economista, no caso da operação realizada pelo BB com o BTG Pactual, “não fica claro se o valor da carteira cedida de R$ 2,9 bilhões é justo, pois o BB não explica qual o tipo da carteira e menciona somente que ela é “majoritariamente em perdas”, não havendo transparência na operação”.

Diante desses fatos, os parlamentares afirmam que a transação gerou “graves prejuízos econômicos para Banco do Brasil, que é sociedade de economia mista controlada pela União, bem como a possibilidade de ação dolosa e premeditada – um conluio, na verdade – entre a Presidência do Banco do Brasil e um grupo econômico privado para lesar o patrimônio do Banco do Brasil”.

Os autores finalizam a ação pedindo que o Ministério Público Federal investigue e determine a suspensão imediata da referida transação comercial, com a apuração das devidas responsabilidades civis e criminais de todos os envolvidos.

Veja a íntegra da ação:

REPRESENTAÇÃO-CONTRA-O-SR.-RUBEM-NOVAES-PRESIDENTE-DO-BB

Do PT na Câmara