Paranaguá gasta quase R$ 3 milhões com remédio para piolho contra a Covid-19

A prefeitura de Paranaguá, cidade portuária no Litoral do Paraná, fez uma aquisição emergencial do antiparasitário Ivermectina, para tratamento precoce do coronavírus. A compra foi feita com dispensa de licitação.

Foram adquiridas 352 mil caixas do medicamento, com quatro comprimidos cada. Isso dá mais de duas caixas do medicamento por pessoa. Paranaguá tem aproximadamente 150 mil habitantes.

Foram gastos R$ 2.992.000,00 com o medicamento, que foi adquirido junto à Vitamedic Indústria Farmacêutica Ltda.

Na quinta-feira (9), o prefeito Marcelo Roque (Podemos) havia anunciado a distribuição de um milhão de comprimidos. De acordo com ele, estudos científicos recentes apontam que a intervenção precoce, nos casos leves e assintomáticos da Covid-19, tende a produzir efeitos benéficos evitando a evolução da doença.

“Tendo em vista o resultado positivo em outros municípios com o uso da Ivermectina, decidimos adotar, desde segunda-feira (06), esse protocolo (…), a fim de fazermos uma barreira sanitária, com o objetivo de imunizar os moradores da cidade”, afirmou Roque.

A secretária municipal de Saúde, Lígia Regina de Campos Cordeiro, também destaca o “resultado positivo esperado de uso em outros municípios no contágio ao vírus Covid-19”, provocado pela Ivermectina.

“Considerando as atuais fundamentações nas literaturas vigentes, referente aos efeitos benéficos dos tratamentos profiláticos, objetivando a prevenção de infecções por SARS-CoV-2, bem como atenuar a gravidade das infecções resultantes”, disse.

Sem eficácia comprovada
Apesar de um suposto “kit contra a Covid-19”, contendo Ivermectiva, Cloroquina e vitaminas estar sendo distribuído por algumas prefeituras do país, organizações e grupos de pesquisa científica e prática médica de Santa Catarina (SC), e nacionais, divulgaram, na terça-feira (07), uma carta aberta condenando a distribuição.

De acordo com o documento, o “protocolo de tratamento precoce da doença é hipotético e não tem qualquer comprovação de eficácia, apresentando riscos à saúde dos pacientes e ao controle da pandemia”. “Tais iniciativas estimulam a aplicação de recursos de forma equivocada, geram falsas expectativas, falsa sensação de segurança na população, impactam negativamente na adesão às medidas reconhecidamente eficazes de proteção e prevenção do SARS-CoV-2, e, ainda, podem causar efeitos colaterais significativos”, diz um trecho da carta encabeçada pela Secretaria Regional de SC da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC-SC).

No caso da Ivermectina, usada no tratamento de vários tipos de infestações por parasitas, a SBPC-SC lembra que, até agora, apenas um estudo realizado em laboratório (in vitro) indicou que o antiparasitário pode inibir a replicação do vírus SARS-CoV-2, mas, mesmo assim, em doses muito superiores às aprovadas e seguras para uso em humanos.

Esta pesquisa foi realizada por pesquisadores do Instituto para a Infecção e a Imunidade Peter Doherty (Austrália), e publicada, no mês passado, pelo periódico Antiviral Research. No entanto, o uso do medicamento ainda precisa ser testado em humanos.

A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desaconselha o uso do medicamento no caso da Covid-19.

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“Desperdício de recursos públicos”
Por fim, a carta dos especialistas salienta que a distribuição dos kits pelas prefeituras e a proposta de ampliação de seu uso representam um desperdício de recursos públicos com iniciativas ineficazes no combate à doença, tirando dinheiro de investimentos na ampliação das ações que comprovadamente auxiliam no controle da pandemia.

“Acabam, assim, por potencializar e agravar a crise sanitária que vivemos, causar efeitos colaterais indesejados em quem se submeter ao suposto ‘protocolo profilático’, além de retardar o controle da epidemia e, consequentemente, o retorno pleno dos setores econômicos e da vida social”, concluem.

Bom, pelo menos o prefeito Roque não quer aplicar injeções de desinfetante como sugeriu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Com informações do JB Litoral.

Por que Bolsonaro insiste na propaganda ilegal da cloroquina? Por quê?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu no final de março enquadrar a hidroxicloroquina e cloroquina como medicamentos de controle especial. Somente com receita a droga pode ser vendida.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), subliminarmente, tem receitado os medicamentos mesmo sem habilitação para tal, como prescreve o CFM (Conselho Federal de Medicina).

Além disso, a Avisa estabelece que só é permitida a publicidade de medicamentos de venda isenta de prescrição médica, ou seja, propagandas de medicamentos que não possuem tarja vermelha ou preta em suas embalagens.

Bolsonaro tem insistido na propaganda da cloroquina e da hidroxicloroquina, bem como da ivermectina para o tratamento do novo coronavírus. Ele não pode fazê-lo porque não há comprovação científica da eficácia da droga e o presidente não é formado em Medina para receitar remédio.

Numa das embalagens do medicamento divulgado ilegalmente por Bolsonaro, de tarja vermelha, lê-se claramente “Atenção: Uso sob Prescrição Médica”.

Em abril passado, o PT ingressou com ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal pedindo que a Corte declare “inconstitucionais os atos omissivos” os atos praticados pelo presidente Jair Bolsonaro e integrantes do Governo sobre a recomendação do uso da hidroxicloroquina.

“As autoridades públicas possuem a obrigação de ter consciência dos desdobramentos de suas falas, de tal sorte que a divulgação de uma possível solução para a COVID-19 inevitavelmente colaborará por uma busca desenfreada por tais medicamentos nas farmácias, sem considerar o potencial lesivo dos efeitos colaterais e, muito menos, da escassez que promoverá àqueles que efetivamente demandam desses medicamentos para seus tratamentos regulares”, diz um trecho da ação.

O que estaria levando Bolsonaro a correr o risco do cometimento da ilicitude, isto é, a propaganda ilegal da cloroquina?

Por que o presidente Bolsonaro tem feito propagandas gratuitas para o Laboratório EMS?

Por que o capitão tem ostentado a caixinha de cloroquina em frente às câmeras, gratuitamente?

Cada vez que o Bolsonaro fala das drogas, nas lives de quintas-feiras, os produtos somem das prateleiras de farmácias e drogarias do País.

O jornalista Lauro Jardim, do Globo, dá a pista. O laboratório EMS tem interesses em contratos com o Ministério da Saúde…

Deputado petista denunciará Bolsonaro na PGR por fazer propaganda enganosa da cloroquina

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) usou o Twitter nesta segunda-feira (13) para anunciar que vai protocolar na Procuradoria-Geral da República (PGR) uma denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por fazer propaganda enganosa da cloroquina.

Na rede social, o deputado petista também destacou que presidente desperdiçou R$1,5 milhão dos cofres públicos ao mandar produzir um medicamento que não tem nenhuma eficácia contra a Covid-19.

“Por que esconder? Vou protocolar na PGR denúncia contra o presidente, por fazer propaganda enganosa da cloroquina. Ele desperdiçou dinheiro público, já que o Exército gastou R$1,5 milhão para a produção do medicamento que não tem eficácia contra covid-19”, escreveu o parlamentar ao compartilhar uma matéria sobre a recusa do Planalto em revelar o nome do médico que está cuidando de Bolsonaro.

Na última terça-feira (7), Bolsonaro comunicou durante uma entrevista coletiva que contraiu a Covid-19. Na ocasião, ele afirmou que estava se tratando com a cloroquina.