Latam Brasil entra em processo de recuperação judicial de R$ 7 bilhões nos Estados Unidos

A Latam Airlines Brasil anunciou nesta quinta-feira (9) que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. A dívida da companhia pode chegar a R$ 17,9 bilhões, se levado em conta crédito em passagens aéreas não voadas e outras provisões.

A Latam Brasil alegou dificuldades econômicas em razão dos impactos da crise do novo coronavírus nas operações da companhia.

O grupo Latam Airlines e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos já tinham entrado em maio deste ano no processo de reestruturação de dívida sob a proteção do Capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos, que permite um prazo para que as empresas se reorganizem financeiramente. Naquela ocasião, entretanto, a Latam Brasil tinha ficado de fora.

Em nota, o grupo informou que a entrada no processo de reestruturação financeira do grupo nos EUA visa “reestruturar sua dívida e gerenciar efetivamente sua frota de aeronaves, enquanto permite a continuidade operacional”, mas garantiu que “continuará a voar sem nenhum impacto nas suas operações de passageiros, cargas, reservas, vouchers ou pontos”.

“Tomamos esta decisão neste momento para que a empresa possa ter acesso a novas fontes de financiamento. Estamos seguros de que estamos nos movendo de forma responsável e adequada, pois temos o desafio de transformar a empresa para que ela se adapte à nova realidade pós-pandemia e garanta a sua sustentabilidade no longo prazo”, comenta Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil.

A Latam Brasil informou que tem uma dívida de R$ 7 bilhões, principalmente com empresas de leasing e bancos. Considerando o crédito em passagens pagas, mas não voadas, e outras provisões, a conta sobe para R$ 13 bilhões. O endividamento de todo o grupo é de US$ 10 bilhões. Incluindo as provisões futuras, a dívida salta para US$ 17,9 bilhões.

Negociação com o BNDES
A empresa disse ainda que continua negociando um empréstimo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Este movimento pode facilitar o financiamento que está em negociação com o BNDES, além de oferecer uma opção mais segura ao Banco, já que o DIP (Debtor-in-possession) tem prioridade em relação a outros passivos da empresa”, acrescentou Cadier.

A reestruturação sob a proteção do Capítulo 11 da lei de falência dos Estados Unidos e é um processo semelhante à recuperação judicial no Brasil. A recuperação judicial serve para evitar que uma empresa em dificuldade financeira feche as portas. É um processo pelo qual a companhia endividada consegue um prazo para continuar operando enquanto negocia com seus credores, sob mediação da Justiça.

A Latam Airlines é a maior companhia aérea da América Latina. Fruto da fusão entre a brasileira TAM e a chilena LAN, operava antes da crise 1.400 voos diários em 26 países, transportava 74 milhões de passageiros por ano e empregava 42 mil funcionários. Em abril, chegou a reduzir 95% de seus voos e em maio anunciou a demissão de 1.400 funcionários de suas filiais em Chile, Colômbia, Equador e Peru, como resultado da drástica redução de suas operações.

Entre as medidas adotadas pela companhia aérea em meio à crise decorrente da pandemia, está também a suspensão por tempo indeterminado das operação na Argentina.

Em meio à redução do número de voos, a participação da Latam Brasil no mercado doméstico foi de 25,2% em maio, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A empresa informou ainda que:

● seguirá operando os seus voos de passageiros e de carga, assim como estão fazendo as operações das afiliadas do Grupo Latam que já ingressaram no processo nos EUA;

● serão respeitadas todas as passagens aéreas atuais e futuras, vouchers de viagem, pontos, reembolsos e benefícios do programa Latam Pass, bem como as políticas de flexibilidade e demais normas vigentes;

● os funcionários continuarão sendo pagos e recebendo os benefícios previstos em seus respectivos contratos de trabalho;

● os pagamentos dos materiais e serviços prestados por fornecedores a partir de 9 de julho e ao longo do processo fluirão nos termos do que ficar definido nos autos da reorganização;

● as agências de viagens e outros parceiros comerciais não sofrerão interrupções em suas interações com o Grupo Latam Airlines.

Impactos da crise no setor
A Latam Airlines foi a segunda companhia aérea da América Latina a buscar abrigo na legislação americana de falências, depois da Avianca Holdings.

As companhias aéreas, fortemente impactadas pela crise do coronavírus e sem perspectiva de recuperação em vários anos, iniciaram processos de demissão em massa, chegando a cortar milhares de empregos.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) prevê um caminho longo de recuperação para o setor aéreo, após a crise provocada pela pandemia da Covid-19. Na avaliação da entidade, em 2025, o setor aéreo global ainda será 10% menor do que era no ano passado.

A associação, que reúne 300 empresas aéreas no mundo, estima que o mercado de voos domésticos não voltará aos níveis de 2019 antes de 2022. A recuperação do mercado de voos internacionais virá depois disso.

Em maio, a Alemanha aprovou uma ajuda de 9 bilhões de euros (US$ 9,8 bilhões) para socorrer a Lufthansa, em acordo que dá ao governo alemão poder de veto no caso de uma oferta de aquisição hostil da companhia aérea.

Outras companhias aéreas, incluindo o grupo franco-holandês Air France-KLM, as norte-americanas American Airlines, United Airlines e Delta Air Lines e as brasileiras Gol e Azul também têm buscado auxílio estatal.

Nesta semana, a Avianca Brasil (Oceanair Linhas Aéreas) pediu à Justiça para converter a recuperação judicial iniciada em 2018 em falência da companhia.

Com informações do G1

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Faísca atrasada, Globo descobre que Brasil ‘pode’ entrar em depressão econômica

Publicado em 9 julho, 2020

Com atraso de quatro meses, a Globo vê a possibilidade de a economia brasileira ser empurrada pela pandemia do novo coronavírus para a depressão. O Blog do Esmael já dizia que os dados macroeconômicos, antes mesmo da calamidade, indicavam que o pior já estava acontecendo –apesar de a velha mídia blindar o ministro Paulo Guedes.

Nesta quinta-feira (9), como uma faísca atrasada, a Globo admite que a recessão enfrentada pelo Brasil em 2020 será a pior dos últimos 120 anos, qual seja, o governo de Jair Bolsonaro conseguiu dar uma marcha à ré quase ao período do imperador D. Pedro II.

Não iremos omitir a participação de Guedes e da velha mídia nesse desastre econômico, nessa aventura neoliberal, por pressuposto.

É evidente que a depressão econômica ganha velocidade de cruzeiro se o Estado contribui para isso. Uma das fórmulas é cortando salários, reduzindo investimentos públicos e ampliando vantagens para o andar de cima (vide as desonerações na folha de pagamento, etc.). E é exatamente isso que Bolsonaro e Guedes fazem, claro, com os aplausos de banqueiros, especuladores, dos barões da mídia –sobretudo a paulistana.

A depressão econômica é caracterizada pela forte queda do Produto Interno Bruto (PIB) sem que haja uma retomada consistente nos anos seguintes. No âmbito do neoliberalismo, de Guedes e Bolsonaro não há saída no final do túnel.

Nós, os brasileiros, não podemos mais –sob pena de sermos taxados de imbecis– cair no ladainha “semana que vem nós vamos” do ministro Paulo Guedes. Trata-se de “uma semana que nunca chega”, segundo o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo.

Para preservar o orçamento da União para os bancos, o governo fingiu que “investiu pesado” no combate à pandemia com recursos paliativos. Basta o curioso leitor comparar com os valores transferidos pelo erário para as casas bancárias nesse período de Covid-19.

No início da pandemia, em março, o Banco Central do Brasil drenou R$ 2 trilhões para os banqueiros e espera vender ativos [participação em estatais e imóveis] para o pagamento de juros e amortizações de dívida interna suspeitíssima, que não resistiria uma auditoria independente.

São insensíveis os governos neoliberais sucedâneos dos petistas Lula e Dilma, que combinavam políticas fiscalistas, do superávit primário, e algum investimento na área social. Agora, caríssimo leitor, a banca quer ficar com tudo mesmo que isso custe a vida de milhões de brasileiros.

A crise econômica só se resolve com a retomada do desenvolvimento, do pleno emprego e da capacidade de consumo de todas as classes sociais. São políticas econômicas keynesianas que, possivelmente, exigirá que o governo imprima dinheiro novo e aumente a dívida para produzir riquezas.

O endividamento nem sempre é coisa ruim para uma pessoa ou um país. Vide os casos dos Estados Unidos e do Japão, que devem mais do que o dobro de seu PIB. O Brasil, ao contrário, não deve nem metade –embora esteja sendo “roubado” há décadas numa dívida auditada.