STF vai julgar suspeição de Moro em agosto, diz Gilmar Mendes

O Supremo Tribunal Federal (STF) irá debruçar-se no mês de agosto próximo na ação que pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no caso tríplex do Guarujá (SP), que condenou à prisão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ministro Gilmar Mendes, que pediu vista da matéria, avisou que colocará a demanda em pauta entre agosto e setembro próximos, ainda antes da saída do decano Celso de Mello, que se aposentará da corte em novembro.

O julgamento do ex-ministro da Justiça acontecerá por causa de um pedido de habeas corpus feito por Lula, no qual sua defesa pede a anulação das condenações do petista determinadas por Moro após as investigações da Operação Lava Jato.

Os defensores do ex-presidente alegam que a decisão pode não ter sido imparcial porque Moro foi nomeado posteriormente como ministro pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e ainda que o ex-juiz agia em conjunto com a acusação, como mostraram conversas vazadas pelo site The Intercept.

Em recente entrevista, o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, avaliou que o placar pela suspeição de Moro está empatado em 2 a 2.

O julgamento da suspeição de Moro ocorrerá na Segunda Turma do STF. O colegiado é presidido pelo ministro Gilmar Mendes desde o dia 23 de junho.

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal tem a seguinte composição:

  • Ministro Gilmar Mendes (presidente)
  • Ministro Celso de Mello
  • Ministra Cármen Lúcia
  • Ministro Ricardo Lewandowski
  • Ministro Edson Fachin

A quem arrisque um palpite de 3 votos a 2 pela suspeição do ex-juiz Sérgio Moro nas condenações de Lula nos casos do tríplex e do sítio de Atibaia. A conferir.

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Publicado em 6 julho, 2020

 

Não há dúvidas de que o ex-juiz Sérgio Moro sempre encarou o ex-presidente Lula (PT) como um adversário a ser vencido, como foi, pelo menos até agora.

Mas isso vir da boca do próprio ex-juiz é grave. Moro deveria pelo menos fazer de conta que foi um juiz imparcial e que decidiu suas condenações baseado em provas.

Em uma entrevista à Globo News ele fala que “era na forma oral como a gente fez no ringue com Lula”. 

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) compartilhou o vídeo com essa frase e escreveu:

“CONFISSÃO: Em entrevista para a Globo News, no último domingo, o e-juiz e ex-ministro de Bolsonaro confirmou que tratava @LulaOficial como adversário em uma luta de boxe. É urgente que o processo conduzido por Moro seja anulado por quebra de imparcialidade.”

Essa é só mais um evidência de que a Lava Jato foi um conluio armado contra Lula e o Partido dos Trabalhadores para que fossem banidos do cenário político.

Aguardamos pelo julgamento da parcialidade de Moro como juiz no Supremo Tribunal Federal. Mais do que inocentar Lula, esse julgamento pode restituir a democracia brasileira.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) também comentou a fala de Moro:

“Moro abre o jogo e confessa que esteve em um “ringue” contra Lula. Ora, a imparcialidade natural de qualquer juiz é antagônica à ideia de luta, duelo. Em vários momentos, Moro deixa vazar a orientação política da Lava Jato. Os abusos dessa operação levou o país ao caos atual.”

O ex-senador Lindbergh Farias (PT) escreveu:

“Ao chamar as audiências que presidiu nos processos contra Lula de “no ringue com Lula”, Moro rasgou a fantasia e deixou claro que não se comportava como juiz, mas como adversário de quem julgava. É preciso urgentemente anular os processos que ele conduziu contra Lula.”