Deputada petista diz que Bolsonaro se infectou com a Covid-19 de propósito

A deputada Luizianne Lins (PT-CE) afirmou durante pronunciamento na sessão remota da Câmara, nessa quarta-feira (8), que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contraiu a Covid-19 porque quis. Segundo a parlamentar, isso ficou evidenciado em várias aparições públicas nas quais Bolsonaro ignorou as recomendações de autoridades de saúde para a prevenção da doença. A deputada também lamentou que, mesmo após ser infectado, Bolsonaro continue a desprezar orientações médicas, como no caso do recente vídeo onde ele indica o uso e ainda toma um comprimido de hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia científica comprovada.

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“Como militante de direitos humanos, quero dizer que toda vida importa e não vou desejar mal ao presidente da República, mas ele quis isso. Ele se expunha todos os dias, ele e mais o seu entorno todinho, assessores, dando mau exemplo para a população brasileira, andando sem máscara. Ele estava provocando isso”, afirmou Luizianne.

A parlamentar disse ainda que se preocupa com a possiblidade de o presidente se utilizar da doença para tentar comprovar teorias fantasiosas já difundidas por ele, ainda que não tenham respaldo da medicina e nem comprovação da ciência.

Gripezinha 

“Eu não sei se a doença veio para ele dizer que ela é uma ‘gripezinha’ e que ele passou por ela tranquilamente. Foi uma cena ridícula e chocante ver um presidente fazendo todas as honras para tomar um comprimido de hidroxicloroquina, como se estivesse tomando um comprimido de Sonrisal, de Dorflex, um remédio qualquer”, lamentou a petista.

Ainda sobre este fato, a deputada Luizianne Lins acusou o presidente de fazer propaganda do medicamento para ajudar a desovar o estoque de hidroxicloroquina produzido pelo laboratório do Exército, por ordem do próprio Bolsonaro. “Ele fez o Exército produzir hidroxicloroquina, e não sabe o que fazer com ela. Ele quis ser médico”, acusou.

Segundo informações do próprio Ministério da Defesa, o estoque de hidroxicloroquina nos laboratórios do Exército chegam a 1,8 milhão de comprimidos. O número é 18 vezes a produção anual do medicamento nos anos anteriores. Sem eficácia científica comprovada para a Covid-19, a hidroxicloroquina é indicada para o tratamento da malária.

O Ministério Público que atua junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), já investiga o valor gasto para ampliar a produção do medicamento. O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, pediu que o presidente Jair Bolsonaro seja responsabilizado pela determinação de aumentar – sem justificativa sanitária ou científica – a produção do medicamento. A deputada Luizianne Lins disse ainda que o mau exemplo de Bolsonaro ao tomar a cloroquina pode causar sérios problemas de saúde, inclusive a morte, para pessoas que vierem a imitá-lo.

“Ele (Bolsonaro) não sabe que esse medicamento tem que ser utilizado com outros medicamentos. A hidroxicloroquina tem que ser utilizada — segundo inclusive o Dr.Kalil do Sírio-Libanês — com anticoagulante, com corticoide, e — outra coisa — se a pessoa tiver condições de aceitar a hidroxicloroquina, porque ela dá arritmia. Quantas pessoas já morreram de arritmia cardíaca em função da utilização indevida de medicamento?”, questionou a petista.

Segundo notícias da imprensa, depois que começou a tomar comprimidos de hidroxicloroquina o presidente Jair Bolsonaro passou a realizar dois eletrocardiogramas por dia, para monitorar os batimentos cardíacos.

Do PT na Câmara