Gleisi revela que o PT quer ter Lula candidato à Presidência em 2022

A presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), em entrevista ao UOL, revelou nesta terça-feira (9) que o partido pensa no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato às próximas eleições presidenciais de 2022.

“Tem que perguntar para ele [Lula] também se ele quer ser, mas o que nós [partido] defendemos é que Lula tenha seus direitos políticos resgatados, e aí ele define se ele quer ou não concorrer nas eleições. Nós gostaríamos muito, porque acho que ele merece esse julgamento das urnas”, afirmou a dirigente petista.

A entrevista do UOL contou com a participação dos colunistas Tales Faria e Thaís Oyama.

Atualmente, Lula está impossibilitado de concorrer a cargos políticos por estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa por conta das condenações no âmbito da Operação Lava Jato.

Para a deputada, mais do que candidatura do ex-presidente, o objetivo do partido é anular os processos que o condenaram em segunda instância (casos do tríplex no Guarujá e no sítio em Atibaia).

Se isso vier acontecer e se Lula não for mais condenado em segunda instância, ele poderia disputar a eleição.

Se ele for candidato, nós vamos trabalhar para que Lula ganhe e governe o Brasil. O Lula mexe muito com as mentes e os corações da maioria do povo brasileiro.

Gleisi desqualificou as recentes críticas do ex-governador Ciro Gomes (PDT-CE), amplificadas pela mídia antipetista.

“A capacidade do Ciro é de 10 a 12 pontos percentuais. Ele precisaria do PT? A força do PT que determina isso? Se qualquer liderança precisa da força do PT (nas urnas), então é preciso reconhecer que quem tem força é o PT”, pontuou.

Apesar das falas de Gleisi, Lula descartou ter intenção de se candidatar à Presidência novamente. Em entrevista ao colunista do UOL Leonardo Sakamoto, ele afirmou em abril que pretende ser apenas um “cabo eleitoral”.

“Fico olhando minha vida já fui longe demais, espero que quando chegar 2022 o PT tenha candidato. Eu, sinceramente, vou estar com 77 anos quando chegar outubro de 2022. Se eu tiver juízo, tenho que ajudar para que o PT tenha outro candidato e que eu seja um bom cabo eleitoral. Quero ajudar a eleger alguém que tenha compromisso com o povo trabalhando”, disse Lula à época.

Além das eleições de 2022, Gleisi Hoffmann também abordou as questões políticas e econômicas do País. Segundo ela, não basta tirar Bolsonaro e deixar o Paulo Guedes com sua política que vai levar o Brasil à quebradeira. “Vamos chegar a uma queda no PIB de oito pontos em 2020”.

Assista ao vídeo:

Com informações do UOL

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A vida como ela é nos tempos de Covid-19

O Blog do Esmael tem acompanhado com apreensão a reestruturação de empresas e negócios nesse período especial da pandemia de Covid-19, e, por óbvio, a corda sempre continua arrebentando para o lado mais fraco: do trabalhador.

Antes de prosseguirmos com essa nossa prosa, recordemos que a reforma trabalhista precarizou a mão de obra e enfraqueceu as representações sindicais, portanto, a classe obreira ficou desguarnecida nessa temporada de coronavírus.

Esclarecido isso, o fenômeno da uberização (trabalho sem vínculo) –num primeiro momento—deu a falsa sensação de que os trabalhadores teriam um “upgrade” virando “empreendedores”. Nada mais falso.

Em 13 de maio de 1888, os escravos brasileiros também acreditaram que estavam sendo “libertados” pela Lei Áurea, no entanto, 132 anos depois os negros ainda continuam carecendo de uma verdadeira libertação política, econômica e social. Mas a mídia e as instituições juram que há uma “igualdade” na sociedade. Sim, ela é existe, mas essa “igualdade” é somente formal e precisa entrar no mundo material.

Nesses tempos de Covid-19, a vida ficou mais dura para quem tem menos. Recebemos diariamente notícias de empresas que estão demitindo na proporção de até 70% do quadro de funcionários pré-pandemia.

A crise econômica já existia antes mesmo da chegada do vírus ao País, qual seja, a pandemia “justificou” os cortes que já eram idealizados por todos setores econômicos. Tal constatação, omitida pela velha mídia, protege o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes da tragédia neoliberal, que, criminosamente, privilegia os bancos e os especuladores em detrimento das demandas do povo.

Nesse breu neoliberal –que mistura coronavírus, Bolsonaro, Guedes e mídia– há os caloteiros que aproveitaram a pandemia para aplicar calotes em empregados e fornecedores.

O Blog do Esmael flagrou uma porta comercial cerrada, em Curitiba, com uma pichação bastante esclarecedora e assustadora: “caloteiro” (vide foto).

Ainda não temos números concretos para dimensionar o tamanho da desgraça provocada por Bolsonaro, Guedes e velha mídia [que defende os interesses de determinados grupos econômicos, embora ela se arvore protetora “universal” de toda a sociedade].

Economistas sérios, da cepa desenvolvimentista, estimam que o PIB do Brasil poderá cair mais de 15% neste ano. Do ponto de vista do emprego, lamentavelmente, o País já ostentava antes mesmo da pandemia o título de “O País do Desemprego”, de acordo com dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

A vida como ela é em tempos de Covid-19 exige mais do saída de Bolsonaro do governo: a interrupção da imbecilidade neoliberal conduzida por Paulo Guedes e apoiada pela velha mídia.