Lula à TV argentina: “O Brasil é uma nau sem rumo”

Em entrevista à emissora argentina de televisão C5N, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusa o atual mandatário Jair Bolsonaro (sem partido) de ofender a todos e de manter uma política econômica e sanitária suicidas, alertando que o país ruma para um desastre. “Não é possível que a gente ainda siga vendo, dia a dia, as pessoas morrerem pela pandemia”, destacou o petista.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a omissão do governo Bolsonaro na condução do país, que segue à deriva, durante entrevista à emissora de TV argentina C5N, transmitida na noite de terça-feira, 12 de maio. “O Brasil está completamente desgovernado. Não há política de saúde, não há política econômica. O Brasil é uma nau sem rumo”, lamentou.

Lula disse que Bolsonaro está errado em insistir na retomada da atividade econômica, enquanto o país bate, dia após dia, novos recordes de mortes e casos de infectados pelo coronavírus. “É simples: se você salvar o povo, você pode, com a ajuda dessas pessoas, reconstruir a economia. Hoje estamos assistindo passivamente as pessoas morrerem”, advertiu.

O país tem 12.400 mortos pelo Covid-19 e se aproxima da marca de 180 mil pessoas contaminadas. Ele ressaltou que a única arma para enfrentar o coronavírus é o isolamento. “Não é possível que a gente ainda siga vendo, dia a dia, as pessoas morrerem pela pandemia”, destacou. “O único que ressuscitou foi Jesus Cristo! As pessoas não ressuscitam, mas a economia, sim”.

Lula avalia que “a falta de liderança” para enfrentar a pandemia, hoje é um problema para o país, que não pode continuar sendo conduzido de maneira irresponsável por Bolsonaro. “Nunca vi alguém tão incompetente na liderança de um país, alguém tão rude”, alertou. “Bolsonaro insulta mulheres, insulta negros, crianças, a ONU, insulta a Argentina, insulta a Venezuela, a mídia, insulta os trabalhadores. Ele não fala com ninguém, apenas com as mílicias que cercam seus filhos e seus fãs. O Brasil não pode resistir a isso”.

Ele cobrou do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) a abertura do processo de impeachment do presidente da República. “Acho que o Bolsonaro trabalha com a ideia de endurecer cada vez mais, de um governo autoritário. Espero que o presidente da Câmara coloque o impeachment em votação. Porque o Brasil não aguenta três meses do jeito que está sendo governado”, apontou.

Exemplo argentino
O líder brasileiro elogiou o presidente argentino Alberto Fernandez, o mexicano Andrés López Obrador e criticou duramente o americano Donald Trump – hoje o único aliado de Jair Bolsonaro no plano internacional. “Sonho que mudaremos o mundo”, disse.

Lula advertiu que as elites latino-americanas têm a alma de um ‘cãozinho’ das potências internacionais e a única coisa que procuram é que os Estados vendam tudo mas, assim, cavam suas próprias covas. “Não havia outro governo em toda a história do Brasil que tratasse os empresários melhor do que nós, nos quais ganhavam mais dinheiro do que conosco, e não defendiam Dilma, votaram em Bolsonaro porque ele lhes disse que iria vender todas as empresas estatais”, lembrou.

“A Europa, os Estados Unidos, querem que compremos todos os produtos industrializados e vendamos apenas mercadorias. Mas temos que industrializar nossos países, fortalecer o lugar do Estado. Alberto Fernández está certo quando diz que a primeira coisa é salvar o povo argentino”, analisou.

Lula lamentou que todos sabem que da guerra contra um inimigo invisível, mas a única preocupação é evitar despesas e danos econômicos, sem levar em conta as pessoas. Ele lembrou que, na guerra do Paraguai, entre 1864 e 1970, o Brasil gastou o equivalente a 11 orçamentos.

Assista ao vídeo:

LEIA TAMBÉM
Rádio Globo encerra atividades em São Paulo

Com testes negativos para o coronavírus, Bolsonaro usou codinomes de ‘Airton’ e ‘Rafael’

Fora Bolsonaro: Juristas pela Democracia realizam ato em Brasília nesta quarta

Rosângela Moro é exonerada de cargo no programa ‘Pátria Voluntária’

Rosângela Moro, esposa do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, foi exonerada nesta quarta-feira (13) de sua função como representante titular da sociedade civil no programa “Pátria Voluntária” do Governo federal – coordenado por Michele Bolsonaro.

De acordo com informações apuradas pelo UOL, Rosângela Moro teve a demissão publicada hoje no Diário Oficial da União (DOU) e assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto. O programa que a esposa de Sergio Moro estava é comandado por Michele Bolsonaro, esposa do presidente da República Jair Bolsonaro.

O obscuro “Pátria Voluntária” é um mistério para a sociedade brasileira que não conhece os objetivos e as realizações do programa, porém é uma unidade de gastos em contratações, eventos e diárias.

Papa agradece aos enfermeiros e enfermeiras pelo serviço prestado à Humanidade

Quando Moro anunciou publicamente que iria sair do governo Bolsonaro, Rosângela usou as redes sociais para se pronunciar sobre o caso. “Não poderia esperar outra atitude”, opinou por meio de uma rede social.

A respeito da exoneração, a esposa de Sergio Moro não concedeu maiores detalhes.