Ratinho planeja fechar escolas

Publicado em 3 outubro, 2019
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O deputado Enio Verri (PT-PR) denuncia que o governo do Paraná, Ratinho Junior, planejar fechar escolas no estado. “Fechar escola, nada de novo, é uma das maneiras da casa-grande perpetuar as senzalas”, dispara o parlamentar, que conclama para todos os paranaenses a saírem às ruas em defesa da educação pública e de qualidade.

O Paraná pela Educação

Enio Verri*

Um governo sabe até onde pode ir sem colocar sua existência em risco. Os seus atos revelam o tipo de governo que é e, seus limites, o nível de politização da população, que deve ter condições de saber analisar as políticas propostas pelos governos. O fechamento de escolas pelos governadores Beto Richa e Carlos Massa Ratinho Júnior, e a redefinição do porte delas, da governadora Cida Borghetti, revelam o conceito que a educação pública tem para esses representantes da elite paranaense. Suas origens os obrigam a manter a educação pública sob permanente sucateamento, de forma a evitar a formação de um número maior de estudantes mais bem preparados tecnicamente e cidadãos mais conscientes. Afinal, nada mais perigoso para a elite do 9º país mais desigual do mundo, do que uma crescente população cada vez mais consciente da sua condição cidadã e que passe a ocupar o maior número de espaços de decisão política.

Nesse sentido, causa perplexidade saber que as ruas de todos os 399 municípios do Paraná não estejam derramando de gente, em protestos contra uma deliberada política de atraso e a exigência de mais investimentos na educação de todos os níveis. Fechar escola, nada de novo, é uma das maneiras da casa-grande perpetuar as senzalas. A imensa maioria dos estudantes do Paraná está matriculada em escolas públicas e a sociedade paranaense tem de se conscientizar disso. É necessária a população para o governador vir a público explicar como essa política pode promover o desenvolvimento da educação. Em Curitiba, Ratinho voltou atrás da decisão de fechar duas escolas estaduais, há muito amalgamadas nas comunidades, referências para as famílias que encontraram lugares onde seus filhos, cidadãos, são acolhidos em salas de inclusão. Um tipo de política pedagógica de acolhimento, coisa que escola particular alguma possui e nem tem o interesse de investir, por não dar retorno financeiro e custar caro a mão de obra.

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Pior, Ratinho falta com a verdade. Ao anunciar que não fecharia as duas escolas, em Curitiba, ele disse, também, que não pretendia mais fechar escolas. O relato da diretora do Colégio Zacarias, Raquel Arpini, em reunião com o diretor-geral da Secretaria Estadual de Educação, Elizandro Frigo, deixa bem claro, não apenas que os ataques se perpetram, como também, se mantém a tática para alcançar a estratégia de destruir a educação pública. De acordo com ela, desde 2015, a escola vem sendo sucateada. Deixou de receber incentivos, foi excluída de programas, perdeu curso de línguas e o ensino médio noturno. De 500 alunos, em 2015, caiu para 180, em 2019. Devido à atual condição da escola, causada por uma deliberada política de desinvestimento e destruição, ela será fechada. O aviso do fechamento da escola informou que os servidores teriam, até às 17:00h, daquele mesmo dia, para entrarem em um programa de remoção. A medida do governo Ratinho não destrói apenas o patrimônio e o serviço público público, mas o futuro do Paraná e de milhares de estudantes que veem seus sonhos cada vez mais distantes, como se já não fosse difícil o suficiente para quem não nasceu em berço da elite. A política adotada pelo governo é pior que um desmonte, é um crime de lesa pátria.

Ainda que o governo Júnior, sob pressão, decida retroagir da decisão, o ato mais importante a se observar não é o recuo na sua intensão de fechar escolas, mas sim a iniciativa de pretender fechá-las. Isso sim é o absurdo que deve ser levado às ruas. De qualquer modo, os paranaenses devem refletir sobre o motivo de a elite implementar uma política que vai precarizar o desenvolvimento educacional do estado e, por conseguinte, o profissional, o acadêmico, o científico e o tecnológico. Ratinho conduz o estado ao tempo dos carros de boi. Com essas medidas, é muito grande a possibilidade de o Paraná não dar à sociedade estudantes abastecidos das competências necessárias para ingressarem nos estudos da profissão de suas escolhas. Durante os governos do Partido dos Trabalhadores, mais de cinco milhões de filhos de pobres ingressaram nos bancos universitários e dos institutos federais. Já os governos da elite, produzem o desmantelamento dessa imprescindível ferramenta de emancipação social, econômica e política.

Em mais um momento crucial da história do Paraná, o paranaense está sendo instado a demonstrar que seu nível de politização está para o de um cidadão que deseja um estado desenvolvido, produtor de ciência e tecnologia e com acesso justo aos bens produzidos pela classe trabalhadora. O paranaense deve decidir que tipo de estado quer construir. As políticas apresentadas pelos três últimos governadores não deixam dúvidas quanto a quem representam. A decisão está nas mãos da sociedade paranaense. Ela deve, e logo, resolver se prefere remoer um ódio inoculado contra as esquerdas e o PT e, assim, apoiar justamente quem destrói as ferramentas que a classe trabalhadora ainda possui para se emancipar, os estudos, ou se unir às entidades ligadas à defesa da Educação, como a APP-Sindicato, para combater essa política de ruralização do Paraná e em defesa de um estado desenvolvido, forte e justo. Às ruas pela educação, essa luta é de todos nós.

*Enio Verri é economista, professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores do estado do Paraná.

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