A Lava Jato busca o poder, diz Cappelli

Publicado em 21 março, 2019
Compartilhe agora!

O jornalista Ricardo Cappelli sugere que as prisões de Temer e de Moreira ocorridas nesta quinta-feira (21) é uma reação da Lava Jato diante do profundo desgaste que vem sofrendo nos últimos dias.

LEIA TAMBÉM:
Prisão de Temer pode viabilizar CPI da Lava Jato no Congresso Nacional

Cappelli destaca que Temer e Moreira Franco foram presos sem julgamento, sem condenação e sem trânsito em julgado.

Para o jornalista, a Lava Jato vem sendo usada como pretexto para rasgar a Constituição e implantar no país um estado de exceção.

“O alvo não é o fim da corrupção. A seleção dos presos é demonstração cabal disso. O que eles buscam é o poder”, afirma.

Leia a íntegra:

por Ricardo Cappelli*

TEMER: RESPOSTA DA LAVA JATO?

Circula nos bastidores que o juiz Marcelo Bretas pode ser candidato à prefeitura do Rio em 2020. Após Moro abandonar a carreira, o magistrado carioca parece estar com sede de assumir a liderança da operação pelo judiciário.

Claro que isso não tem nenhuma relação com a espetacular prisão preventiva de Temer, sem condenação ou trânsito em julgado, nem mesmo em segunda instância.

Vamos reconstituir os fatos.

A Lava Jato sofre uma grande derrota no STF, que decide tirar das mãos da “Operação” e enviar para a justiça eleitoral os inquéritos relacionados aos fatos envolvendo a prática de caixa dois.

Enlouquecidos, Deltan ”Torquemada” Dallagnol desfere ataques virtuais contra membros da corte, estimulando uma onda de milícias digitais que atuam no submundo da internet difamando e destruindo reputações. Alguns chegam a fazer ameaças físicas.

Como o STF reage? Sob protesto da ala “neoiluminista” e “neopositivista da corte, aliada da República de Curitiba”, o presidente Dias Toffoli abre inquérito para apurar as origens do ataque. Quem estimula? Quem financia? Quem está por trás da desestabilização das instituições? Serão encontradas “pegadas” de Curitiba?

A Ordem dos Advogados do Brasil se pronuncia na defesa do inquérito e das instituições.

O “ex-todo-poderoso” Sérgio Moro vê o presidente da Câmara criar uma comissão com sete membros para avaliar seu projeto de combate ao crime organizado por 90 dias. Na prática, joga sua apreciação para o segundo semestre.

O Ministro da Justiça reage indignado e passa a provocar Maia, que responde chamando-o de “funcionário de Bolsonaro”, “que ele está trocando as bolas”, e fazendo pouco caso de seu projeto dizendo que ele é “um copia e cola” dos projetos apresentados pelo ex-ministro da justiça Alexandre de Moraes.

Qualquer recém-nascido com mais de cinco quilos filho de um esquimó da Antártida consegue perceber que é o pior momento vivido pela Lava Jato. Some a isso que Bolsonaro enfrenta uma queda de 15 pontos percentuais de popularidade em apenas 60 dias, um recorde histórico.

Está clara a necessidade de reagir? E a reação veio. Por coincidência, claro, sai da manga a prisão de Temer e de Moreira, por outra coincidência, sogro do “Botafogo”.

Ratificando: sem julgamento. Sem condenação. Sem trânsito em julgado. Nem mesmo em segunda instância.

Quem está comemorando a reação da “Operação”? Bolsominions que desviam o foco do problema central, a falta de projeto para retomada do crescimento no Brasil, e políticos oportunistas e perdidos da esquerda que, numa postura esquizofrênica, condenam ou comemoram as prisões ilegais, dependendo da filiação do preso.

A Lava Jato é um projeto de poder. Utiliza-se, em alguns casos, de problemas reais de nossa jovem democracia para, rasgando o Estado Democrático de Direito, pavimentar seu caminho para o poder.

A corrupção precisa ser enfrentada, claro. Mas vem sendo usada como pretexto para rasgar a Constituição de 88 e implantar no país um estado de exceção. O alvo não é o fim da corrupção. A seleção dos presos é demonstração cabal disso. O que eles buscam é o poder.

Quem não entender isso não vai entender nada do que está acontecendo no Brasil.

*Ricardo Cappelli é jornalista e secretário de estado do Maranhão, cujo governo representa em Brasília. Foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) na gestão 1997-1999.

Compartilhe agora!