Às ruas pela soberania do Brasil

O deputado Enio Verri (PT-PR) denuncia que Michel Temer empurra a população para a miséria cuja materialização se dá com 1,2 milhão de pessoas que voltaram a cozinhar à lenha; o crescimento da mortalidade infantil e os mais de 13 milhões de desempregados no país.

Às ruas pela soberania do Brasil

Enio Verri*

A Ponte para o Futuro do Pretérito do ministério de notáveis pilantras de Temer é um pacote de medidas voltadas a conduzir o País à condição de coadjuvante nas relações entre as nações. Submissão da soberania aos países centro de poder, aumento e generalização do autoritarismo de governo, deterioração das condições de vida de 85% da população, de quem estão sendo retiradas condições mínimas de vida, para aumentar ainda mais a renda dos 15% que não precisam de mais proteção.

Portanto, a ponte projetaria internacionalmente as empresas brasileiras, Petrobras, Eletrobras, Correios, bancos entre outras. Faria, não fosse um desgoverno ilegítimo, nascido de um golpe de Estado, “com o Supremo, com tudo”. Ao contrário do que fez o Partido dos Trabalhadores, que investiu na Petrobras, descobriu o pré-sal, desenvolveu a indústria naval brasileira, gerou milhões de empregos e fez a Petroleira ser mais competitiva internacionalmente e, em 2015, receber o maior prêmio que uma offshore do seu porte pode receber, justamente por desenvolver tecnologia.

Enquanto a ponte de Temer faria, a do PT fez a Petrobras valer R$ 214 bilhões, em 2015, quando, em 2003, ela valia, se muito, R$ 50 bilhões. A nefasta política de preços adotada pelos golpistas que controlam a empresa fez a economia nacional recolher 3,34%, em maio. O reajuste diário dos preços dos combustíveis, atrelado à variação internacional do barril de petróleo, redundou na greve dos caminhoneiros, que provocou uma queda na produção industrial, superior a 10%.

A greve obrigou o desgoverno a revisar o crescimento do País, em 2018, de 3% para 1,5%. Somente um País com uma economia muito debilitada e sem perspectivas de retomada admite uma queda de 50% em suas expectativas de crescimento, por causa de uma greve de caminhoneiros, que durou 10 dias. Ela contribuiu para a retração, mas não pode ser responsabilizada para tamanha quebra na produção. As famílias não estão consumindo porque não há trabalho, porque não há confiança dos empresários em investir em produção, porque o desgoverno não investe. Pelo contrário, desinveste.

Temer empurra a população para a miséria, como revelado pelo 1,2 milhão de pessoas que voltou a cozinhar à lenha, com o crescimento da mortalidade infantil e os mais de 13 milhões de desempregados. É, também, um desgoverno que reduz o Estado. Em 2017, o investimento público da União, dos estados e dos municípios foi de 1,7% do PIB, o menor em 50 anos. O investimento público, de 2018, será ainda menor que o de 2017, 1,5%. O orçamento do Ministério da Educação caiu 32%, em 2018. De R$ 6,6 bilhões, em 2017, o deste ano será de R$ 4,52 bilhões.

Um dos principais elementos do pacote do golpe, de 2016, é o autoritarismo, com cerceamento à palavra e à justiça. Hoje, o estado persecutório do Judiciário e dos órgãos de fiscalização e controle tem como principal alvo o maior líder popular brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, ele é apenas o mais famoso a denunciar a tendência elitista das instituições, principalmente do Judiciário, que entrega da soberania a interesses internacionais, protela investigação contra tucanos e emedebistas e condena um cidadão sem provas. Amanhã, toda e qualquer pessoa estará à mercê de instituições públicas a serviço da elite mais truculenta e entreguista do mundo.

É necessário compreender que se trata de luta de classes e da soberania nacional. Faz-se necessário e urgente dinamitar a nefasta ponte para a fome e o atraso. Somente com muita e contundente pressão da população a democracia será restituída e a soberania reavida. Todos os dias, injustificadas desculpas e vergonhosas manobras mantêm Lula sequestrado pelo Estado. Apesar de seus direitos políticos estarem preservados, o Judiciário nega o seu direito de se expressar como pré-candidato à presidente da República com mais intenção de votos, cerca de 50% dos eleitores. Caso Lula tivesse apenas 3% de intenções de voto, ele estaria livre.

Defender a candidatura de Lula é defender a democracia, a justiça e um impressionante legado histórico de transformação política, econômica, social e tecnológica vivido em 13 anos dos governos do PT. As forças retrógradas estão e farão de um tudo para impedir tanto sua manifestação quanto seu registro, como candidato. As forças progressistas estão reagindo em vários campos. Porém, nenhum é tão contundente e eficaz quanto uma inarredável ocupação das ruas. Em defesa da soberania, da democracia, da justiça, do desenvolvimento soberano, somente a tomada das ruas, já.

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.

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