“Não são só os preços abusivos dos combustíveis”

“Não são só os preços abusivos dos combustíveis”. Quem não vê semelhanças entre a greve dos caminhoneiros e as jornadas de junho de 2013 que sacudiram o Brasil?

Há cinco anos, a palavra de ordem era “Não são só 20 centavos” — após movimento iniciado contra o reajuste na tarifa do ônibus em São Paulo e outras capitais do país.

Hoje, os protestos contra os aumentos abusivos dos combustíveis se multiplicam em todos os rincões. Comerciantes encerram as atividades em apoio aos caminhoneiros; carreatas de motoboys e motoristas de UBER; petroleiros paralisam; enfim, todos têm um motivo para se unir com os profissionais da boleia.

Não são só os preços abusivos dos combustíveis.

A luta da sociedade é contra a ‘privatização’ da Petrobras que fez os preços da gasolina e do diesel dispararem nas bombas. É privatização, sim, porque a apropriação dos lucros é privada por meio de distribuição a sócios privados.

O combustível mais caro do mundo só interessa aos investidores abutres, é contra o Brasil e os brasileiros.

Não são só os preços abusivos dos combustíveis.

As manifestações que param o Brasil são contra a perda de direitos dos trabalhadores, o crescente desemprego e a redução nos salários, contra a ditadura da toga e a mentira da lava jato, contra o aumento da mortalidade infantil, contra o aumento da violência e a corrupção, contra tudo que aí está.

Não são só os preços abusivos dos combustíveis.

São manifestações contra a interrupção democrática, por eleições livres e pelo direito de Lula disputar a Presidência da República. São, portanto, também, contra Michel Temer.