Por Esmael Morais

Política econômica do governo golpista aproxima risco de convulsão social

Publicado em 11/12/2016

Instantes depois, um dilúvio tragou a todos para as profundezas do oceano. A imagem é adequada para o país nos dias de hoje, com um governo ilegítimo, a serviço de uma minoritária elite social rentista, operando uma agenda econômica desastrosa, que nos lançará para uma inevitável convulsão social.

Por Milton Alves*

O país completa neste mês dois anos de recessão econômica e uma queda de quase 10% do nível da renda per capita, atingindo em cheio as camadas mais pobres da população, acossadas pelo desemprego, que crava a marca de 22 milhões de brasileiros em idade produtiva desempregados, sub-empregados ou no intermitente ‘bico’, segundo dados do segundo trimestre da pesquisa PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE.

A pesquisa também aponta para a crescente inadimplência das famílias com dívidas básicas como o pagamento de luz e água, a redução do consumo de carne bovina e de produtos derivados do leite. Um drama social completado pelo aumento dos despejos por falta de pagamento de aluguéis, ampliando a legião de moradores de ruas e de logradouros públicos das capitais e grandes cidades de norte a sul do país.

A crise atinge até o funcionalismo público, em tese com salários e estabilidades garantidos, milhares deles nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais padecem com atrasos de pagamentos de salário, benefícios e pensões ou de políticas de arrocho e calotes salariais, como no Paraná. Ou seja, um contingente a mais da população que engrossa o caldo dos atingidos pelo descalabro da crise em curso.

Enquanto isso, o governo golpista continua insistindo no receituário neoliberal de uma política recessiva, com cortes brutais nos investimentos e programas sociais, de estrangulamento fiscal e monetário, praticando juros siderais (taxa Selic) para o financiamento criminoso de uma dívida pública, que drena os recursos do país para o bolso de meia dúzia de banqueiros e rentistas.

Além disso, a PEC 55, que congela os gastos em saúde e educação por vintes anos, e a reforma da Previdência significam um ataque frontal aos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, quebrando o contrato social estabelecido pela Constituição Federal de 1988, o que levou o relator da ONU para a extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alson, declarar como medidas de regressão social a aprovação dos projetos da PEC 55 e da Previdência defendidas pelo governo golpista de Temer.

Quem ganha com a crise

Não é verdade o discurso de que todos perdem com a crise. A recessão econômica promovida por Temer-Meirelles está fazendo a festa dos banqueiros e especuladores, transferindo renda dos trabalhadores e da classe média para uma maior acumulação e concentração do capital.

O economista Karl Marx previa as crises cíclicas do capitalismo como um mecanismo próprio do sistema. Ele previa a crise de natureza estrutural, que tenderia a ser cumulativa, e as chamadas crises de superprodução, que seriam cíclicas. Outros economistas também formularam teorias sobre as crises e os ciclos econômicos de expansão, depressão e recessão. Porém, além da teoria, as opções de como enfrentar as crises e os custos delas são de natureza política. É na esfera da política que cabe a decisão de quem vai pagar pela crise: e o governo golpista já decidiu jogar no lombo dos trabalhadores e das massas de pobres o pagamento dos custos da atual crise econômica. Resta saber, se os “de baixo” aguentarão de forma passiva o esbulho, só o tempo dirá.

Diversos analistas e políticos calejados, como o senador paranaense Roberto Requião, apontam para o risco de uma convulsão social em 2017. Até porque o cenário não aponta nenhuma perspectiva de melhoria a curto prazo, uma estimativa feita pelo Banco de Credit Suisse zera o PIB do próximo ano, confirmando a déblâcle financeira e material da nação.

Portanto, tirar do Planalto o governo golpista, convocando imediatamente eleições diretas, é a melhor e mais segura rota para impedir o naufrágio do país com um convulsão social protagonizada pelo desespero, ressentimento social e a miséria. Ou “os de cima” querem pagar para ver…

*Milton Alves é ativista social e autor do blog http://www.miltonalves.com.