Mídia repete 1964 e pede repressão a movimentos pelas Diretas Já

temer_repressaoOs jornalões Folha de S. Paulo e Estadão, em seus respectivos editoriais, nesta sexta (2), pedem que o interino Michel Temer (PMDB) reprima as manifestações pelo Fora Temer e por Diretas Já.

Obediente, Temer autorizou ontem (1º) no Diário Oficial o uso das Forças Armadas na Avenida Paulista, no domingo (4), para conter os protestos convocados pela juventude via redes sociais.

O bom e velho Karl Marx dizia que a História se repete primeiro como tragédia, depois como farsa. Nada mais verdadeiro e atual, pois a velha mídia golpista repete 1964.

A efetiva participação dos barões na mídia no golpe de 2016 colocou os veículos de imprensa na linha de tiro dos protestos em todo o país.

Temer não tem legitimidade nem condições de governo, por isso deverá aumentar o grau de criminalização das manifestações populares que reivindicam democracia e lutam contra a perda de direitos.

A velha mídia cumpre seu papel histórico de coveira da democracia. Foi assim no passado. Está sendo assim no presente. Ou alguém esperava algo diferente?

Leia o editorial da Folha:

Fascistas à solta – EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP – 02/09

Toda democracia digna desse nome assegura a mais ampla liberdade de manifestação, desde que pacífica. Atos de violência são reprimidos —e seus autores detidos e processados pelas autoridades.

Essa distinção essencial entre o legítimo e o intolerável em protestos de rua vem-se perdendo no Brasil. Desde as jornadas de junho de 2013, agentes provocadores caracterizados como “black blocs” praticam depredações e outras formas de vandalismo e continuam impunes.

Alegam ser adeptos de uma ideologia anarcoide que utiliza a “violência simbólica” como suposta tática política. Os extremos do espectro político se confundem de tal modo que o comportamento desses milicianos, dispostos a impor seu ponto de vista pela truculência e pela intimidação, merece antes o epíteto de fascista.

Não foi nada “simbólica”, aliás, a violência empregada contra o cinegrafista Santiago Andrade, assassinado por dois “black blocs” numa manifestação no Rio em fevereiro de 2014, sem que os criminosos tenham ido a julgamento até hoje.

O roteiro é conhecido. Esses soldados da arruaça se infiltram em protestos de esquerda, cujas lideranças têm medo de repudiá-los. Além de danificar propriedade pública e privada, agridem a polícia com o objetivo de provocar retaliação.

A polícia revela-se pouco preparada para manter a ordem e garantir que apenas os manifestantes violentos sejam coibidos. Não faltaram episódios em que policiais cruzaram os braços em face da baderna ou exorbitaram na repressão, atingindo inocentes.

Desaparecidos de cena, os delinquentes voltaram a agir em meio aos protestos contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) nas noites de quarta-feira (31) e quinta-feira (1º) em São Paulo, atacando prédios no centro da cidade, entre eles a sede deste jornal.

Grupelhos extremistas costumam atrair psicóticos, simplórios e agentes duplos, mas quem manipula os cordéis? O que pretendem tais pescadores de águas turvas? Quem financia e treina essas patrulhas fascistoides? Está mais do que na hora de as autoridades agirem de modo sistemático a fim de desbaratá-las e submeter os responsáveis ao rigor da lei.

Democracias incapazes de reprimir os fanáticos da violência são candidatas a repetir a malfadada República de Weimar, na Alemanha dos anos 1930, tragada pela violência de rua até dar lugar à pior ditadura que jamais houve.

Editoral do Estadão:

A baderna como legado

Se “a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer” – como prometeu em seu discurso de despedida a ex-presidente Dilma Rousseff – inclui insuflar irresponsavelmente a escalada da violência nas ruas, como tem acontecido em São Paulo e outras capitais do País, a própria banida e as chamadas “forças progressistas” que se alinharam contra o impeachment terão de assumir que a barbárie é um meio plenamente justificado para defender “os interesses populares”. Esse, na verdade, é o argumento daqueles que pregam a adoção de regimes de força ou o emprego de meios do terror para dobrar a sociedade a seus desejos – ou “sonhos”, como gostam de dizer.

O que está acontecendo nas ruas – mas também em repartições públicas e universidades – é extremamente preocupante. Em primeiro lugar, porque pode ser o prenúncio de uma grave disruptura política e social cuja simples possibilidade é preciso exorcizar. Em segundo lugar, porque ocorre no momento em que a pacificação nacional é indispensável para que toda a energia do governo e da sociedade se concentre no enorme desafio da reconstrução nacional.

A ex-presidente já se havia dedicado, com sua incompetência, arrogância e sectarismo, a levar o País à beira do abismo. Alardeando sua condição de “mulher honesta”, ela se beneficiou sem hesitação do ambiente de corrupção generalizada que sempre esteve ao seu redor tanto para se reeleger como, no primeiro mandato, para manter uma base parlamentar que coonestou todas as barbaridades da “nova matriz econômica”. Agora, ela própria dá um passo adiante, incitando os brasileiros à divisão, por todos os meios. Despenca no abismo que ela própria abriu a seus pés, mas quer ser seguida pela Nação.

Dilma Rousseff é, finalmente, carta fora do baralho, apesar da trama, urdida por Renan Calheiros com apoio dos petistas e a benevolência de Ricardo Lewandowski, para lhe garantir a manutenção dos direitos políticos. Ela muito dificilmente conseguirá ter voz ativa em qualquer articulação política de oposição ao governo. Mas os insensatos frequentemente sofrem a tentação do abismo e, infelizmente, não perdem a capacidade de convencimento e arregimentação de quem pensa – ou pensa que pensa – como eles. O discurso de despedida da ex-presidente, por exemplo, é um claro estímulo à extrapolação dos limites legais para as manifestações de protesto contra o governo.

Cabe às autoridades constituídas reprimir a baderna e impedir que a desordem se torne rotina. É preciso saber distinguir o legítimo e democrático direito a manifestação no espaço público da baderna que atenta contra o direito da população de viver seu cotidiano em paz. No primeiro caso, o poder público tem o dever de oferecer aos cidadãos a garantia de se manifestar pacificamente. No segundo, tem a obrigação de impedir a ameaça potencial ou a ação daqueles que infringem a lei. A baderna nas ruas, longe de ser uma forma legítima e democrática de manifestação popular, é um grave atentado ao direito fundamental que os cidadãos, o povo, têm de viver em paz.

Agrava a configuração criminosa das manifestações de crescente violência nas ruas o fato de que, como se tem visto em São Paulo, os confrontos com a polícia são deliberadamente provocados pelos próprios baderneiros, que têm sistematicamente descumprido os acordos previamente estabelecidos com a polícia a respeito de percursos a serem cumpridos, exigência óbvia de qualquer esquema de segurança pública.

O que se viu na quarta-feira nas ruas de São Paulo e ontem em pleno recinto do Senado Federal – onde baderneiros interromperam os trabalhos de uma comissão presidida pelo senador Cristovam Buarque – são exemplos de que os movimentos “populares” estão a transgredir de forma abusiva os limites estabelecidos pela lei. Pois não há “direito” que justifique a violência nas ruas ou a ela sobreviva.

Se as autoridades responsáveis – de modo especial o governador paulista, sempre hesitante nesse assunto – não tiverem a coragem de adotar medidas duras, mas necessárias para impedi-la, essa escalada da violência alimentada pelo ressentimento e pelo revanchismo colocará em risco, real e imediato, as liberdades fundamentais dos cidadãos.

15 Comentários

Os comentários não representam a opinião do Blog do Esmael; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

  1. Vocês da grande mídia, são uma vergonha! Isto não é jornalismo, são interpretações enganosas das palavras de uma pessoa honesta, profundamente injustiçada por pessoas como vocês! Covardes!

  2. A Globo é um nojo, produzindo uma série de robôs. E a Gazeta do Povo está dando notícias deturpadas. Temer quer assaltar o país e o Ministro da Saúde retirar direitos, ele mesmo já tendo dito que brasileiro “inventa doença.” Claro, ele nunca vai precisar do serviço público. A Globo repete o papel que teve no golpe militar, e daqui a 50 anos vai pedir desculpas pelo fiasco.

  3. Em matéria de Violência o POETA…….., GOLPISTO é do ramo…………..!!!!

    Lembram da acão da PM no Presídio Carandiru quando êle era Secretário de Seguranca do Montoro………………..????!!!! Consultem as páginas do jornais da época, para se ter uma nocão da virulência despropocional contra os Amotinados…………….!!!!!

  4. Não se emendam……………….., continuam CÍNICOS como sempre e nutrindo HORROR a tudo que vem em PROL do INTERESSE POPULAR……………., além de ENTREGUISTAS por excelência……………………!!!!

    Permanecem na República Velha e ainda acalentado o SONHO SEPARATISTA de 32……………………!!!!!

  5. Abaixo a repressão!!Viva a Liberdade!!!Viva a democracia!!!!Fora temer!!!

  6. Será que alguém poderia explicar porque todos os golpista, coxinhas, aecistas, tucanos, moristas, e adoradores da República da Curitiba são F I L H O S da P U T A?

  7. o editorial do jornal estadão tem um objetivo de desqualificar a presidente Dilma de forma caluniosa como sempre durante seu governo, como tambem incentivar a repressão contra os protestos dos que defendem o retorno e respeito pela democracia, se este editorial tivesse o menor respeito pelo voto do ´povo brasileiro não estaria estimulando a repressão legitima e ordeira de quem quer respeito e dignidade, este jornal como os golpistas não não nos representam

  8. Como eu disse, ler este tipo de “veículo de comunicação” é andar para trás. São jornais que não informam, são jornais que fomentam a desigualdade neste Brasil, são jornais vendidos aos que melhor lhes pagam a matéria. Na verdade são hienas a espera de carniça para se empanturarem.
    O Brasil está este caos, por culpa deles. Destes jornais que não souberam comunicar os fatos de forma imparcial, sem sigla e nem partido. São responsáveis pela desordem que está o Brasil. Um povo que de um lado acredita piamente que a saída da senhora Dilma irá resolver os nossos problemas da noite para o dia, do outro lado o pessoal que não aceita isso, porque entende de fato que está mais a cheirar golpe político do que uma punição por atos incorretos na administração pública.
    E no final desta história quem deveria esclarecer tudo, coloca mais gasolina na fogueira.
    Querem saber a verdade. Leiam jornais de fora do Brasil, lá você poderá pelos menos ter uma noção do que está ocorrendo no Brasil e tirar suas conclusões a favor ou contra. Só não deem ouvidos a estes “veículos de comunicação” brasileiros, porque são abutrez e hienas que ficam a espera de carniça para vender os seus jornais.
    Da minha parte eu quero é justiça, mas justiça justa e séria e não este circo de horror que estamos apreciando desde 17/04/2016.

  9. Aí coxinhas. Chegou a hora de vocês. Vão prá Paulista domingo gritar FORA TEMER. O Exército estará esperando por vocês. Mostrem que são machos. Vão amarelar? Não vomitavam aqui que depois da Dilma derrubariam o Temer? Provem que são capazes. Até agora mostraram que tem horror à democracia. A Dilma – que vocês odeiam tanto – nunca ordenou que as Forças Armadas reprimissem seus movimentos. Entenderam agora o que é drmocracia, seus ignorantes políticos. Quero ver vocês levarem cassetadas do cara que vocês colocaram lá na marra. Bando de imbecis. Pelo menos sejam honestos com vocês mesmo e pensem sobre o que fizeram ao nosso país.

  10. Marx tambem disse que a religiao e o opio da humanidade.isso nunca fez tanto sentido como agora.por mais que a medicina tenha avancado na descoberta do canabidiou no combate a graves doencas como a eplepsia,o sego conservadorismo religioso tem sido o maior impasse para a regulamentacao das drogas.mesmo que seu maior pais proibicionista tenha tornado a maconha um grande ativo de sua economia.

  11. Esses dois decadentes jornais estão incitando o governador a reprimir as manifestações pacíficas.Foi assim em 64 e querem repetir agora.Esse golpista não terá paz,manifestações vão ocorrer sempre.Os blogues deviam ignorar esses museus da informação.Nos temos a rede que nós mantém bem informados.

  12. a grande midia volta a assumir o papel de desinformador e confundir a sociedade caluniando quem nao pode se defender.o imprensa deixa de mensionar as recusas do congresso de atender os incansaveis pedidos do executivo de reunir o lelislativo defendendo as reformas politicas que teriam evitado o grande prejuizo que a democracia atravessa no momento com consequencia que obriga as pessoas mais lucidas a clamarem pela justiça roubado.e mesmo que alguns veiculos tenham pedido desculpa pelo historico golpe de 64 nao deixa de incriminar aqueles que lutam pela democracia que esteve presente no governo popular de 13 anos golpeado.a palvra golpe e visto como obseno por seus causadores mas e a definiçao mais exata pro mundo civilizado,que respondem com balas de borrachas e gaz de pimenta,ao ponto de ferir gravemente algumas pessoas como a estudante Debora,que nao e crimonosa,mas alguem inconformado com a covardia presente no atual senario politico do pais.

  13. Por que havia filmes na NET mostrando a PM se trocando e entrando na viatura apos o protesto em 2013? Infiktrados da propria PM? Sera que esses filmes ainda estão lá? Sei que alguns blogs publicaram.