Gleisi: Sob Temer, Brasil vive era de incertezas

gleisi_incertezasA senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) denuncia nesta sexta (2), em artigo, uma escalada de atentados perpetrada pelo governo ilegítimo Michel Temer (PMDB) contra a parte mais pobre do povo brasileiro. “O Brasil passa a viver uma agoniante era de incertezas”, diz a parlamentar. Abaixo, leia a íntegra:

Era de incertezas

Gleisi Hoffmann*

O Brasil passa a viver uma agoniante era de incertezas. Concretizado o golpe contra a nossa democracia e a vontade popular, chegou a hora de o novo governo impor à sociedade aquilo que as elites há anos tentam, mas ainda não conseguiram.

Depois de assumir de forma ilegítima o comando da nação, Michel Temer, agora possuidor de um questionável e, muito provavelmente, efêmero respaldo político, dará início à sua política ultraliberal de combate à crise econômica.

Como vinha sendo divulgado e testado em sucessivos balões de ensaio desde a deposição provisória da presidente Dilma Rousseff, nosso país será submetido a um pacote de maldades que, certamente, nos proporcionará momentos de angústia, sofrimento e tensão.

Em seu pronunciamento à nação, Temer deu os pontos gerais do que pretende aplicar nos próximos dois anos e quatro meses. O que se viu é assustador, especialmente para os trabalhadores. Conforme prometido para os aliados de conveniência e para sua excelência, o mercado, Temer avisou que, entre outras medidas, quer mexer na CLT e nas regras da Previdência.

Ou seja, vai “flexibilizar” as leis trabalhistas, suprimindo direitos inalienáveis, e massacrar com mais anos de trabalho brasileiros humildes, sobretudo do campo, que desde muito cedo dão seu suor por uma aposentadoria minimamente justa.

Mas, pasmem, não é só isso. Como se sabe, Temer enviou à Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, pela qual as despesas públicas federais, durante os próximos 20 anos, não poderão crescer mais que a inflação do ano anterior.

Isso significa que os próximos governos ficarão impedidos de fazer política fiscal, mesmo que a conjuntura exija. Se, por exemplo, o mundo for sacudido de novo por uma crise financeira como a de 2008, o governo terá dificuldades de adotar políticas capazes de enfrentar a turbulência, como bem fez o presidente Lula naquele difícil ano.

O que mais assusta na PEC 241, entretanto, é o fato de ela impor um drástico corte nos recursos destinados à saúde e à educação, que hoje contam com critérios próprios definidos na Constituição. Atualmente, os recursos da saúde correspondem a 13% da receita corrente líquida da União e os da educação, a 18% da receita de impostos.

Segundo estudo de economistas, se essa proposta fosse aplicada nos anos de 2006 a 2015, R$ 179,78 bilhões teriam deixado de ser investidos em saúde. No caso da educação, a perda seria de R$ 320,68 bilhões.

Como presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, recentemente promovi um longo debate sobre a PEC 241 com representantes do Ministério da Fazenda e de instituições acadêmicas.

Nessa audiência pública, o economista Pedro Linhares Rossi, da Unicamp, explanou com clareza a preocupação de muitos setores da sociedade, inclusive de políticos aliados do atual governo: “O que está sendo proposto é que o Estado não vai contribuir para o crescimento (da economia)… É uma austeridade contratada para 20 anos, uma austeridade quase permanente nas próximas duas décadas. É uma decisão dos rumos da nação nos próximos 20 anos”.

Mais do que uma era de incertezas, o que se vislumbra agora é o início da escalada de atentados contra a parte mais pobre do povo brasileiro. Lutaremos contra isso!

*Gleisi Hoffmann é senadora (PT-PR) e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Foi ministra da Casa Civil (governo Dilma). Artigo originalmente publicado pela Folha de S. Paulo.

11 Comentários

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  1. Não vejo matéria do Sandra Alex, do Alex Canziane, do Omar Serraglio, e mais alguns nesse blog, pq será? Aparecem sempre os mesmos, detalhe, tds envolvidos na lava-jato, estranho né? Será matéria paga, mas como já dizia meu velho pai, quem nasce pra lagartixa, nunca chega a jacaré, vamos ver onde o senhor Esmael vai chegar.

  2. Nintendo: Quase doze milhões de desempregados, inflação no teto, juros a 14,50, indústrias paradas, relações comerciais mantidas apenas com países bolivarianos,
    empréstimos sabidamente insolventes para países submetidos a ditaduras, como Cuba na América Central, Venezuela e Bolívia na América do Sul, Angola na África, com destaque ainda para a incomensurável roubalheira instalada resultante justamente do conluio entre os partidos aliados liderados pelo petismo e a elite – ou as grandes construtoras como Odebrecht, OAS, Camargo Correia, etc, mais empresas tais como as lideradas pelo falido Eike Baptista não fazem parte dessa casta condenada pr ela. Essas foram as “certezas” resultantes dos mais de 14 anos sob o regime petista e que contribuiram ainda para o estado crítico da Petrobrás, mais o que se assacou de fundos como os dos Correios, do BB, da própria Petrobras. A senadora quando redige um texto como o acima, pensa que se dirige exclusivamente a analfabetos funcionais criados também durante os governos do seu partido e aos trolls usados nos “blogues oficiais”, ou seja, nas “mídias subvencionadas”.

  3. Que terrorismo barato…que gente que não sabe viver em democracia.

  4. E sob Dilma tínhamos uma certeza, que estávamos indo pro buraco literalmente.

  5. A senadora só sabe criticar mas não sabe como é difícil governar um país onde é preciso mais de 60 votos para ser presidente!

  6. Mais um trouxinha que mordeu a isca do golpe nas denuncias nao comprovadas visando absolver bandidos atraves das delacoes.por que recusaram as delacoes do ex presidente da transpetro que apontava o quarteto querido da sujeira,Temer,Renam,Juca,Sarney?queria ver um trouxinha batendo panela por isso.

  7. pede pro seu maridinho devolver o dinheiro q ele roubou dos aposentados.

  8. As desigualdades sociais deixadas pelo governo golpeado incomodou muito o senhor dos escravos que deseja ver seus trolhas empenhados no ataque aos despertadores do golpe,como se observa em suas hilarias provocacoes,quando n estao impondo seu terror em circunstancias diversas que se deparam.ataques seus defensores,estando sob o efeito do opio da alienacao.

    • Na ordem direta, o governo golpeado deixou desigualdades sociais…
      Aliás, que texto, hein? Tão longo quanto incompreensível.
      Como diria o saudoso Gordo do Bamerindus: Essa geração de analfabetos funcionais….

  9. O juiz Carlos Alberto Simões, da 17ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, resolveu protestar de maneira inusitada contra o golpe de Michel Temer (PMDB).

    O magistrado emitiu alvará de soltura com a seguinte frase: “efetivamente, o custodiado está a ganhar seu pão, enquanto os bandidos deste país, que deveriam estar presos, estão soltos dando golpe na democracia”.

    Carlos Alberto Simões na galeria dos Homens Honrados.

    Eugênio Aragão também.