Beto Richa sumiu do mapa eleitoral do PR

enio_richaO deputado Enio Verri (PT-PR), em sua coluna desta terça (20), explica os motivos pelos quais candidatos a prefeito e vereador envitam a companhia do governador Beto Richa (PSDB) na campanha eleitoral do Paraná. Abaixo, leia, comente e compartilhe:

Beto Richa sumiu do mapa eleitoral do PR

Enio Verri*

O fim das campanhas eleitorais municipais se aproxima e a principal liderança do PSDB do Paraná, o governador Beto Richa, não deu o ar da graça em nenhum dos comícios dos candidatos aliados ao seu partido. Mesmo com a máquina administrativa nas mãos, Richa não apareceu em público e nem gravou propaganda para TV e rádio da sua base aliada.

Longe de ser um problema de agenda do governador, o motivo é mesmo a falta de convite dos candidatos. Ninguém quer aparecer ao lado de um governador cuja rejeição beira os 90% da população do estado. Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), a avaliação da administração Richa é considerada ruim ou péssima por cerca de 50% dos entrevistados.

Eleito para o segundo mandato, ainda em dezembro de 2013, Richa anunciou o primeiro “pacotaço”. Um conjunto de ajustes fiscais, com especial carga nas costas dos trabalhadores. Segundo o governador, as medidas foram necessárias para cobrir um rombo de R$ 1 bilhão nas contas públicas. Sem apresentar qualquer estudo que justificasse, Richa aumentou o IPVA, em 40%; o ICMS, em 1% e o desconto da previdência, no salário dos inativos.

As medidas do governador não passaram despercebidas pelos servidores públicos, em sua maioria professores. Em fevereiro de 2014, eles ocuparam a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e barraram a votação do pacotaço. Quem achava as medidas nefastas, não teve palavras para qualificar o projeto de lei 252/15, que autorizou Richa a ter plenos poderes sobre R$ 8,5 bilhões da previdência dos servidores públicos, a ParanáPrevidência.

Para alcançar seu objetivo, Richa não mediu esforços. Barrado em fevereiro, o PL foi ao Plenário da ALEP, em abril, quando o governador promoveu o mais bárbaro ato do governo do estado contra a população, desde o seu ex-correligionário, agora PV, Álvaro Dias, quando, em 30 de agosto de 1988, professores foram pisoteados pela cavalaria da Polícia Militar.

A mando do governador, o então secretário de Segurança do Estado e atual deputado federal, Fernando Francischini, descarregou, por mais de duas horas, bordoadas com cassetetes, balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral, cavalaria, infantaria em cima de uma população desarmada e em seu legítimo direito de protestar contra medidas prejudiciais à sociedade. Richa aprovou o projeto, ao custo de mais de duas centenas de pessoas feridas.

Não satisfeito em retirar direitos e massacrar a população, Richa continuou sua busca desenfreada pela rejeição social. A Operação Voldemort, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, (GAECO), apontou o empresário Luiz Abi Antoun como o responsável por uma fraude licitatória no Departamento de transportes do Governo do Paraná (DETO), no valor de R$ 1,5 milhão.

O fato de Luiz Abi ser primo de Richa não comprometeria o governador. O problema é que, tanto um quanto o outro são réus numa ação penal que apura corrupção e pagamento de propina na Receita Estadual. A denúncia contra os dois é o resultado das investigações da Operação Publicano, do mesmo GAECO.

Outro motivo para candidatos evitarem posar ao lado de Richa é a lembrança da prisão do ex-assessor do governo, Marcelo “Tchello” Camarori, em janeiro de 2015. O assessor foi acusado de envolvimento numa rede de aliciamento de menores de idade com fins de prostituição, na cidade de Londrina. Até dezembro de 2014, Camarori era assessor da governadoria, com um salário de R$ 6,2 mil.

A mais recente medida de Richa foi para colocar a correr qualquer aliado. Na segunda-feira (12), ele enviou outro pacotaço à ALEP. Desta vez, o governador propõe, sem meias palavras, o seu autoritarismo. A criação do Conselho de Controle das Empresas Estatais (CCEE) concentra nas mãos do secretário de Fazenda, Mauro Ricardo, decisões que deveriam passar pelo crivo de diversas instâncias dos vários órgãos de fiscalização e controle.

Além da criação do CCEE, o governador fez aprovar a venda dos papéis de duas grandes empresas da população do estado, a Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Não satisfeito em fragilizar o estado, Richa fará a população arcar com um empréstimo de R$ 150 milhões, junto ao Banco do Brasil, para financiar o “Programa Rotas de Desenvolvimento”, previsto no Plano Plurianual 2016-2019.

Enfim, motivos para se evitar a companhia do governador não faltam aos candidatos a prefeito e vereador. Aliados de Richa alegam que sua ausência na campanha eleitoral se deve ao fato de o governador decidir por cuidar da própria agenda. Pode ser, mas seria bem desconfortável para um candidato explicar a seus eleitores o que fazia Beto Richa na sua campanha.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

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