Por Esmael Morais

Coluna do Marcelo Belinati: A velha prática política de aumentar a tarifa do ônibus na virada do ano

Publicado em 01/01/2016

Especificamente quanto aos aumentos da tarifa de transporte coletivo, afora a questão política já abordada, tenho comigo que ocorrem na mais absoluta contramão da história e da modernidade.

Em Londrina, a passagem de ônibus subiu para R$ 3,60. Isso incentiva o uso do carro em detrimento do  transporte coletivo. Aumenta os congestionamentos e acidentes de trânsito, prejudica o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão das Nações Unidas, tem realizado inúmeras pesquisas que apontam que o aumento de temperatura na Terra está sendo causado pela ação direta do homem.

A queima de combustíveis fósseis está entre as principais atividades humanas que causam o aquecimento global e, consequentemente, as mudanças climáticas que têm impactado diretamente a vida do homem.

Retirar os veículos particulares de circulação e incentivar o uso de transporte coletivo para reduzir os níveis de emissões de poluentes na atmosfera, melhorar a qualidade do ar, reduzir o trânsito e os acidentes e facilitar a vida de pedestres e ciclistas, é medida necessária e urgente.

A exemplo de Madri, Atenas e Paris, importantes cidades do mundo estão caminhando nessa direção.

Infelizmente no Brasil, com a complacência e incentivos dos governantes, vivemos a cultura do carro.

Londrina é um exemplo. O prefeito da cidade anunciou um aumento da tarifa do transporte coletivo de R$ 3,25 para R$ 3,60.

No acumulado do início de 2015, o aumento foi de 22%, mais do que o dobro da inflação no período que deve chegar na casa de 10,7%.

Se analisarmos com mais profundidade, tomando por base o período da atual administração (2013-2015), a diferença seria mais gritante ainda: inflação de 21,84%, aumento da tarifa de 63,63%, quase 3 vezes mais que a inflação.

Por mais absurdo que pareça, é mais barato, utilizar o carro em Londrina do que o transporte coletivo.

Encontrei uma amiga injuriada com o aumento da passagem do ônibus. Segundo ela, que é profissional liberal, para se deslocar da sua casa para o trabalho e voltar com o seu carro, uma distância de 16 km, gasta dois litros de álcool. Com o preço do litro de álcool em Londrina a R$ 2,60, a minha amiga gasta em combustível o equivalente a R$ 5,20 por dia.

Se optasse pelo transporte coletivo, o que ajudaria e muito o meio ambiente e também o trânsito da cidade, gastaria R$ 7,20, ou seja, R$ 2,00 a mais todos os dias, R$ 48 no mês, sem contar o conforto e a comodidade que o carro oferece.

O aquecimento global, o crescimento acelerado dos centros urbanos, o aumento da frota de veículos são fatores que impõem aos gestores modernos uma nova forma de discutir mobilidade urbana.

Não é mais aceitável que decisões que impactam a vida dos cidadãos sejam tomadas com base na velha pratica de se trancar em um gabinete, fazendo contas em cima de uma planilha, como se tudo se resumisse a números.

No meu entendimento, contribuir para garantir o futuro do nosso planeta e a qualidade de vida nas nossas cidades tem que ser prioridade em qualquer ação de política pública.

Velhas práticas políticas em detrimento da modernidade e qualidade de vida dos cidadãos… Isso tem que acabar!!!

As pessoas só querem ser respeitadas…

*Marcelo Belinati, médico e advogado londrinense, é deputado federal pelo PP do Paraná. Escreve nas sextas-feiras sobre “Política Sem Corrupção”.