O primeiro grande erro estratégico de Beto Richa na luta pela reeleição

Tentativa de “tratorar” o PMDB pode ser o primeiro erro fatal de Richa.

Antes de comentar em rápidos pontos o quadro político no Paraná, folgo em dizer que erros estratégicos são mais difíceis de serem mitigados. A próxima batalha eleitoral pelo Palácio Iguaçu, que se avizinha, pode levar o governador Beto Richa (PSDB) a repetir os equívocos que afundaram a candidatura do prefeito de Curitiba Luciano Ducci (PSB), que sequer conseguiu avançar para o segundo turno mesmo com apoio das máquinas municipal e estadual. Vamos à  análise nua e crua:

1- O governador Beto Richa perdeu Curitiba com a vitória de Gustavo Fruet (PDT), neoaliado da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), na corrida pelo Palácio Iguaçu em 2014.

2- Mesmo com a derrota, o tucano tenta se reorganizar e formar uma frente partidária para a sua reeleição daqui dois anos.

3- Gleisi ainda não sabe se disputará o governo do Paraná na eleição vindoura. Poderá permanecer no cargo, ao lado da presidenta Dilma, se assim a conjuntura política determinar.

4- No tabuleiro do xadrez tem o PMDB, que se encontra em franco litígio. Três correntes almejam comandar a sigla no estado: a do senador Roberto Requião, a do deputado Luiz Cláudio Romanelli e a do ex-governador Orlando Pessuti.

5- Pessuti tem uma quedinha pela ministra Gleisi; Romanelli tem preferência por Richa; e Requião oferece o sonho da candidatura própria ao partido.

6- No próximo dia 15 de dezembro, cerca de mil convencionais peemedebistas vão à s urnas definir quem comandará a legenda e apontar que rumo seguir nos próximos meses.

7- Richa pode cometer o mesmo erro estratégico cometido pelo prefeito Luciano Ducci que, em junho passado, embrenhou-se na guerra intestina do PMDB. Seu movimento, além de viabilizar a candidatura de Rafael Greca, o fez alvo de artilharia pesada peemedebista do início ao fim da campanha. O resultado dessa operação o leitor já sabe: Ducci não foi ao segundo turno, perdeu a eleição.

8- O governo do PSDB nega interesse na disputa umbilical do MDB velho de guerra, mas correligionários de Requião denunciam que a máquina estadual trabalha a favor de Romanelli. Requianistas denunciam que servidores da Secretaria do Trabalho estariam cabalando votos entre os convencionais do partido.

9- A exemplo do que ocorreu com Ducci em 2012, o tucano Richa poderá tornar-se alvo principal da ira peemedebista em 2014.

10- Se a convenção do PMDB fosse hoje, dizem os requianistas, seria mais fácil o sargento Garcia prender o Zorro do que o partido dar um resultado favorável Richa.

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