Crise na Câmara ameaça projeto de reeleição de Ducci

por Ivan Santos, via Bem Paraná

Prefeito Luciano Ducci quer distância do aliado tucano. Foto: Denis Ferreira Neto.

A crise que atingiu a Câmara Municipal, com as denúncias de irregularidades envolvendo contratos da Casa já ameaça provocar estragos também no projeto de reeleição do atual prefeito Luciano Ducci (PSB) para 2012. Pela primeira vez, Ducci enfrenta uma oposição articulada no Legislativo. Além disso, com as suspeitas levantadas contra um de seus principais aliados, o presidente da Casa, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), o prefeito agora enfrenta além disso problemas para definir seu candidato a vice para as eleições do ano que vem.

A situação é motivada pelo fato de Derosso, que depois do governador Beto Richa (PSDB), é o principal cacique tucano na Capital, vinha sendo cotado como o nome mais forte para completar a chapa de Ducci. Tanto que o vereador foi um dos maiores responsáveis pela saída do ex-deputado federal Gustavo Fruet do PSDB – maior rival do prefeito na disputa.

No final de 2010, logo após a eleição de Richa para o governo, Fruet manifestou ao governador a intenção de candidatar-se à  prefeitura da Capital. Para isso, pediu que lhe fosse confiado o comando do diretório municipal tucano de Curitiba, presidido por Derosso. O vereador, porém, já pensando na aliança com Ducci e na indicação de vice, vetou Fruet, que diante da falta de apoio do comando tucano, acabou deixando o partido em busca de outra legenda para concorrer.

Coincidentemente, logo em seguida começaram a surgir as primeiras denúncias contra o presidente da Câmara, inicialmente a partir de uma investigação do Tribunal de Contas sobre os contratos de publicidade da Casa. O próprio Derosso atribuiu as acusações justamente à  sua cotação para vice de Ducci para a próxima eleição.

Ao mesmo tempo o prefeito, que até então aparecia constantemente ao lado do vereador em eventos públicos, passou a evitar a companhia do antigo aliado, no que foi interpretado por interlocutores próximos a Derosso como uma tentativa de abandoná-lo à  própria sorte. Além disso, setors da Câmara que até então estavam alinhados automaticamente ao projeto do prefeito, passaram a ver em Fruet e na crise envolvendo o Legislativo, uma alternativa de poder fora do atual grupo que comanda o município.

O resultado mais palpável dessa movimentação foi a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara, fato inédito na Casa, com o apoio de vereadores que compõem a base de apoio do prefeito. Inicialmente, a oposição havia obtido somente 7 das 13 assinaturas para a instalação da CPI, o que apontava para o arquivamento do pedido. A situação sofreu uma reviravolta depois de vereadores do PPS – partido que não só integra a base governista como tem cargos na administração municipal – decidiram apoiar a investigação. O mesmo aconteceu com o PDT, provável destino partidário de Fruet, que indicou a intenção de assinar o requerimento. A maior surpresa, porém, foi a adesão da vereadora Dona Lourdes, do PSB, partido de Ducci, que acabou obrigando os vereadores dos demais partidos da base de situação a também assinarem o pedido, diante da iminente criação da CPI.

Constrangimento

Outro fator que demonstra como a crise na Câmara fragilizou a até então aparente unidade da base política de Ducci foi as divergências surgidas dentro do próprio PSDB. O presidente da Assembleia e vice-presidente estadual do partido, deputado Valdir Rossoni, passou a pedir publicamente que Derosso se afastasse da legenda, até que as investigações fossem concluídas, alegando constrangimento! para os tucanos. Não por acaso, Rossoni era um dos principais defensores do lançamento de Fruet como candidato próprio do PSDB à  prefeitura, contra Ducci.

Além disso, uma ala de lideranças tucanas seguem criticando a possibilidade do partido abrir mão de disputar as eleições na Capital com um nome próprio para apoiar a reeleição do atual prefeito. O deputado estadual Mauro Moraes (PSDB) defende que mesmo com Fruet fora da sigla, o PSDB deveria articular uma candidatura própria. Para ele, não faz sentido o partido que tem o governador, maior eleitor da Capital, deixar de apresentar um candidato.

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