Início / donald Trump

A praga da xenofobia é um projeto de poder

Índice de Tópicos

A xenofobia voltou ao centro da cena política mundial. Em uma superposição quântica entre o medo e o autoritarismo, os Estados Unidos sob Donald Trump e a Irlanda do Norte em chamas revelam o avanço global da extrema direita. A radicalização contra imigrantes deixou de ser retórica — virou política de Estado e de rua, com consequências humanas devastadoras.

Trump acelera deportações com nova tecnologia de vigilância

Nos Estados Unidos, o governo Trump determinou ao ICE (agência de imigração) que eleve drasticamente o número de prisões e deportações. A meta: ao menos 3 mil por dia. A justificativa: cumprir promessas de campanha. O método: um aplicativo que cruza dados de mais de 700 mil imigrantes com ordens de deportação, integrando informações de órgãos como FBI, Receita e Previdência.

A operação é comandada nos bastidores por Stephen Miller, ideólogo anti-imigração do trumpismo. O foco agora são batidas em fábricas, bares e restaurantes — e até prisões colaterais, como no caso de um hondurenho detido ao levar o irmão ao trabalho. O ICE já admite: o trabalho é exaustivo, e erros são inevitáveis.

O ex-chefe de gabinete da agência, Jason Houser, definiu bem: “Isso não é sobre segurança nacional. É sobre atingir uma cota.” Mesmo diante dos protestos em Los Angeles e da queda nas prisões (de 2.000 para 700 por dia), Trump reafirma: “ninguém vai nos parar”.

Leia também: Califórnia em Chamas: Trump envia fuzileiros e acirra crise democrática
Saiba mais: Clima de guerra nas ruas de Los Angeles expõe escalada autoritária de Trump

Distúrbios na Irlanda do Norte escancaram escalada de ódio

A cidade de Ballymena viveu duas noites de terror após protestos contra uma suposta agressão sexual atribuída a dois adolescentes romenos. Casas, comércios e carros foram incendiados. Dezessete policiais ficaram feridos. As cenas, amplificadas por redes sociais controladas por influenciadores da ultradireita, são o retrato do avanço da xenofobia como política de massas.

Grupos extremistas usaram o caso para promover uma narrativa de que migrantes seriam inimigos da “comunidade britânica”. A estratégia é simples: transformar exceções em regra e alimentar o medo do outro. A primeira-ministra Michelle O’Neill condenou os ataques como racistas e sectários. Dados oficiais mostram que a maioria dos crimes sexuais na Irlanda do Norte é cometida por homens brancos locais — mas a verdade, no ambiente digital polarizado, pouco importa.

A engrenagem internacional da extrema direita

A tática é comum. Grupos de ultradireita no Reino Unido, Hungria e Alemanha seguem o mesmo script: fabricam narrativas sobre crimes cometidos por imigrantes, inflamam protestos, forçam respostas autoritárias do Estado e se apresentam como única solução contra o “caos” que eles mesmos estimulam.

A superposição quântica da política atual não permite prever o desfecho. Mas já sabemos os efeitos: aumento de ataques racistas, normalização da violência estatal, desumanização do outro. E tudo isso com apoio tecnológico de ponta — como o software Atrac, idealizado com apoio do então czar da eficiência, Elon Musk.

Xenofobia é uma praga

A praga da xenofobia se alimenta do medo, da mentira e da cumplicidade institucional. Episódios como os de Ballymena e das ruas de Los Angeles não são exceções, são alertas. Quando democracias flertam com o autoritarismo para agradar radicais, é a própria ideia de civilização que está em jogo.

Compartilhe esta análise. A xenofobia não deve ter lugar no século XXI.