O ministro da Educação da França, Gabriel Attal, anunciou a proibição do uso de abayas islâmicas, vestimentas longas de tradição do Oriente Médio, nas escolas do país.
A medida foi comunicada por Attal durante uma entrevista no programa “20 horas” da TF1, neste domingo (27/8), e está alinhada com os princípios de laicismo que permeiam a educação na República Francesa.
“A escola da República foi construída em torno de princípios fortes, como o laicismo”, afirmou Attal durante a entrevista.
Ele argumentou que quando os alunos entram em uma sala de aula, a religião não deveria ser identificável apenas pela observação de suas vestimentas.
A medida vem como resposta a incidentes relacionados ao uso ostensivo desses trajes religiosos em algumas escolas.
A proibição das abayas levanta debates sobre a preservação da laicidade nas instituições educacionais e o respeito pela liberdade religiosa dos estudantes.
Attal planeja iniciar conversas com os responsáveis pelas escolas na próxima semana, visando colaborar para uma aplicação eficaz dessa proibição.
“Nos últimos meses, trajes religiosos como abayas ou qamis apareceram em alguns estabelecimentos. A firmeza da resposta da escola está sendo testada por esses novos fenômenos. Diante dos espancamentos, diante dos ataques, diante das tentativas de desestabilização, devemos nos unir. E vamos nos unir”, ressaltou o ministro durante uma reunião com reitores na Sorbonne, em Paris.
Além da proibição das abayas, Attal também anunciou outra medida importante para a comunidade educacional.
Com o intuito de impulsionar o processo educacional e garantir apoio aos alunos em dificuldade, o ministro revelou a duplicação da remuneração dos professores que lecionarão durante as férias de verão.
Essa iniciativa se alinha à promessa do presidente Emmanuel Macron de retomar as aulas a partir de 20 de agosto para alunos enfrentando desafios acadêmicos.
O anúncio de Attal marca uma fase crucial para a educação na França, especialmente considerando os esforços contínuos do governo no domínio da educação, apesar das preocupações e desconfianças por parte de sindicatos de professores.
O ministro, que assumiu o cargo recentemente, realizará uma coletiva de imprensa na segunda-feira (28/8) para discutir mais detalhes sobre as políticas educacionais e os planos para a volta às aulas.
A proibição das abayas nas escolas francesas não apenas aborda uma questão específica relacionada à liberdade religiosa, mas também destaca a contínua importância do laicismo na educação pública do país.
O debate em torno dessa medida promete continuar provocando discussões acaloradas sobre os limites da laicidade e a diversidade cultural na sociedade francesa contemporânea.
A expectativa é que haja uma forte reação da comunidade mulçumana na França, que constitui 8,8% da população, ou 5,7 milhões de pessoas, a maior do Ocidente.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




