Toffoli autoriza PF a buscar documentos em vara federal que foi de Moro

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a realizar diligências na 13ª Vara Federal de Curitiba, onde atuou o então juiz e atual senador Sergio Moro (União-PR).

A medida, datada de 6 de outubro, faz parte das investigações sobre acusações do ex-deputado estadual Tony Garcia contra o atual senador paranaense.

A informação é do jornal Folha de S.Paulo, edição desta sexta-feira (17).

Garcia afirma que foi obrigado por Moro a gravar pessoas ilegalmente durante o caso Banestado, em 2004, quando colaborava com a Justiça por meio de um acordo de delação premiada.

Segundo o ex-deputado, essas gravações teriam sido usadas em “diligências investigativas clandestinas” contra autoridades com foro privilegiado, incluindo o então governador do Paraná Beto Richa (PSDB) e ministros do Superior Tribunal de Justiça.

O ex-parlamentar sustenta que documentos e mídias guardados na antiga vara judicial de Moro podem comprovar suas acusações.

Toffoli acolheu o pedido para que a PF tenha acesso a esse material.

“Defiro sejam empreendidas pela autoridade policial as diligências propugnadas, visando autorizar o exame in loco dos processos ali relacionados, documentos, mídias, objetos e afins”, escreveu o ministro.

A decisão mantém o inquérito sob relatoria do STF, contrariando o pleito da defesa de Moro, que alegava tratar-se de fatos anteriores ao mandato de senador.

Em nota, os advogados de Moro afirmaram que não tiveram acesso aos autos e classificaram as denúncias de Tony Garcia como “fantasiosas”.

O senador declarou que não teme a investigação e que “essas diligências apenas confirmarão que os relatos de Tony Garcia são mentirosos”.

A autorização de Toffoli reacende a disputa jurídica sobre o legado da chamada “República de Curitiba”, símbolo da Operação Lava Jato, e reforça o cerco judicial em torno da atuação de Moro quando juiz federal.

Moro é pré-candidato ao governo do Paraná e enfrenta tempestades internas, após a federalização com o PP, e racha na direita do estado, como já mostrou o Blog do Esmael.