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Tacla Duran, testemunha protegida contra aliados de Sergio Moro, faz pedidos ao novo juiz da Lava Jato; confira agora

Tacla Duran diz que é testemunha intimidada e coagida, enquanto audiência é adiada de hoje para data incerta e sigilosa.

O advogado Rodrigo Tacla Duran, réu na Operação Lava Jato, apresentou uma petição ao juiz federal da 13ª Vara Federal de Curitiba, Eduardo Appio, para reforçar o pedido de implementação de um alto grau de sigilo ao processo em que é investigado, em razão dos princípios de especialidade e reciprocidade, bem como em atendimento das restrições impostas por autoridades estrangeiras e aos efeitos de proteção da testemunha protegida.

Duran alegou que a medida é de extrema urgência em virtude de os advogados do delator Vinicius Veiga Borin terem solicitado habilitação ao processo, em que ele solicita que seja indeferido, em razão da segurança da testemunha protegida.

A testemunha protegida recorda na petição de advertência das autoridades americanas aos membros da antiga força-tarefa da Lava Jato, relativa à conduta hostil do delator em relação a ela, no caso Tacla Duran.

Também foi relatado ao novo juiz da Lava Jato que o advogado Carlos Zucoloto Junior, dileto amigo do ex-juiz e senador Sergio Moro (União-PR), “em manifesta conduta intimidatória em face da testemunha protegida, inclusive requerendo autorização para que participe pessoalmente de audiência designada pelo juízo, reforçando a coação contra a testemunha protegida, requereu habilitação ao processo“.

Em decorrência dos fatos, a testemunha protegida afirmou ao juiz que já se encontra moralmente coagida e intimidada, havendo o risco inclusive de ser fisicamente constrangida em sede judicial.

Ao Blog do Esmael, nesta quinta (13/4), Tacla Duran explicou que Zucoloto pediu para se habilitar no processo em que ele [Duran] é testemunha protegida. Zucoloto avisou que iria no dia da audiência para participar presencialmente. “Isso é intimidação e coação de testemunha protegida. Cabe [prisão] preventiva”, reivindica o advogado.

“Pelo acima exposto, e principalmente pela conduta intimidatória de Carlos Zucoloto Junior, com o condão de coagir presencialmente a testemunha protegida em audiência designada para esta data, é que se requer, seja a mesma redesignada, em sigilo total, para outra data”, pediu Tacla Duran, cuja petição foi aceita pelo juiz Eduardo Appio. Portanto, a audiência que seria hoje foi adiada para data incerta devido ao sigilo máximo implantado.

“Por fim, além do sigilo anteriormente pugnado, requer-se que sejam adotadas todas as medidas necessárias para apuratório penal das condutas acima descritas e assim evitar que a testemunha protegida siga sendo coagida e intimidada, com o manifesto interesse em que a mesma se cale em flagrante obstrução da justiça, sem prejuízo de aplicação das medidas previstas no artigo 312 do CPP, caso tais interferências sigam ocorrendo”, requereu o documento enviado ao magistrado da 13ª Vara Federal de Curitiba.

A petição foi protocolada em Madrid nesta quinta-feira, 13 de abril, e o juiz Eduardo Appio decidiu favoravelmente sobre o pedido apresentado. Ou seja, o k-suco vai ferver neste outono em Curitiba.

Clique aqui para ler a íntegra da petição de Tacla Duran.

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Sobre as denúncias de Tacla Duran

No final de março, Duran, que reside em Madrid, declarou por videoconferência ao juiz Eduardo Appio que sofreu um “bullying processual” durante investigação da Operação Lava Jato. Ele também alegou ter sido vítima de uma tentativa de extorsão por parte do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol. Duran afirmou ter pago 613 mil dólares em 2016 a um advogado supostamente ligado a Moro para evitar ser preso.

Após o depoimento, a assessoria de Moro declarou que seu cliente é alvo de “calúnias” e não teme qualquer investigação. Já Dallagnol referiu-se a Appio como um “juiz lulista e midiático” que tenta retaliar contra aqueles que lutaram contra a corrupção.

Em decorrência do depoimento, o juiz Eduardo Appio determinou a inclusão de Duran no programa federal de testemunhas e ordenou que a Polícia Federal proteja a integridade física do advogado caso ele venha a viajar para o Brasil. No entanto, Duran não deve viajar para o país neste momento, uma vez que pode ser preso ao desembarcar devido uma nova ordem de prisão expedida pelo pai do sócio de Moro.

A acusação foi remetida para o Supremo Tribunal Federal (STF), que fixou sua competência para processar e julgar esse cabeludo caso.