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Ternium no olho do furacão enfrenta acusações explosivas

Gigante do aço enfrenta denúncias internacionais por ligações com cartéis e violações de direitos humanos

A gigante siderúrgica Ternium, controlada pelo grupo ítalo-argentino Techint, enfrenta uma tempestade de acusações no exterior. A empresa é alvo de denúncias internacionais por supostos vínculos com cartéis mexicanos e violações de direitos humanos em suas operações minerárias.

A Ternium enfrenta ainda outras denúncias internacionais. Organizações de direitos humanos acusam a siderúrgica de conluio com cartéis de drogas no México e de envolvimento no desaparecimento de ativistas ambientais e indígenas.

A denúncia foi apresentada à Organização das Nações Unidas (ONU) por um grupo de entidades mexicanas e internacionais, incluindo a Assessoria e Defesa Legal Sureste, Global Rights Advocacy e IDHEAS – Litígio Estratégico em Direitos Humanos. O documento questiona o desaparecimento do advogado Ricardo Lagunes Gasca e do líder indígena Antonio Díaz Valencia, vistos pela última vez em janeiro de 2023, após uma reunião na comunidade de Aquila, em Michoacán.

O relatório da Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP) indica que mais de seis ativistas que se opuseram às minas operadas pela Ternium foram assassinados ou desapareceram nos últimos anos. Segundo a OCCRP, a mina Las Encinas, administrada pela Ternium, está localizada em uma área controlada pelo Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), um dos mais violentos do mundo.

“O cartel não apenas impõe taxas para a extração mineral, mas também extorque parte dos royalties pagos às comunidades locais. Aqueles que se opõem à mineração tornam-se alvos”, afirma o relatório.

Em 2014, a comunidade de Ayotitlán, em Jalisco, venceu uma ação contra a mineração da Peña Colorada, de propriedade da Ternium e da ArcelorMittal. A decisão, no entanto, nunca foi aplicada. Desde então, ativistas locais foram sequestrados e pressionados a retirar processos contra as empresas, conforme revelam documentos apresentados à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

A Ternium nega qualquer envolvimento em atividades ilegais e afirma cumprir todas as leis ambientais e trabalhistas nos países onde opera. Em nota ao OCCRP, a empresa declarou que “repudia qualquer tipo de violência” e que mantém um relacionamento de “transparência e respeito” com as comunidades afetadas por suas operações.

Pressões internacionais e a responsabilidade corporativa

As denúncias contra a Ternium aumentam a pressão sobre a empresa e seus clientes. A siderúrgica fornece aço para montadoras como Tesla e General Motors, além do próprio governo mexicano. A revelação de que suas operações podem estar ligadas a grupos criminosos e à repressão de ativistas pode gerar boicotes e sanções comerciais.

Nos últimos anos, governos e organizações internacionais têm endurecido as regras para empresas que operam em territórios de alto risco. A União Europeia, por exemplo, aprovou a Diretiva de Devida Diligência Empresarial e Sustentabilidade, que obriga empresas a garantir que suas cadeias de suprimentos não estejam envolvidas em violações de direitos humanos.

Impacto para o mercado e a governança corporativa

Especialistas destacam que o caso reforça a necessidade de transparência e respeito às regras de governança corporativa.

“A clareza nas regras de mercado é essencial para garantir previsibilidade e segurança nas transações empresariais, evitando manobras que possam prejudicar stakeholders [partes interessadas em uma organização, projeto ou iniciativa]”, avalia um analista do setor.

Confira as fotos dos ativistas desaparecidos

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