O governo federal começa nesta terça-feira, 21 de julho, a ouvir indústrias afetadas pela tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos, que entrará em vigor na quarta-feira, 22 de julho. A negociação alcança diretamente o Paraná: estimativa da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) indica que 75% das exportações industriais paranaenses destinadas ao mercado norte-americano continuarão submetidas à sobretaxa.
Representantes das indústrias de calçados, têxteis e plásticos deverão reunir-se com integrantes do governo. As agendas terão como interlocutores o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Os empresários chegam à mesa com reivindicações concretas. Parte das entidades defende o acionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC), a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica e uma reação comercial escalonada contra os Estados Unidos.
O governo mantém a negociação diplomática e prepara uma revisão do Plano Brasil Soberano, criado para apoiar exportadores atingidos por barreiras comerciais. Durigan antecipou que o programa será recalibrado, mas não informou valores, linhas de crédito, setores contemplados nem critérios de acesso. A ausência desses dados impede medir quanto do socorro poderá chegar às empresas paranaenses.
A cobrança ganha urgência porque a nova tarifa será somada ao imposto já existente. Um produto sujeito a uma alíquota de 5%, por exemplo, passará a enfrentar uma carga de 30% para entrar no mercado norte-americano.
A Fiep calcula que as exportações industriais do Paraná aos Estados Unidos somaram aproximadamente US$ 1,3 bilhão em 2025. A exposição concentra-se na madeira serrada, compensados, molduras, portas, pisos, revestimentos cerâmicos, móveis e papel.
Tilápia, café solúvel, mel e couro aparecem entre as exceções relevantes para o estado. A retirada desses produtos reduz parte do impacto, mas não protege o núcleo da indústria madeireira e moveleira paranaense.
A lista de exceções também impede tratar todo frigorífico, produtor de pescado ou exportador de mel como vítima direta da nova cobrança. Carne bovina, determinados pescados e mel orgânico certificado foram poupados. Cada cadeia precisa ser examinada pelo código tarifário do produto exportado.
A estimativa de 75% mede o valor das exportações industriais exposto à tarifa, não o número de empregos ameaçados. Ainda falta um levantamento público que identifique empresas, municípios, contratos e postos de trabalho vinculados às mercadorias tributadas.
Essa lacuna é central para o Paraná. A perda de competitividade pode atingir diretamente fábricas exportadoras e alcançar fornecedores, transportadoras e serviços ligados ao Porto de Paranaguá. Sem a abertura dos dados por município e empresa, porém, qualquer número sobre empregos em risco seria especulativo.
A disputa comercial também entrou na campanha presidencial. O governo Lula tentará demonstrar capacidade de negociar exceções e financiar empresas prejudicadas. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus aliados deverão atribuir a tarifa à deterioração da relação diplomática com Washington.
O conflito político não altera a origem formal da medida. A sobretaxa foi decidida pelo governo de Donald Trump após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Também não há comprovação pública de que Flávio Bolsonaro tenha obtido uma concessão comercial para o Paraná. A comparação eleitoral precisa ser feita entre resultados verificáveis: produtos retirados da tarifa, recursos liberados, contratos preservados e empregos protegidos.
A reunião desta terça-feira somente produzirá uma notícia nova se o governo divulgar valores, calendário, critérios do Plano Brasil Soberano ou uma lista adicional de exceções. Até lá, a indústria paranaense entra em 22 de julho com US$ 1,3 bilhão de exportações como referência e 75% dessa pauta industrial ainda exposta à cobrança.
Acompanhe no Blog do Esmael as decisões sobre crédito, exceções comerciais e os efeitos do tarifaço sobre empresas e empregos no Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




