STF deixa Rio no limbo e só falta anexar o estado a Colombo

O Supremo Tribunal Federal (STF) travou a decisão final sobre a sucessão no Rio de Janeiro na quinta-feira (9), depois de formar maioria provisória de 4 votos a 1 por eleição indireta para o mandato-tampão e ter o julgamento suspenso por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com isso, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Ricardo Couto de Castro, segue no comando interino do estado.

Do jeito que a coisa vai, a saída administrativa talvez seja anexar o Rio ao município de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), até alguém descobrir quem manda, quem decide e qual urna, plenário ou gabinete vai resolver o enrosco. Colombo não tem culpa de nada, claro. Mas o Rio entrou num estágio institucional em que até a geografia já parece sugestão.

O placar parcial no STF juntou Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia a favor da eleição indireta pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O ministro Cristiano Zanin abriu a trilha oposta, defendendo eleição direta. Dino puxou o freio e disse que prefere esperar a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre Cláudio Castro antes de concluir o voto.

A confusão não nasceu do nada. O ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) renunciou para disputar o Senado, o ex-vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025 para assumir vaga no Tribunal de Contas, e a linha sucessória virou um queijo suíço. No meio desse buraco, Ricardo Couto de Castro ficou no Palácio Guanabara como solução provisória, dessas que no Brasil sempre correm o risco de durar mais do que o provisório recomenda.

O dado político mais eloquente é outro. O STF ainda nem concluiu o modelo da eleição e o Rio já exibe ao país a vitrine da sua crise: um estado importante demais para viver no improviso e acostumado demais a conviver com ele. Quando Cármen Lúcia falou em quadro de “desinstitucionalização”, não estava fazendo figura de linguagem. Estava resumindo o roteiro fluminense sem precisar de roteirista.

No plano nacional, a novela interessa porque o Rio não é um detalhe periférico do sistema. É um dos principais colégios eleitorais do país, pesa na eleição de 2026 e voltou a expor uma patologia brasileira: a política produz a crise, o Judiciário administra a emergência e o eleitor assiste da arquibancada, esperando descobrir se vai votar ou apenas contemplar a escolha alheia.

Por enquanto, a maioria parcial aponta para a indireta, mas a vista de Dino manteve o estado no modo espera. Traduzindo para o português do contribuinte: o Rio continua sem solução definitiva, sem calendário fechado e sem paz institucional. Portanto, até segunda ordem, Colombo que fique alerta. Vai que sobra para a RMC administrar também o caos da Guanabara.

O município de Colombo, a 17 km de Curitiba, é o oitavo mais populoso do Paraná com 247 mil habitantes. Com 161.428 eleitores, em 2024, ocupa o posto de segundo maior colégio eleitoral da Região Metropolitana e o 8º maior de todo o estado.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.