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STF abre investigação contra Trump por insider trading no mercado de dólar

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para investigar um possível esquema de uso de informação privilegiada (insider trading) no mercado de câmbio brasileiro. A decisão foi tomada após a Advocacia-Geral da União (AGU) apontar movimentações atípicas de bilhões de dólares horas antes do anúncio do tarifaço de Donald Trump contra produtos do Brasil.

A medida coloca o presidente dos Estados Unidos no centro de uma apuração inédita no Judiciário brasileiro, com potencial de atingir também operadores locais e agentes políticos que possam ter se beneficiado do colapso cambial.

Segundo documentos entregues ao STF, no dia 9 de julho, entre 13h30 e 16h20, ocorreu uma operação bilionária de compra e venda de dólares em valores fora do padrão. Um agente anônimo teria comprado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões a R$ 5,46 e revendido menos de três horas depois, a R$ 5,60, logo após Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

“É uma movimentação que foge completamente do padrão para o real naquele dia”, disse ao Jornal Nacional, da TV Globo, o gestor Spencer Hakimian, da Tolou Capital Management, em Nova York. Segundo ele, a operação gerou lucros de até 50% em poucas horas, algo raro no mercado e indicativo de que o operador sabia exatamente o impacto e o momento da notícia.

A AGU afirma que o caso levanta sérias suspeitas de que informações confidenciais sobre o tarifaço foram repassadas com antecedência a operadores financeiros. A ação pode configurar crime contra o sistema financeiro nacional, abuso de poder econômico e tentativa de coação institucional contra o Estado brasileiro.

Com a decisão de Moraes, o inquérito passa a integrar a série de apurações ligadas à ofensiva internacional contra o Judiciário brasileiro. O ministro também determinou o envio de ofícios ao Banco Central, à CVM, ao COAF, ao Ministério Público Federal e à Receita Federal, exigindo identificação dos comitentes, intermediários e beneficiários finais das transações.

Contexto político e econômico
O tarifaço de Trump, anunciado unilateralmente como forma de pressionar o STF contra possível condenação de Jair Bolsonaro (PL), já vinha sendo apontado por setores do governo Lula como parte de uma ofensiva internacional contra a democracia brasileira.

Agora, com a suspeita de que o mercado financeiro foi usado como arma nessa disputa, o caso ganha uma nova gravidade. O governo quer saber quem lucrou com a queda do real e se houve conexão com o núcleo bolsonarista ou operadores estrangeiros ligados a Trump.

Não é a primeira vez: Moraes já enfrentou Elon Musk em 2024

Esta é a segunda grande ofensiva internacional liderada por Alexandre de Moraes a partir do Supremo Tribunal Federal. Em 2024, o ministro enfrentou diretamente o bilionário Elon Musk, após o empresário desafiar decisões judiciais brasileiras sobre moderação de conteúdo nas redes sociais.

Moraes determinou a suspensão do X (antigo Twitter) no Brasil por mais de um mês, acusando a plataforma de descumprir ordens judiciais e de permitir a disseminação de fake news e ataques ao Estado Democrático de Direito.

O embate com Musk ganhou repercussão global, com críticas vindas da extrema direita e apoio de setores democráticos que viam na decisão uma defesa firme da soberania nacional sobre a regulamentação digital.

Agora, ao abrir investigação contra Trump por suposto insider trading com impacto cambial, Moraes volta a protagonizar uma disputa que ultrapassa fronteiras — e reafirma o protagonismo do STF diante de ofensivas internacionais que desafiam as instituições brasileiras.

O precedente: Joesley Batista e o insider trading

Em 2017, o empresário Joesley Batista, dono da JBS, foi preso acusado de insider trading — uso de informação privilegiada no mercado financeiro. Dias antes da divulgação de sua delação premiada contra o então presidente Michel Temer, Joesley comprou milhões de dólares e apostou contra ações da própria empresa na Bolsa.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concluiu que ele agiu com base em informações que causariam instabilidade nos mercados e, assim, obteve lucros milionários com a queda das ações da JBS e a disparada do dólar.

Joesley chegou a ser detido preventivamente por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) e, posteriormente, firmou acordo de leniência. O caso ficou marcado como um dos episódios mais emblemáticos de manipulação de mercado com fins políticos no Brasil — e serve agora como base jurídica e simbólica para a investigação de operações suspeitas envolvendo o tarifaço de Trump.

Reação política
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), autor de um pedido anterior de investigação junto ao Banco Central, afirmou que a decisão do STF é um avanço crucial: “Se confirmada a fraude, será o maior escândalo cambial da história recente do Brasil”.

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