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Copom mantém Selic em 15% para atender oligarcas do sistema financeiro

A manutenção da Selic em 15% passou quase despercebida pelo país enquanto Brasília se engalfinhava entre anistia a Bolsonaro e cassações parlamentares. No vácuo da atenção pública, o Copom segurou a maior taxa básica de juros do planeta e preservou uma engrenagem que serve aos oligarcas do sistema financeiro e à velha mídia corporativa, sempre beneficiados pelo juro alto, em detrimento da sociedade brasileira.

O congelamento do índice, o quarto seguido, manteve o país no topo do ranking mundial de juros reais. O Brasil opera com 10,09% de juro efetivo, muito acima de Rússia e Turquia. Esse nível alimenta a lógica do rentismo e drena recursos que poderiam irrigar produção, emprego e políticas públicas.

A inflação não justifica essa política. O IPCA acumulado está em 4,46%, dentro da meta. O Banco Central insiste em um modelo que ignora a vida real e repete um discurso há muito descolado dos dados. O Dieese aponta que o governo Lula registra a menor média de inflação desde o Plano Real, mas a economia desacelera trimestre após trimestre. O PIB quase parou e o mercado de trabalho começa a perder fôlego.

O crédito caro esmaga as famílias. A indústria adia investimentos. O comércio vende menos. O endividamento se expande. A política monetária virou um freio permanente.

O estrangulamento tem raiz política. Desde 2019 o Conselho Monetário Nacional (CMN) estreitou a meta de inflação para 3%, com banda mínima. Essa rigidez tornou a política monetária refém de interesses conservadores. O economista Gustavo Cavarzan lembra que, antes, a inflação podia chegar a 6,5% sem violar o regime de metas. Hoje o Banco Central age como guardião de um alvo impossível para um país sujeito a choques de câmbio e energia.

O resultado é conhecido. A cada reunião do Copom, o Brasil preserva um juro que não combate inflação, mas desidrata a economia. E quem ganha são os mesmos de sempre, os donos do dinheiro. Bancos, fundos e meios de comunicação alinhados à lógica financeira lucram com a estabilidade artificial dos juros elevados, enquanto a sociedade paga a conta.

Joseph Stiglitz classificou essa política como “pena de morte” econômica. Para ele, manter juros tão altos por tantos anos tira do país competitividade e capacidade de crescer. O Nobel de Economia questiona se a taxa básica pode combater qualquer inflação e alerta que elevar juros em ciclos não ligados à demanda tende a empurrar preços para cima.

A crítica também repercute entre movimentos sociais. Walcir Previtale afirma que a política monetária “boicota” os esforços de trabalhadores e do governo. Para ele, o Brasil precisa de um Banco Central que esteja alinhado às necessidades nacionais, não a um punhado de rentistas que ditam a agenda econômica e influenciam parte significativa da velha mídia.

A manutenção da Selic em 15% revela um conflito estrutural. De um lado, a sociedade que precisa de emprego, crédito e crescimento. De outro, um sistema financeiro que lucra mais quanto menos o país se desenvolve.

A disputa continua silenciosa, mas seus efeitos são gritantes.

A decisão do Copom reforça uma arquitetura econômica que privilegia banqueiros e especuladores, sufoca quem produz e condena o Brasil a crescer menos. Romper esse ciclo exige recolocar a política monetária sob controle democrático e a serviço do desenvolvimento.

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Galípolo explicando a política monentária do BC na sabatina do Senado. Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Galípolo explicando a política monentária do BC na sabatina do Senado. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

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