Índice de Tópicos
- Flávio Bolsonaro prepara retorno à Boca Maldita
- Abrabar pede evento sem tapumes
- Sandro levou Bolsonaro à TV e acabou barrado
- Ratinho também faz aceno ao bolsonarismo
- E onde fica Ronaldo Caiado?
- Sandro já preparava dois caminhos
- Requião observa a briga pela direita
- A pergunta de um milhão de dólares
- Receba as notícias do Blog do Esmael
Sandro Alex enfrenta dilema entre Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro antes de ato bolsonarista previsto para 26 de setembro na Boca Maldita.
O candidato ao Governo do Paraná Sandro Alex (PSD) entrou neste sábado, 19 de setembro, no centro de uma pergunta capaz de embaralhar ainda mais a reta final da eleição: ele subirá no palanque de Flávio Bolsonaro (PL) quando o presidenciável da extrema direita voltar a Curitiba para um ato na Boca Maldita?
A pergunta ganhou peso porque a campanha de Sandro levou Jair Bolsonaro à propaganda eleitoral justamente quando o PSD disputa a Presidência da República com Ronaldo Caiado. A Justiça Eleitoral mandou retirar as peças ao considerar que a associação poderia levar o eleitor a acreditar na existência de um apoio atual do ex-presidente à candidatura de Sandro.
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Não se trata apenas de uma fotografia antiga.
Sandro já havia aberto a porta política para o bolsonarismo durante sabatina da Folha de S.Paulo e do UOL, em 17 de agosto. Na ocasião, declarou apoio formal a Caiado, mas reconheceu que integrantes de seu grupo caminhavam com Flávio Bolsonaro. “Nós estaremos com o candidato do partido, que é o Caiado”, afirmou.
Agora vem o teste do palanque.
Flávio Bolsonaro prepara retorno à Boca Maldita

Um ato de Flávio Bolsonaro está sendo organizado para 26 de setembro na Boca Maldita, tradicional centro político de Curitiba e mesmo endereço escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o comício realizado em 12 de setembro.
Até 18 de setembro, porém, a campanha do PL ainda não havia divulgado oficialmente toda a programação, embora fontes locais e a Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) apontassem o dia 26 como data prevista.
A Boca Maldita recebeu Lula diante de milhares de apoiadores no sábado, 12 de setembro. O petista dividiu o palanque com Requião Filho (PDT), Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT).
A volta de Flávio ao mesmo endereço transforma a Rua XV de Novembro em palco de uma disputa presidencial dentro da eleição paranaense.
E Sandro Alex aparece exatamente no meio dela.
Abrabar pede evento sem tapumes

Existe outra diferença em preparação para o ato bolsonarista.
Depois da controvérsia provocada pelos tapumes utilizados durante a operação de segurança do evento de Lula, a Abrabar protocolou ofício nas direções nacional e estadual do PL pedindo que o comício de Flávio preserve os acessos a bares, restaurantes, cafés e demais estabelecimentos da região.
A entidade comandada pelo bolsonarista Fábio Aguayo pediu expressamente que sejam evitados tapumes e barreiras capazes de bloquear fachadas ou dificultar a circulação.
No evento de Lula, a Prefeitura de Curitiba informou que os tapumes haviam sido determinados e instalados dentro da operação coordenada pela Polícia Federal (PF), responsável pela segurança de candidatos à Presidência, sem participação prévia do município na decisão.
Portanto, existe um pedido formal para que a estrutura não se repita no evento de Flávio Bolsonaro. A configuração definitiva da segurança ainda depende dos órgãos responsáveis.
Sandro levou Bolsonaro à TV e acabou barrado
O dilema de Sandro não nasceu com o próximo comício.
Na quinta-feira, 17 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) determinou a retirada de propaganda da campanha do PSD que usava Jair Bolsonaro.
Uma das inserções apresentava uma fala atribuída ao ex-presidente e, logo depois, imagens de Sandro Alex. Para a Justiça Eleitoral, a montagem poderia transmitir a ideia de uma aliança política atual que não corresponde à composição partidária registrada na eleição de 2026.
O TRE-PR mandou retirar anúncios patrocinados, substituir as peças destinadas ao horário eleitoral e proibiu novas veiculações semelhantes, com previsão de multa de R$ 10 mil por descumprimento.
Jair Bolsonaro está preso após condenação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à trama para impedir a continuidade democrática depois da eleição presidencial de 2022.
Mesmo assim, seu capital político continua disputado no Paraná.
Ratinho também faz aceno ao bolsonarismo
A aproximação não é exclusivamente de Sandro.
Ratinho Junior (PSD), licenciado do Governo do Paraná para mergulhar na campanha de seu candidato, passou a usar a relação com Jair Bolsonaro para atacar Sergio Moro (PL).
O governador acusou Moro de ter traído Bolsonaro ao deixar o Ministério da Justiça e passou a enfatizar sua própria proximidade com o ex-presidente.
É uma movimentação politicamente compreensível dentro da disputa estadual: Moro concorre pelo mesmo PL de Flávio Bolsonaro e lidera as pesquisas para o Palácio Iguaçu.
A Paraná Pesquisas divulgada em 18 de setembro colocou Moro com 44,7%, Requião Filho com 23% e Sandro Alex com 19,7%. Quando considerados apenas os entrevistados que escolheram algum candidato, Moro alcança aproximadamente 49,9%, no limite matemático entre a vitória no primeiro turno e a realização de uma segunda votação.
Nesse ambiente, disputar o eleitor bolsonarista virou uma questão de sobrevivência eleitoral para quem tenta reduzir a vantagem de Moro.
Isso é uma leitura política dos movimentos da campanha, não uma confirmação de que Sandro tenha fechado apoio presidencial diferente daquele registrado pelo próprio partido.
E onde fica Ronaldo Caiado?
É justamente aqui que começa a pirueta.
Ronaldo Caiado foi oficializado pelo PSD como candidato à Presidência, tendo Gilberto Kassab como vice. Ratinho Junior participou da convenção nacional que confirmou a chapa.
Em 1º de setembro, Caiado foi além e anunciou que pretende colocar Ratinho Junior no comando da área de infraestrutura caso seja eleito presidente.
O próprio Ratinho participou do anúncio. Caiado disse que o paranaense ficaria responsável por rodovias, ferrovias e hidrovias.
A fotografia, portanto, é peculiar.
Caiado oferece um ministério estratégico a Ratinho Junior.
Ratinho trabalha para eleger Sandro Alex.
Sandro declara que seu candidato presidencial é Caiado.
Ao mesmo tempo, Sandro mantém aberta a relação política com o grupo de Flávio Bolsonaro e sua campanha tentou usar Jair Bolsonaro na propaganda estadual.
Não é preciso acrescentar tempero para perceber o conflito.
Sandro já preparava dois caminhos
Sandro Alex não pode alegar que essa encruzilhada surgiu de surpresa.
Na sabatina realizada em agosto, ele deixou registrada uma fórmula de convivência com candidaturas presidenciais diferentes.
Disse que estaria com Caiado, mas reconheceu que aliados de seu grupo apoiavam Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Romeu Zema. Também destacou a antiga relação entre Ratinho Junior e Jair Bolsonaro.
A estratégia permite manter o apoio partidário formal ao PSD sem fechar a porta para um eleitorado de direita disputado diretamente com Moro.
Só que um comício é diferente de uma entrevista.
Subir fisicamente no palanque de Flávio Bolsonaro produziria uma imagem muito mais forte do que declarar respeito à escolha presidencial dos aliados.
É justamente por isso que a possível presença de Sandro na Boca Maldita passou a interessar aos adversários.
Requião observa a briga pela direita

Para Requião Filho, terceiro vértice da disputa pelo Palácio Iguaçu, a tensão entre Sandro, Moro, Flávio Bolsonaro e Caiado cria uma oportunidade objetiva.
Quanto maior a disputa dentro do campo que se apresenta como alternativa de direita ou centro-direita, maior a dificuldade de Sandro construir uma identidade eleitoral própria enquanto tenta ultrapassar Requião e alcançar o segundo turno.
A pesquisa mais recente do Paraná Pesquisas registra Requião numericamente à frente de Sandro, por 23% a 19,7%.
O Blog do Esmael já mostrou que existe uma eleição dentro da eleição: Sandro precisa primeiro superar Requião para depois pensar em enfrentar Moro, caso o senador não resolva a disputa no primeiro turno.
Por isso, uma guerra pública entre o PSD paranaense e o presidenciável do próprio partido seria politicamente útil aos adversários.
Na velha linguagem dos bastidores, quanto mais sangue, mais chouriço.
O ditado descreve o interesse eleitoral na fragmentação do campo adversário. Não representa uma declaração oficial de Requião Filho ou do PT.
A pergunta de um milhão de dólares
A Boca Maldita chega, então, à pergunta que vale um milhão de dólares.
Sandro Alex estará no palanque de Flávio Bolsonaro em 26 de setembro?
Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação pública do candidato do PSD nem anúncio oficial que colocasse Sandro entre os participantes do ato.
A informação que movimenta os bastidores é justamente a possibilidade de sua presença.
Se comparecer, Sandro terá de explicar como concilia o palanque de Flávio Bolsonaro com a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, seu correligionário, que poucas semanas antes convidou Ratinho Junior para integrar um eventual governo do PSD.
Se não comparecer, terá de administrar outra contradição: sua campanha passou a reta final tentando disputar o espólio político de Jair Bolsonaro enquanto Moro aparece na urna estadual pela mesma legenda de Flávio.
É muita geometria eleitoral para uma única Boca Maldita.
E faltam apenas duas semanas para o primeiro turno de 4 de outubro.
O Blog do Esmael acompanha a montagem do ato de Flávio Bolsonaro e atualizará a informação caso Sandro Alex, Ratinho Junior ou a campanha do PSD confirmem participação no palanque.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




