Requião Filho adota estilo “tiro, porrada e bomba” contra Moro; vídeo

O deputado estadual Requião Filho (PDT) decidiu partir para o confronto aberto com Sergio Moro um dia depois de o senador trocar de legenda, entrar no PL ao lado de Flávio Bolsonaro e se apresentar como peça do projeto nacional do bolsonarismo no Paraná. Não foi um ataque lateral. Foi uma tentativa de colar, logo na largada, a imagem de Moro àquilo que o ex-juiz passou anos dizendo combater. Moro chega à disputa pelo Palácio Iguaçu em posição forte e lidera os cenários recentes de intenção de voto, enquanto Requião Filho é o nome lançado pela frente PDT-Federação Brasil da Esperança para enfrentá-lo em 2026.

No vídeo publicado nas redes [assista abaixo], Requião Filho não tentou debater programa de governo, segurança, infraestrutura ou contas públicas. Escolheu outra trincheira: a coerência. Resgatou o Moro que atacava Valdemar Costa Neto, o Moro que dizia não ser apropriado buscar cargo político depois da magistratura e o Moro que deixou o governo Jair Bolsonaro acusando o então presidente de querer interferir na Polícia Federal. Agora, esse mesmo personagem aparece abraçado ao PL e oferecendo ao Paraná como palanque para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. É aí que o pedetista enxerga a principal fissura do adversário.

A escolha do tom não foi casual. Requião Filho sabe que, se a eleição ficar restrita à fama, à lembrança da Lava Jato e ao discurso de endurecimento penal, Moro larga muito à frente. Pesquisas divulgadas recentemente mostram o senador liderando nos cenários estimulados, enquanto Requião Filho aparece na segunda posição. Diante desse cenário, o caminho mais racional para a oposição não é tratar Moro como um adversário comum, mas como uma contradição ambulante. O vídeo tenta justamente isso: deslocar a disputa do terreno da celebridade para o terreno do caráter político.

Há também um cálculo de campo. Desde que a frente entre PDT, PT, PCdoB e PV definiu Requião Filho como cabeça de chapa, o pedetista passou a carregar a tarefa de unificar o voto antibolsonarista e o voto antimorista no Paraná. Com Moro migrando de vez para o PL e formalizando a reaproximação com a família Bolsonaro, esse trabalho ficou mais simples do ponto de vista narrativo. Requião Filho já não precisa argumentar que o senador se aproximou da direita dura. Moro fez isso em público, em Brasília, diante das câmeras, ao receber o aval de Flávio e prometer apoio ao projeto presidencial do novo aliado.

O problema para Requião Filho é outro. Bater em Moro pode animar a própria tropa, produzir recorte para rede social e organizar a oposição, mas não resolve sozinho a eleição. Para sair do papel de denunciante e virar alternativa real, ele terá de mostrar que existe algo além da artilharia verbal. O vídeo acerta quando atinge o ponto mais sensível de Moro, a conversão do ex-juiz em aliado daqueles que antes acusava. Mas, daqui para a frente, a campanha pedetista terá de provar que sabe falar também de tarifa, emprego, pedágio, saúde, escola, privatização e máquina pública.

Ainda assim, o movimento desta quarta-feira (25) tem peso político. Requião Filho entendeu que a filiação de Moro ao PL não foi uma troca burocrática de partido. Foi uma cena de reposicionamento completo. E respondeu no mesmo idioma, o da pancada direta, sem verniz e sem cerimônia. A eleição para o governo do Paraná começou a ganhar forma no instante em que Moro deu a mão a Flávio Bolsonaro. Requião Filho escolheu não contemporizar. Escolheu transformar essa imagem em peça de acusação.

Portanto, a eleição paranaense tende a passar longe da monotonia, se depender de Requião Filho. O pedetista sinaliza que vai sustentar a linha de confronto pesado contra Moro até o dia da votação, em 4 de outubro.

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