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Janela partidária vira rali da degola no Paraná

O governador Ratinho Junior (PSD) decidiu ficar no cargo até o fim do mandato, o senador Sergio Moro entrou no PL e, no mesmo movimento, o partido no Paraná implodiu com a saída do deputado Fernando Giacobo do comando estadual. Faltando poucos dias para o fechamento da janela partidária, em 3 de abril, a política paranaense entrou naquele estágio em que deputado vira estatístico de si mesmo e dirigente passa a falar mais de planilha do que de ideologia.

É nesse ambiente que se decide boa parte da próxima bancada federal do Paraná. A janela não é mero detalhe de calendário. Ela virou a última pista para quem quer trocar de abrigo, escapar de chapa pesada ou tentar pousar numa nominata que entregue voto, fundo e sobrevivência. Nos bastidores, a conta é brutal: dos 30 deputados federais do estado, algo entre 40% e 50% aparece hoje na linha de corte, segundo a leitura de operadores ouvidos pelo Blog do Esmael.

A título de comparação, na eleição de 2022, a bancada do Paraná na Câmara dos Deputados teve 36,7% de renovação. Dos trinta parlamentares eleitos, 19 foram reeleitos naquele pleito.

No campo progressista, a escolha foi pelo pragmatismo em 2026. A Federação Brasil da Esperança, formada por Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), entra nessa reta final com a lógica de empilhar bons de voto e puxadores regionais. Ao redor dela, Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Partido Socialista Brasileiro (PSB) também trabalham para ampliar presença na Câmara, fortalecer o palanque de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado e sustentar uma largada competitiva de Requião Filho (PDT) ao governo. A federação existe formalmente desde 2022 e Gleisi anunciou em janeiro a pré-candidatura ao Senado.

Na apuração do Blog do Esmael, esse bloco entra no rali com um primeiro pelotão formado por Renato Freitas, Roberto Requião, Zeca Dirceu, Carol Dartora, Aliel Machado, Arilson Chiorato, Tadeu Veneri, Luciano Ducci e Ana Júlia Ribeiro. É a turma que hoje aparece com musculatura eleitoral, densidade regional ou potencial de puxar legenda.

Do outro lado, a direita e o centrão se meteram num funil mais perigoso. O “Dia do Fico” de Ratinho complicou os planos do PSD. A entrada de Moro no PL apertou a disputa por espaço. E a queda de Giacobo do comando liberal mostrou que o rearranjo não seria cosmético. Filipe Barros assumiu o partido no estado com a missão de transformar o PL num eixo de polarização, enquanto o grupo de Ratinho tenta impedir que a nova casa de Moro vire o grande ímã da direita paranaense.

No núcleo mais ideológico desse campo, o bloco Moro-Deltan-Filipe Barros trabalha com nomes que aparecem hoje entre os mais competitivos para a Câmara: Cristina Graeml, Sargento Fahur, Jeffrey Chiquini, Rosangela Moro, Guilherme Kilter e Delegado Tito Barichello. A aposta ali é simples: menos dispersão, mais identidade e uma chapa com cara de confronto.

Na futura União Progressista, que reúne União Brasil e Progressistas (PP) e ainda depende de validação final no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o clima segue de noiva cobiçada. Se a federação passar, vira abrigo de peso para nomes como Marcelo Belinati, Matheus Laiola, Ricardo Barros, Tião Medeiros, Dilceu Sperafico, Paulo Litro, Jocelito Canto e Toninho Wandscheer. É uma chapa que mistura máquina, interior, voto temático e estrutura partidária. Só que a federação chegou à semana decisiva sob resistência interna e pressão regional.

No centrão puro, o comentário que mais se ouve é que o PSD perdeu a aura de superbancada. Beto Preto, Sandro Alex e o próprio Giacobo circulam como peças de um bloco ainda em montagem. No Republicanos, Pedro Lupion e Newton Bonin aparecem bem posicionados. No Podemos, Felipe Francischini tenta preservar um espaço próprio. Na federação PSDB-Cidadania, Beto Richa continua sendo nome graúdo para a disputa federal. O desenho final dessas chapas vai dizer quem chega competitivo e quem termina a janela com a sensação de que escolheu o barco errado.

É aí que o desespero corre solto nos comitês políticos. Tem deputado atrás de cacique, marqueteiro, pastor, advogado, estatístico e até do sujeito que vende “matemágica” em PowerPoint. Todo mundo promete a mesma coisa: chapa viável, voto concentrado e uma fatia respeitável do fundão. Nem sempre entrega.

O pavor que ronda os gabinetes é o chamado “Efeito Luizão”, lembrança amarga de 2022, quando Luizão Goulart teve 96.543 votos e, ainda assim, ficou fora da Câmara porque seu partido não alcançou o quociente eleitoral. Desde então, as chapas passaram a caçar com lupa candidatos de votação intermediária, na casa de 15 mil a 30 mil votos, aqueles que não chegam como estrelas, mas ajudam a empurrar a legenda até a linha de corte e podem abrir a vaga que decide a sobrevivência de um grupo em Brasília.

O dado político desta reta final é outro. Enquanto o campo progressista trabalha para maximizar bancada e espalhar palanques, a direita ainda acerta contas depois do choque provocado por Ratinho e Moro. Quem errar o cálculo agora pode descobrir tarde demais que a janela partidária não foi porta de saída. Foi guilhotina.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: Entenda como o quociente partidário define as vagas; Entenda como funciona o voto proporcional; Entenda quociente, legenda, coligação e federação