O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja iniciar o quarto mandato, em 5 de janeiro de 2027, com 40 ministérios. O número é o maior desde a redemocratização e supera os 39 do segundo mandato de Dilma Rousseff, segundo relatos publicados pelo Poder360 em 7 de novembro de 2026.
A Esplanada tem 38 pastas no mandato atual. Lula começou o terceiro governo com 37. Fernando Henrique Cardoso chegou a 30 ministérios; Michel Temer, a 29; Jair Bolsonaro, a 23. Fernando Collor iniciou com 16. O recorde pertence a Dilma, com 39 no segundo mandato.
O primeiro passo é o Ministério da Segurança Pública. O Senado aprovou a PEC da Segurança em 3 de novembro, e o governo prepara o desmembramento da pasta da Justiça. Com a nova estrutura, Lula iguala os 39 ministérios de Dilma. O recorde seria superado com o Ministério do Idoso, ainda em discussão preliminar. Um terceiro órgão, o da Comunicação Digital, também está em estudo, mas em estágio mais inicial, com tendência de ficar subordinado à Secretaria de Comunicação Social (Secom), que tem status de ministério.
Segundo relatos publicados pelo jornal O Globo, o novo Ministério da Segurança Pública terá foco inicial no combate ao crime organizado, ao feminicídio e ao roubo de celulares. A estrutura deve abrigar Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais, Secretaria Nacional de Segurança Pública, Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Força Nacional. O Orçamento de 2027 prevê R$ 27,52 bilhões para a estrutura integrada da Justiça e Segurança, sem dotação específica para a nova pasta. Lula ainda não indicou o ministro. A medida provisória deve ficar para depois da viagem do presidente à Ásia, com retorno previsto para 16 de novembro.
O aumento da máquina deve alimentar críticas sobre tamanho e custo. O tema tende a reaparecer na discussão do Orçamento de 2027. A criação de ministérios exige reorganização de recursos, cargos e estruturas administrativas, ainda que parte das despesas possa ser remanejada de órgãos existentes. Auxiliares do governo afirmam que a divisão da Justiça não criaria cargos nem aumentaria gastos com pessoal, além do posto de ministro.
Para o governo, as pastas respondem a gargalos da gestão: segurança pública, envelhecimento da população e regulação das plataformas digitais. A expansão também atende a promessas de campanha e ao desafio de acomodar aliados e partidos do Centrão em um governo que precisará de apoio no Congresso.
A composição é política. A lista de cotados para o Lula 4 mistura quadros do PT e de partidos aliados. Entre os nomes estão Silvio Costa Filho (Republicanos), Renan Filho (MDB) e Eduardo Paes (PSD). O PSD também deve indicar o ministro da Pesca. Ao menos três nomes ganharam força nas últimas semanas: o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cotado para a Fazenda; o senador Camilo Santana (PT-CE), para a Casa Civil; e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Nenhum deles recebeu convite formal conhecido.
Do mercado financeiro, voltou a circular o nome de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, como possível ministro da Fazenda. O ex-ministro Fernando Haddad (PT) também é citado para três pastas. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) é lembrado para a Defesa e a Fazenda.
O número final depende da acomodação de aliados e do espaço que o governo terá no Congresso. Cada pasta nova cria estrutura, cargos de confiança e despesa de custeio, mesmo quando o pessoal é remanejado. O Orçamento de 2027, enviado ao Congresso em agosto, ainda não foi votado.
O leitor paga essa conta de duas formas: pelo financiamento da máquina e pela definição de prioridades em saúde, educação e segurança. A disputa por pastas também antecipa o mapa de poder do novo governo e as alianças que sustentarão a base no Legislativo.
A cobertura completa sobre a formação do governo Lula 4 está no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




