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Real Time derruba Moro e aperta disputa pelo segundo turno

Sergio Moro (PL) aparece com 35% das intenções de voto para o Governo do Paraná na pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta sexta-feira, 28 de agosto, enquanto Sandro Alex (PSD) tem 23% e Requião Filho (PDT), 20%. O levantamento foi realizado entre 24 e 27 de agosto com 1.600 eleitores, tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-07845/2026.

A fotografia chama atenção porque saiu apenas um dia depois da Neokemp mostrar Moro com 46,9%, Requião Filho com 23,3% e Sandro Alex com 17,7%. Dois dias antes, a Quaest havia registrado Moro com 37%, Requião com 21% e Sandro com 15%.

São três pesquisas divulgadas em quatro dias, com três retratos diferentes da mesma disputa. O dado mais relevante, portanto, não é apenas o percentual de Moro, mas a distância entre os institutos e o efeito dessa diferença sobre a briga pelas duas vagas do segundo turno.

Na Real Time, Moro lidera com 35%, 12 pontos à frente de Sandro Alex e 15 pontos acima de Requião Filho. Sandro e Requião estão tecnicamente empatados, já que a diferença de três pontos é superior à margem de erro de dois pontos, mas os intervalos das estimativas se aproximam: Sandro varia aproximadamente entre 21% e 25%, enquanto Requião fica entre 18% e 22%.

Luiz França (Missão) marca 2%, outros nomes somam 1%, brancos e nulos representam 6% e 13% não souberam ou não responderam.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados, Moro aparece com 16%, Sandro Alex com 9% e Requião Filho com 7%. Ratinho Junior (PSD) ainda é citado por 4% dos entrevistados. O dado mais expressivo é o contingente de 51% que não sabe ou não respondeu.

A comparação com a Neokemp é a que mais produz ruído. Entre os dois levantamentos, Moro passa de 46,9% para 35%, uma diferença de 11,9 pontos. Sandro Alex vai de 17,7% para 23%, enquanto Requião Filho recua de 23,3% para 20%.

A Neokemp entrevistou 1.008 eleitores entre os dias 25 e 26 de agosto e apresentou margem de erro de 3,1 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Jornal O Correio do Povo e está registrado no TSE sob o número PR-04449/2026. A metodologia registrada utiliza entrevistas telefônicas automatizadas por URA.

A diferença metodológica importa. A Real Time utilizou 1.600 entrevistas e margem de erro de dois pontos, enquanto a Neokemp trabalhou com 1.008 entrevistas e margem de erro de 3,1 pontos. Os levantamentos também utilizam procedimentos distintos de coleta. Por isso, a diferença de 11,9 pontos entre Moro nas duas pesquisas não pode ser automaticamente interpretada como uma queda real de 11,9 pontos no eleitorado.

O mesmo cuidado vale para a comparação com a Quaest. Divulgada em 24 de agosto, a pesquisa ouviu presencialmente 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos e 95% de confiança. Moro tinha 37%, Requião Filho, 21%, e Sandro Alex, 15%. O registro foi PR-05388/2026.

Na comparação com a Quaest, a Real Time mostra Moro dois pontos abaixo, Requião Filho um ponto abaixo e Sandro Alex oito pontos acima. A variação de Moro está dentro da margem de erro dos dois levantamentos, enquanto a diferença de Sandro é mais ampla do que a margem de erro individual.

O intervalo de campo também ajuda a explicar por que não se deve transformar as pesquisas em uma série contínua. A Quaest encerrou as entrevistas em 23 de agosto. A Real Time começou a coleta em 24 de agosto e terminou em 27. A Neokemp realizou seu campo praticamente no mesmo período, em 25 e 26 de agosto.

Assim, os levantamentos captaram momentos muito próximos da campanha, mas por métodos diferentes. A hipótese de que Moro tenha perdido terreno existe como leitura política, mas os números, isoladamente, não permitem afirmar que houve uma queda de 11,9 pontos em relação à Neokemp.

O que é inequívoco é que a vantagem de Moro aparece menor na Real Time do que na Neokemp. E isso altera a disputa pela segunda vaga.

Na Real Time, Sandro Alex chega a 23%, três pontos acima de Requião Filho. Como a margem de erro é de dois pontos, os dois permanecem em situação de empate técnico.

A disputa ganha ainda mais importância porque o cenário de segundo turno mostra uma diferença pequena entre os dois adversários de Moro.

Se o confronto for entre Sergio Moro e Sandro Alex, Moro aparece com 44%, contra 32% do candidato do PSD. Brancos e nulos somam 13%, enquanto 11% não sabem ou não responderam.

Contra Requião Filho, Moro amplia a vantagem: 54% contra 27%, com 10% de brancos e nulos e 9% de indecisos.

Já no cenário sem Moro, Sandro Alex aparece com 35%, contra 30% de Requião Filho. Brancos e nulos somam 17% e 18% não sabem ou não responderam.

Esse último confronto é o dado político mais importante da nova rodada. Sandro supera Requião por cinco pontos no cenário direto, mas a diferença continua dentro de uma leitura de proximidade quando considerada a margem de erro.

A fotografia também mostra que o segundo turno continua longe de estar definido. Moro lidera o primeiro turno e vence os dois adversários nos cenários em que aparece, mas a composição da segunda rodada ainda depende da disputa entre Sandro e Requião.

Há outro dado que ajuda a dimensionar o cenário: a rejeição. Requião Filho aparece com 41%, Sergio Moro com 39% e Sandro Alex com 29% na Real Time.

A pesquisa, portanto, apresenta uma contradição eleitoral importante para os três principais nomes. Moro lidera, mas sua vantagem oscila fortemente entre institutos. Requião mantém posição competitiva, porém carrega rejeição elevada. Sandro ainda está atrás de Moro, mas cresce na fotografia da Real Time e aparece à frente de Requião no primeiro turno e no confronto direto entre os dois.

O resultado também recoloca uma pergunta para os comandos de campanha: qual pesquisa está mais próxima da fotografia real do eleitorado?

A resposta não está em escolher o instituto cujo número mais agrada cada grupo político. Está na metodologia, no período de campo, na composição da amostra e na repetição dos resultados ao longo das próximas rodadas.

Por enquanto, a conclusão segura é outra: Moro continua líder, mas a distância para os adversários não aparece igual em todas as pesquisas; e a segunda vaga está oficialmente embolada entre Sandro Alex e Requião Filho.

Com 51% de eleitores sem resposta na pesquisa espontânea, o eleitorado ainda apresenta espaço relevante para mudança. A campanha entrou justamente na fase em que conhecimento dos candidatos, propaganda, debates e ataques podem alterar a distribuição desses votos.

A Real Time, nesse sentido, não prova sozinha que Moro despencou. Ela produz algo mais importante: uma fotografia que contrasta fortemente com a Neokemp e obriga as campanhas a olhar para a dispersão dos levantamentos antes de comemorar ou entrar em pânico.

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