O governador Ratinho Júnior (PSD) mantém o suspense sobre quem será o escolhido do grupo governista para disputar o Palácio Iguaçu em 2026. Mas, nos bastidores, o método já está em curso — e reflete um jogo político que vai além das fronteiras do Paraná.
Ratinho distribuiu “cavalos encilhados” a seus principais aliados. Cada um recebeu estrutura, visibilidade ou missão específica. Caberá a eles provar que têm força política e capacidade eleitoral para defender o projeto do grupo nas urnas contra o senador Sergio Moro (União).
Quem está no páreo?
Entre os nomes em evidência estão Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, que articula nos bastidores e intensificou sua agenda pública; Guto Silva, secretário das Cidades, que percorre o interior com promessas de obras; Rafael Greca, secretário da Sustentabilidade e ex-prefeito de Curitiba, que grudou no prefeito Eduardo Pimentel; e Darci Piana, vice-governador, que carrega o peso institucional do cargo e respaldo do empresariado. Também aparecem os secretários Beto Preto (Saúde), Sandro Alex (Infraestrutura) e o vice curitibano Paulo Martins, ainda em compasso de espera, prestes a migrar de partido.

O cálculo nacional de Ratinho
Enquanto observa o desenrolar da disputa estadual, Ratinho Júnior projeta o próximo movimento no tabuleiro nacional. A fragmentação da direita — com um provável candidato da família Bolsonaro e o recuo estratégico do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — pode abrir caminho para o PSD assumir protagonismo em 2026. Nesse cenário, Ratinho emerge como alternativa viável para o Planalto, com discurso moderado e perfil de gestor.
A ausência do governador paranaense na manifestação bolsonarista da Avenida Paulista, no dia 29, foi mais um indicativo dessa estratégia. Diferente de abril, quando subiu ao palanque e pediu anistia para o ex-presidente, Ratinho agora opta pela cautela e pelo distanciamento tático.
Leia também:
- Alexandre Curi propõe plano estratégico para a Região Metropolitana de Curitiba
- Bolsonaro usa ato na Paulista para reforçar discurso anti-STF e projetar 2026
- Faria Lima quer Tarcísio no Planalto sem Lula nem Bolsonaro
- Lula tem 40% de aprovação; Nordeste sustenta governo
- Moro lidera governo do Paraná em 2026; segundo lugar embolado entre Requião, Greca e Curi
- Cristina Graeml lidera; Curi consolida 2º lugar ao Senado
Moro: o obstáculo local
Embora Sergio Moro não seja um adversário declarado do governo estadual — ao contrário da postura crítica que adota em relação ao presidente Lula —, ele é, na prática, o maior obstáculo ao projeto de poder do grupo de Ratinho no Paraná. Com recall nacional e apoio considerável no estado, Moro lidera as pesquisas para o governo e já se coloca como o nome a ser batido.
Até abril de 2026, o “método Ratinho” seguirá em campo. Mas, no xadrez político, cada cavalo encilhado precisa mostrar serviço. O futuro do Paraná — e talvez do próprio Ratinho — dependerá de quem cruzar primeiro a linha de chegada.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




