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Ratinho Júnior põe Porto de Paranaguá na roda da B3 e arrisca apagão logístico

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Sem debate, governo Ratinho Júnior leva Porto de Paranaguá a leilão nesta quarta-feira

Sem consulta pública efetiva e longe dos olhos da população, o governador Ratinho Júnior (PSD) avança para privatizar três áreas estratégicas do Porto de Paranaguá. O leilão está marcado para esta quarta-feira, dia 30, na bolsa de valores B3, em São Paulo.

No evento de prefeitos em Curitiba, o 2º EMUPAR, Ratinho Júnior apressou sua fala para justificar a viagem a São Paulo:

“Amanhã cedo estarei na bolsa de valores para realizar o maior leilão portuário da história da B3.”

Enquanto políticos aplaudiam entusiasmados, o povo paranaense segue alheio ao risco de ver um de seus maiores patrimônios estratégicos transferido para mãos privadas pelos próximos 35 anos — renováveis.

O modelo “privatiza tudo” e o fantasma do apagão logístico

O modelo de gestão adotado por Ratinho Júnior — de vender ativos estratégicos como Copel e agora áreas do Porto de Paranaguá — segue uma cartilha perigosa: mínima participação estatal, capital disperso e controle difuso.

Esse modelo foi copiado de países como Espanha e Portugal, que privatizaram seus setores de energia e hoje sofrem as consequências.

Não por acaso, ontem (28/4), a Península Ibérica enfrentou um apagão histórico, paralisando trens, metrôs e serviços públicos.

Lá, como aqui, a participação modesta do Estado e a pulverização dos ativos dificultam a resposta rápida a crises.

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No Paraná, especialistas já alertam: a mesma lógica aplicada ao Porto pode resultar em apagão logístico, afetando exportações, cadeias produtivas e empregos — com impactos drásticos para toda a economia do Sul do Brasil.

O que será privatizado no leilão da B3?

  • PAR14
    Área: 82,4 mil m²
    Granéis sólidos vegetais (soja, milho)
    Investimentos exigidos: R$ 529 milhões + R$ 477 milhões
  • PAR15
    Área: 43,2 mil m²
    Granéis sólidos vegetais
    Investimentos exigidos: R$ 293 milhões + R$ 311 milhões
  • PAR25
    Área: 43,4 mil m²
    Granéis sólidos vegetais
    Investimentos exigidos: R$ 233 milhões + R$ 331 milhões

Cada concessão prevê 35 anos de administração privada, com obrigações de investimento já nos primeiros anos.

Portos do Paraná comemora, mas quem paga a conta?

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As três áreas do Porto de Paranaguá que foram colocadas à leilão são denominadas PAR14, PAR15 e PAR25. Foto: reprodução/APPA

A Portos do Paraná, empresa pública que administra Paranaguá e Antonina, comemora a regularização total das áreas e o recorde de interesse no leilão.

Seu presidente, Luiz Fernando Garcia, exalta:

“Demonstração de robustez, seriedade e segurança jurídica.”

Entretanto, para movimentos sociais, sindicatos e analistas críticos, o que se desenha é o risco de transformar um porto público de alta relevância em mera fonte de lucro para grupos privados, replicando o que se viu no setor energético espanhol e português.

Ratinho Júnior mira 2026, mas o Paraná pode pagar o preço

Nos bastidores, a pressa em vender ativos é vista como parte do projeto político de Ratinho Júnior: construir uma imagem de gestor eficiente para se credenciar a vôos mais altos — inclusive uma candidatura à Presidência da República em 2026.

Mas vender pedaços do estado como se fossem mercadorias comuns pode se revelar uma armadilha.
Especialmente se vierem os apagões logísticos, as tarifas abusivas e a perda do controle público sobre áreas-chave para o desenvolvimento econômico.

Tudo sobre o leilão do Porto de Paranaguá

O que será privatizado no Porto de Paranaguá?

Três áreas operacionais de granéis sólidos vegetais serão concedidas por 35 anos para empresas privadas.

Quando ocorrerá o leilão?

O leilão está agendado para esta quarta-feira, dia 30 de abril, às 10h, na bolsa B3 em São Paulo.

Qual o risco para o Paraná?

A privatização desordenada pode provocar um apagão logístico, dificultando exportações e impactando a economia estadual.

O que o apagão na Espanha e Portugal tem a ver com isso?

Espanha e Portugal adotaram o mesmo modelo de capital disperso e privatizações extensivas no setor energético, o que contribuiu para a incapacidade de evitar o apagão que paralisou serviços públicos ontem (28).

Paranaguá na prateleira e o Paraná à deriva?

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A pressa em privatizar o que é público não é modernização: é abdicar da soberania em nome de lucros privados.

O apagão na Península Ibérica é um recado em alto e bom som: vender tudo, pulverizar o controle e enfraquecer o Estado é receita para tragédias anunciadas.

Será que o Paraná vai esperar o apagão logístico chegar para entender o tamanho da encrenca?

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