Índice de Tópicos
- Sem debate, governo Ratinho Júnior leva Porto de Paranaguá a leilão nesta quarta-feira
- O modelo “privatiza tudo” e o fantasma do apagão logístico
- O que será privatizado no leilão da B3?
- Portos do Paraná comemora, mas quem paga a conta?
- Ratinho Júnior mira 2026, mas o Paraná pode pagar o preço
- Paranaguá na prateleira e o Paraná à deriva?
Sem debate, governo Ratinho Júnior leva Porto de Paranaguá a leilão nesta quarta-feira
Sem consulta pública efetiva e longe dos olhos da população, o governador Ratinho Júnior (PSD) avança para privatizar três áreas estratégicas do Porto de Paranaguá. O leilão está marcado para esta quarta-feira, dia 30, na bolsa de valores B3, em São Paulo.
No evento de prefeitos em Curitiba, o 2º EMUPAR, Ratinho Júnior apressou sua fala para justificar a viagem a São Paulo:
“Amanhã cedo estarei na bolsa de valores para realizar o maior leilão portuário da história da B3.”
Enquanto políticos aplaudiam entusiasmados, o povo paranaense segue alheio ao risco de ver um de seus maiores patrimônios estratégicos transferido para mãos privadas pelos próximos 35 anos — renováveis.
O modelo “privatiza tudo” e o fantasma do apagão logístico
O modelo de gestão adotado por Ratinho Júnior — de vender ativos estratégicos como Copel e agora áreas do Porto de Paranaguá — segue uma cartilha perigosa: mínima participação estatal, capital disperso e controle difuso.
Esse modelo foi copiado de países como Espanha e Portugal, que privatizaram seus setores de energia e hoje sofrem as consequências.
Não por acaso, ontem (28/4), a Península Ibérica enfrentou um apagão histórico, paralisando trens, metrôs e serviços públicos.
Lá, como aqui, a participação modesta do Estado e a pulverização dos ativos dificultam a resposta rápida a crises.
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No Paraná, especialistas já alertam: a mesma lógica aplicada ao Porto pode resultar em apagão logístico, afetando exportações, cadeias produtivas e empregos — com impactos drásticos para toda a economia do Sul do Brasil.
O que será privatizado no leilão da B3?
- PAR14
Área: 82,4 mil m²
Granéis sólidos vegetais (soja, milho)
Investimentos exigidos: R$ 529 milhões + R$ 477 milhões - PAR15
Área: 43,2 mil m²
Granéis sólidos vegetais
Investimentos exigidos: R$ 293 milhões + R$ 311 milhões - PAR25
Área: 43,4 mil m²
Granéis sólidos vegetais
Investimentos exigidos: R$ 233 milhões + R$ 331 milhões
Cada concessão prevê 35 anos de administração privada, com obrigações de investimento já nos primeiros anos.
Portos do Paraná comemora, mas quem paga a conta?

A Portos do Paraná, empresa pública que administra Paranaguá e Antonina, comemora a regularização total das áreas e o recorde de interesse no leilão.
Seu presidente, Luiz Fernando Garcia, exalta:
“Demonstração de robustez, seriedade e segurança jurídica.”
Entretanto, para movimentos sociais, sindicatos e analistas críticos, o que se desenha é o risco de transformar um porto público de alta relevância em mera fonte de lucro para grupos privados, replicando o que se viu no setor energético espanhol e português.
Ratinho Júnior mira 2026, mas o Paraná pode pagar o preço
Nos bastidores, a pressa em vender ativos é vista como parte do projeto político de Ratinho Júnior: construir uma imagem de gestor eficiente para se credenciar a vôos mais altos — inclusive uma candidatura à Presidência da República em 2026.
Mas vender pedaços do estado como se fossem mercadorias comuns pode se revelar uma armadilha.
Especialmente se vierem os apagões logísticos, as tarifas abusivas e a perda do controle público sobre áreas-chave para o desenvolvimento econômico.
Tudo sobre o leilão do Porto de Paranaguá
O que será privatizado no Porto de Paranaguá?
Três áreas operacionais de granéis sólidos vegetais serão concedidas por 35 anos para empresas privadas.
Quando ocorrerá o leilão?
O leilão está agendado para esta quarta-feira, dia 30 de abril, às 10h, na bolsa B3 em São Paulo.
Qual o risco para o Paraná?
A privatização desordenada pode provocar um apagão logístico, dificultando exportações e impactando a economia estadual.
O que o apagão na Espanha e Portugal tem a ver com isso?
Espanha e Portugal adotaram o mesmo modelo de capital disperso e privatizações extensivas no setor energético, o que contribuiu para a incapacidade de evitar o apagão que paralisou serviços públicos ontem (28).
Paranaguá na prateleira e o Paraná à deriva?
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A pressa em privatizar o que é público não é modernização: é abdicar da soberania em nome de lucros privados.
O apagão na Península Ibérica é um recado em alto e bom som: vender tudo, pulverizar o controle e enfraquecer o Estado é receita para tragédias anunciadas.
Será que o Paraná vai esperar o apagão logístico chegar para entender o tamanho da encrenca?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




