O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), mantém silêncio estratégico desde que a Polícia Federal deflagrou nova operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta, 18 de julho, com imposição de medidas restritivas. A ausência de posicionamento público contrasta com a rápida defesa manifestada por outros nomes da direita, como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Jorginho Mello (SC), além do senador Sergio Moro (União), pré-candidato ao Palácio Iguaçu.
Nos bastidores, o gesto de Ratinho é interpretado como cálculo eleitoral. Pré-candidato à Presidência da República em 2026, ele busca consolidar a imagem de “direita moderada” diante do esfarelamento da liderança bolsonarista no espectro conservador. O silêncio, porém, tem incomodado aliados e setores do próprio bolsonarismo no Paraná, que esperavam ao menos um gesto de solidariedade pública.
A operação da PF determinou o recolhimento domiciliar noturno de Bolsonaro, uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com investigados.
A medida foi cumprida na manhã de ontem pela PF em Brasília e faz parte de uma nova operação que apura crimes de obstrução de justiça, coação no curso do processo e atentado contra a soberania nacional.
O cerco jurídico reforçou entre correligionários a percepção de que sua prisão é iminente, com expectativa de detenção entre o fim de agosto e a Semana da Pátria, em setembro.
O Blog do Esmael apurou que aliados de Ratinho Júnior monitoram de perto a temperatura política do campo da direita. Há preocupação com a eventual ruptura do bolsonarismo e a necessidade de um novo polo aglutinador, papel que o governador paranaense se dispõe a ocupar. Contudo, ao não se pronunciar, corre o risco de desagradar tanto bolsonaristas quanto eleitores que esperam firmeza institucional.
Já Sergio Moro, adversário local do grupo de Ratinho em 2026, preferiu posicionar-se rapidamente em favor de Bolsonaro. O ex-juiz da Lava Jato, hoje senador, classificou as medidas da PF como “injustas” e “desproporcionais”, tentando capitalizar parte do eleitorado conservador órfão do ex-presidente.
A postura ambígua de Ratinho Júnior expõe um dilema clássico. Ao se descolar de Bolsonaro, tenta ocupar um espaço mais amplo à direita, mas ao se omitir, corre o risco de ser lido como oportunista. No xadrez de 2026, o tempo das palavras também é o tempo do poder.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





Quando um político fica em silêncio ele perde protagonismo, e não mostra seu potencial vigor sociológico para a função de liderar!
Como evangélico que é, sofre uma pressão invencível do meio religioso, sendo que para ampliar seus horizontes, ele precisa enxergar o lado laico do Estado.
Se Jesus aceitou o Estado, (daí a Cesar o que é de Cesar), porque um governador no dias atuais teria que fazer diferente do mestre! Ou será que ele teria outro mestre?!