O senador Sergio Moro (PL) e o deputado estadual Requião Filho (PDT) chegam a abril como as duas pré-candidaturas mais adiantadas ao Palácio Iguaçu. Moro se filiou ao PL há poucas semanas, Requião Filho confirmou a pré-candidatura esta semana, e o bloco do governador Ratinho Junior (PSD) continua sem cabeça de chapa fechada, dividido entre Guto Silva (PSD), Alexandre Curi (Republicanos) e Rafael Greca (MDB).
A nova rodada da Paraná Pesquisas aumentou essa pressão contra o Palácio Iguaçu. O levantamento registrado para o Paraná prevê 1.500 entrevistas entre hoje (10) e domingo (12), margem de erro de 2,6 pontos e divulgação na segunda-feira (13). O estudo foi contratado pelo PL, partido de Moro, e o próprio calendário da pesquisa passou a ser lido como teste de resistência para a base governista.
Os números mais recentes ajudam a explicar por que Moro e Requião Filho aparecem mais consolidados. Em março, a Paraná Pesquisas mostrou Moro na frente em todos os cenários, com 44% a 47%, enquanto Requião Filho variou de 20,4% a 26%. No começo de abril, a AtlasIntel voltou a pôr Moro acima de 50% no primeiro turno, com Requião Filho na segunda colocação, entre 27% e 30,6%.
No campo de Ratinho, o retrato é de incertezas. Guto Silva reconheceu publicamente a ansiedade pela definição e admitiu que disputa o apoio do governador contra Curi e Greca. Curi trocou o PSD pelo Republicanos no começo de abril para disputar o governo. Greca, já no MDB, voltou a se colocar no páreo no fim de março. Em outra sondagem da AtlasIntel, Curi apareceu como o governista mais bem posicionado, mas ainda atrás de Moro e Requião Filho.
Isso explica a leitura que corre na Praça 29 de Março, ponto de encontro do mundo político aos domingos na capital paranaense. Moro já tem partido, discurso, palanque nacional e liderança nas pesquisas. Requião Filho já tem candidatura assumida e tenta ocupar o espaço de oposição com apoio petista. Já o Palácio Iguaçu continua rodando entre nomes, combinações e acomodações, sem conseguir transformar o peso administrativo do governo numa sucessão linear.
No meio desse entrevero, surgiu ainda Tony Garcia, que se filiou à Democracia Cristã (DC) e entrou em campo numa candidatura assumidamente anti-Moro. O movimento acrescenta lenha na fogueira, porque tenta reabrir no debate eleitoral a memória da Operação Lava Jato em Curitiba e criar um polo específico de confronto com o senador.
O problema para Ratinho é que a aposta na transferência automática de votos já não passa intacta pelo mundo político. Na reta final de março, ele desistiu da corrida presidencial e decidiu ficar no governo até o fim do mandato. Na quarta (8), documentos enviados à CPI do Crime Organizado colocaram empresas do Grupo Massa, de seu pai, sob os holofotes por ao menos R$ 24 milhões em repasses do Banco Master.
Esse desgaste não apaga um dado relevante. A própria Paraná Pesquisas mediu, em março, aprovação de 84,3% para a gestão Ratinho. Mas aprovação administrativa não é sinônimo automático de comando político sobre a sucessão. Se fosse, a base já estaria unificada, Curi não teria atravessado a janela para o Republicanos, Greca não estaria em pré-campanha pelo MDB e Guto não estaria cobrando definição em público.
A sucessão do Paraná, portanto, entrou numa fase em que o fato central é menos a força isolada de Moro do que a incapacidade do governismo de fechar fileiras. A rodada que será divulgada na segunda-feira pode mexer nos percentuais. Não muda, por ora, o essencial: Moro e Requião Filho já estão na pista, enquanto Ratinho ainda procura quem vai dirigir o carro do seu grupo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




