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Quaest traz empate “salomônico” pelo Senado no Paraná

A Quaest colocou quatro candidatos num mesmo pelotão na disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado a dez dias do primeiro turno de 4 de outubro. Na combinação dos dois votos, Alexandre Curi (Republicanos) aparece com 14%, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) têm 11% cada, enquanto Gleisi Hoffmann (PT) registra 10%.

A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira, 24 de setembro, ouviu 804 eleitores paranaenses entre 20 e 23 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, e registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-02802/2026.

É um resultado “salomônico” no sentido político da expressão: há duas cadeiras disponíveis, mas a fotografia da Quaest não separa com segurança os quatro nomes que formam o grupo da frente. A margem de erro faz as faixas estimadas de Curi, Deltan, Filipe e Gleisi se sobreporem.

A eleição para senador ocorre em turno único. Em 4 de outubro, cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes para renovar duas das três cadeiras paranaenses no Senado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirma que 54 das 81 vagas da Casa estarão em disputa nas eleições de 2026.

Na combinação das duas escolhas, a Quaest apresenta o seguinte quadro:

  • Alexandre Curi (Republicanos): 14%
  • Deltan Dallagnol (Novo): 11%
  • Filipe Barros (PL): 11%
  • Gleisi Hoffmann (PT): 10%
  • Dr. Rosinha (PT): 5%
  • Cristina Graeml (PSD): 5%
  • Karen Guerreiro (Missão): 1%
  • Marcelo Marcelino (PCO): 1%
  • Joaquim do MLB (UP): 0%
  • Indecisos: 29%
  • Branco, nulo ou não pretende votar: 13%

A comparação com a rodada divulgada em 24 de agosto reforça a dificuldade de transformar diferenças pequenas em tendência eleitoral. Curi passou de 15% para 14%. Deltan avançou de 9% para 11%. Filipe também foi de 9% para 11%. Gleisi oscilou de 11% para 10%.

São variações de um ou dois pontos percentuais, todas inferiores à margem de erro de três pontos da pesquisa. Isoladamente, portanto, elas não permitem afirmar estatisticamente que houve crescimento ou queda efetiva de qualquer um dos quatro.

O dado mais pesado está fora dos nomes. Mesmo na modalidade estimulada, 29% ainda não sabem como distribuir seus votos. Somados aos 13% que declaram branco, nulo ou ausência, são 42% das menções sem candidato definido na combinação apresentada pela Quaest.

Na pergunta espontânea, quando o entrevistador não apresenta a lista de candidatos, a indefinição é ainda maior: 76% não souberam citar nenhum nome.

Deltan aparece com 6% espontaneamente. Gleisi e Curi registram 4% cada, Filipe tem 3%, Dr. Rosinha e Cristina Graeml aparecem com 2% cada.

Esse indicador mede sobretudo a lembrança espontânea do eleitor. Não equivale ao resultado da urna, mas mostra quanto espaço permanece aberto para a definição das duas escolhas na reta final.

A decomposição entre primeiro e segundo voto ajuda a explicar por que a disputa pelo Senado é mais complexa que uma corrida convencional por apenas uma vaga.

Na primeira escolha, Curi marca 18%. Deltan e Gleisi têm 16% cada. Filipe aparece com 10%. Na segunda escolha, a ordem nominal muda: Filipe registra 12%, Curi 9%, Cristina Graeml e Dr. Rosinha 7% cada, Deltan 6% e Gleisi 5%.

A segunda vaga, portanto, não é uma simples repetição da primeira preferência. O eleitor precisa formar uma dupla, e a capacidade dos candidatos de conquistar também o segundo voto pode alterar a composição final das duas cadeiras.

A própria Quaest encontrou 35% de indecisos especificamente na pergunta sobre a segunda escolha, contra 23% na primeira. Outros 16% apontam branco, nulo ou ausência no segundo voto.

Há outro componente de volatilidade. Para 58% dos entrevistados, a escolha declarada já é definitiva. Outros 42% afirmam que ainda podem mudar até 4 de outubro.

Os quatro integrantes do pelotão também chegam à reta final com perfis diferentes de conhecimento e rejeição.

Curi é conhecido e admitido como opção de voto por 40%, enquanto 36% dizem não conhecê-lo e 24% afirmam que não votariam nele. Deltan tem 27% que dizem conhecê-lo e poder votar, 54% que não o conhecem e 19% que não votariam. Filipe registra 27%, 51% e 22%, respectivamente.

Gleisi apresenta situação distinta: apenas 18% dizem não conhecê-la, mas 56% afirmam conhecê-la e não votar nela; 26% dizem que poderiam escolhê-la. Esses percentuais medem potencial e rejeição declarados pela pesquisa, não previsão do resultado eleitoral.

Deltan acrescenta ao quadro uma variável jurídica. O Tribunal Superior Eleitoral mantém suspensos seus atos de campanha, embora seu registro tenha sido mantido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). A suspensão alcança atos eleitorais, propaganda gratuita e uso de recursos públicos enquanto o mérito não for decidido definitivamente.

O próprio Blog do Esmael mostrou nesta quinta-feira, 24 de setembro, que a manutenção do registro pelo TRE-PR não revogou a cautelar do TSE.

A fotografia da Quaest, portanto, não autoriza escolher antecipadamente os ocupantes das duas cadeiras. Ela mostra algo mais concreto: quatro candidaturas próximas, enorme indefinição no voto espontâneo e uma segunda escolha ainda mais aberta que a primeira.

A dez dias da votação, o Senado talvez seja a eleição dentro da eleição no Paraná.

Acompanhe no Blog do Esmael a reta final das pesquisas, as decisões da Justiça Eleitoral e a disputa pelas duas vagas paranaenses no Senado.