PT diz que Bolsonaro pode fugir como Zambelli

A direção nacional do PT fez uma grave acusação nesta quarta-feira (4): o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria preparando uma fuga do Brasil, a exemplo de seus aliados mais próximos — Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli. A legenda diz que o cerco jurídico está apertando e insinua que a debandada da ala radical bolsonarista já começou.

A crítica foi feita nas redes sociais do partido, com uma postagem provocadora:

“Se até a seguidora mais fiel de Bolsonaro tá fugindo da Justiça… por que ele não faria o mesmo?”

O comentário mira diretamente na deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo STF a 10 anos e 8 meses de prisão por invasão ao sistema do CNJ e falsidade ideológica. Mesmo antes da ordem de prisão ser expedida, Zambelli já havia deixado o país rumo à Europa, segundo ela mesma admitiu em entrevista à rádio bolsonarista Jovem Pan. De fora, prometeu pedir licença do mandato, mas sem abrir mão de continuar propagando fake news — desta vez em solo estrangeiro.

A insinuação do PT ecoa uma suspeita crescente nos bastidores de Brasília: a de que Bolsonaro pode tentar escapar do alcance da Justiça brasileira. Ele é alvo de múltiplas investigações no STF, na PGR e na Polícia Federal, incluindo os inquéritos sobre tentativa de golpe, fraude em cartões corporativos, e as articulações ilegais com militares nos Estados Unidos.

Após a fuga, o ministro do STF Alexandre de Moraes decretou a prisão de Zambelli. O magistrado determinou ainda o bloqueio dos passaportes (inclusive o diplomático) e do salário de deputada e de qualquer outra verba de gabinete paga pela Câmara. 

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“Se até a seguidora mais fiel de Bolsonaro tá fugindo da Justiça… por que ele não faria o mesmo?” Foto: reprodução/IG

Gleisi: “Conspiração dos fugitivos”

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, também entrou no embate. Em tom direto, ela classificou a movimentação dos bolsonaristas como uma “conspiração dos fugitivos contra a Justiça e a soberania do Brasil”.

“Zambelli junta-se a Eduardo Bolsonaro na conspiração dos fugitivos. Ela, condenada por seus crimes, e ele, alvo de investigação, mentem e difamam nosso país”, escreveu Gleisi em sua conta no X (antigo Twitter).

Gleisi lembrou que o Brasil escapou de um golpe em 2022 e que Bolsonaro ainda idolatra a ditadura militar e seus torturadores — uma sombra que volta a rondar o debate político em ano pré-eleitoral.

“Ditadura estaríamos vivendo se vingasse a tentativa de golpe para manter Bolsonaro no poder. Os conspiradores fugitivos querem intervenção externa no Judiciário, o que Lula já declarou inadmissível. Este país é soberano, é uma democracia, tem leis e Constituição que todos devem respeitar.”

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Eduardo, Zambelli e o padrão de fuga

As declarações vêm após um rastro de ações coordenadas entre membros do núcleo duro do bolsonarismo. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, mantém agenda intensa nos EUA, onde faz lobby contra o STF e pela deslegitimação do processo eleitoral de 2022. Nos bastidores, aliados do Planalto acreditam que ele também poderá ser alvo de mandado de prisão, a depender dos desdobramentos dos inquéritos no Supremo.

Carla Zambelli, por sua vez, não apenas antecipou sua fuga como tenta agora blindar-se com a cidadania estrangeira. A deputada tem dupla nacionalidade e anunciou que pretende se basear “na Europa” — sem especificar país ou endereço. Moraes acatou o pedido da Procuradoria-Geral da República com pedido de prisão internacional.

A movimentação de ambos é vista como um balão de ensaio: testam os limites do sistema judicial e sondam a reação do Palácio do Planalto, do Congresso e da opinião pública. Mas o recado do PT e de Gleisi foi claro: o Brasil não aceitará interferência externa nem tentativas de impunidade transnacional.

“Conspiração dos fugitivos”?

O que está em curso não é apenas uma disputa política, mas um embate direto contra o Estado de Direito. A eventual fuga de Bolsonaro colocaria o Brasil diante de um novo dilema institucional, semelhante ao que ocorre em países como El Salvador e Guatemala, onde ex-presidentes foragidos se tornaram símbolo de regimes corroídos pela impunidade.

Ao denunciar o que chamou de “conspiração dos fugitivos”, o PT posiciona-se para 2026 como defensor da legalidade e da soberania nacional. Resta saber se as instituições terão coragem — e força — para impedir a repetição de um roteiro de impunidade.